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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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A culpa

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Muitas vezes, consciente ou inconscientemente, transferimos para os outros a "culpa" que, no fundo, sabemos que é nossa.

Ou que, simplesmente, não é de ninguém.

Mas temos que encontrar algo ou alguém a quem responsabilizar, como se isso nos tirasse um fardo de cima, nos desse alívio, e o problema se resolvesse o problema por si só...

Nada poderia estar mais errado.

 

 

Petição contra o excesso de peso das mochilas

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Um ator, uma jornalista e dois médicos lançaram uma petição para limitar o peso nas costas das crianças. Com 15 mil assinaturas até ao momento, eles querem chegar às 20 mil, de forma a obrigar o Parlamento a legislar sobre esta matéria - http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT84219.

 

Mas, onde reside exactamente o problema das mochilas com excesso de peso? Eu diria que reside em diversos factores, uns mais influenciadores que outros, mas que poderiam ser melhorados.

 

1º Factor - Os manuais escolares

Antigamente, para cada disciplina havia um manual escolar.

Hoje, para cada disciplina, existe um manual, um livro/caderno de actividades e, muitas vezes, um terceiro, que se utiliza menos, mas ainda assim necessário.

O que significa que, para uma disciplina, a criança terá que levar, no mínimo, 2/3 manuais e um caderno.

Só aqui, já o peso duplica ou triplica.

 


2º Factor - A distribuição das disciplinas

O facto de, em determinados períodos, colocarem duas ou mais disciplinas diferentes faz com que os alunos tenham que levar, para cada uma delas, todo o material necessário.

Ainda hoje, só para o período da manhã, a minha filha levou 3 livros para português, 2 livros para ciências, 2 livros para geografia, 3 cadernos, e os estojos na mochila. Se tivesse apenas 2 disciplinas, o peso reduzia. Ou seja, embora seja benéfico, por um lado, as crianças não serem massacradas por muito tempo com a mesma disciplina, por outro lado, ao diversificá-las, acabam por contribuir para o excesso de peso, já que para cada uma é preciso uma grande quantidade de material.

 

3º Factor - A distribuição das disciplinas por salas

Uma turma que tenha todas as suas aulas numa mesma sala, durante o período da manhã, ou da tarde, pode deixar as suas mochilas na sala de aula. Já se tiverem cada aula numa sala diferente, são obrigadas a carregar a mochila pesada de um lado para o outro.

 

4º Factor - A junção de outras disciplinas, juntamente com educação física

Isto obriga a que a criança, para além da mochila com peso a mais por conta dos manuais e restante material, ainda tenha que levar mais um saco de desporto ou outra mochila, para a disciplina de educação física. Isto a juntar também à lancheira que a maioria também leva.

 

5º Factor - A insuficiência de cacifos, a insegurança e as regras de algumas escolas quanto ao seu acesso

Na escola da minha filha, nem todos os alunos têm cacifo. 

Os que têm, embora estes sejam relativamente seguros, face a outras escolas, ainda assim correm o risco de ter algum azar. O cacifo que a minha filha tinha, do ano anterior, foi arrombado no início deste ano. Valeu-lhe o facto de não ter lá dentro nada que interessasse a quem o fez.

Por outro lado, a utilização dos cacifos não é prática aqui nesta escola. O facto de a escola não ter acessos pelo exterior, tendo que ser feito interiormente, levou a direcção a não permitir a permanência dos alunos no interior nos intervalos, obrigando-os, nos dias de bom tempo, a vir para o átrio ou outros espaços. 

Ora, é no interior que se localizam os cacifos. Se os alunos não podem aceder aos mesmos nos intervalos, só o poderão fazer depois de tocar para entrar, quando já deveriam estar a caminho da sala de aula. Isto leva-os a atrasos sem sentido, e acaba por desmotivá-los para o uso do cacifo, preferindo andar com a mochila de uma sala para a outra, e mantê-la consigo nos intervalos.

 

6º Factor - Os TPC's

Muitas vezes perguntam-me "mas ela tem que levar tudo isso para a escola?" ou "será que ela não pode deixar alguma coisa na escola?".

Sim, tem que levar, a não ser que os professores, antecipadamente, digam que não é necessário. E sim, tem que trazer de volta, porque há sempre trabalhos de casa diários para fazer, fichas que requerem consulta dos manuais, ou o caderno para escrever as respostas, testes para os quais tem que estudar.

Resolvido o problema dos cacifos, voltamos assim à velha questão dos trabalhos de casa que, para além de tudo o mais que já sabemos, contribui ainda para o excesso de peso nas mochilas das crianças.

 

7º Factor - Os horários repartidos

Crianças que tenham aulas no período da manhã e da tarde, e que almocem na escola, têm que levar, logo pela manhã, o material para todas as disciplinas do dia, o que significa que o material, já de si triplicado, irá novamente duplicar ou triplicar. Se os alunos tiverem aulas apenas num dos tempos, isso poderá ser evitado.

 

 

Agora imaginem juntar a tudo o que os alunos, por norma, levam para a escola, algum material extra que os professores peçam (calculadora, dicionário ou outros), e aqueles objetos que não dispensam como carteira, telemóvel, chaves, chapéu de chuva e por aí fora.

Mesmo que os alunos vão para a escola e voltem para casa de carro, ou transporte público, ainda assim têm que a carregar na escola.

E o mesmo para aquelas crianças, como é o caso da minha filha, em que sou eu que, quando posso, lhe levo a mochila, nos dias em que vamos a pé, chegando à escola cheia de dores nas costas.

Agora imaginemos uma criança que tenha que fazer o seu percurso a pé, de casa para a escola e vice-versa, com esse mesmo peso às costas.

Não faz qualquer sentido. Mas é o que mais se vê hoje em dia. Crianças que mal conseguem andar, que se vêem aflitas com tanta coisa para levar, que caminham quase curvadas, para contrabalançar o peso das costas.

 


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As crianças saudáveis de hoje, serão adultos com graves problemas de coluna, e repercussões na saúde para toda a vida, se esta situação não se alterar. Há quem sugira determinado tipo de mochilas, para melhorar a postura, mas o problema não está na qualidade das mochilas. Começa muito antes de chegarmos a essa parte.

 

 

Quem por aí se queixa do mesmo?

 

 

 

 

Imagem APEE-AEAA

Sabem aquele momento...

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...em que estamos no trabalho e nos apetece comer mais alguma coisa?

...em que não podemos sair e já devorámos tudo o que tínhamos à mão?

...em que vasculhamos todos os cantos à procura de algo que não tenhamos visto, e nada?

...em que nos conformamos, e esperamos ansiosamente que chegue a hora da saída para ir para casa e comer?

 

Pois foi o que me aconteceu ontem.

E quando chego a casa, numa altura em que já não é preciso, lembro-me que deixei um iogurte no trabalho, que tinha levado à tarde, e não cheguei a tocar nele!

Resultado: iogurte para o lixo, graças à minha esperteza (já é a segunda vez que acontece), quando o podia ter bebido, e resolvido o problema!

Se não querem atear o fogo, não acendam o fósforo!

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Já não é a primeira vez que me deparo com uma situação destas, e é algo que me irrita profundamente.

Uma associação de protecção de animais partilhou, na sua página do facebook, uma publicação acerca de um gatinho que foi devolvido, pela família que o tinha adoptado há uns meses, apelando a que se tentasse encontrar um novo lar para o bichano.

Até aí, tudo bem. Tinha até começado a escrever um comentário, quando li melhor a publicação, e deparei-me com esta solicitação:

 

"Pedimos que em vez de comentários sobre a devolução nos ajudem de forma construtiva a encontrar a família 5 estrelas que este patudo precisa."

 

E, assim, apaguei o comentário que estava a escrever.

Mas houve quem se quisesse manifestar:

 

"...concordo que devemos tentar arranjar um lar para este menino o quanto antes, mas mesmo assim devem colocar o nome destes adotantes na lista de maus, ou melhor, péssimos adotantes para que este tipo de situações não se repita."

 

E que resposta é que recebeu?

Esta:

 

"Mas agora vamos começar a colocar cruzes vermelhas na testa de quem faz algo errado??? É isso que quer que lhe façam a si quando fizer algum erro na sua vida? Nem sabe o que se passou e nem temos que saber!! Temos sim, se pudermos, ajudar e mais nada!"

 

Ora, se não querem atear o fogo, não acendam o fósforo!

Se não querem que as pessoas se insurjam contra estas situações, que comentem, que critiquem, que condenem este tipo de actos, não os exponham.

Se o mais importante, como dizem, é encontrar um novo lar para o animal em questão, ajudando como pudermos, evitem falar do que gerou essa necessidade.

Porque raio têm que anunciar, com tanta indignação, o que os adoptantes fizeram com o animal, criticando, condenando e mostrando a sua própria revolta se isso, perante a situação do amimal em causa, é assim tão irrelevante? 

 

A publicação da associação:

"Devolvido…
Devolvido como uma peça que se leva para experimentar e depois afinal já não se quer..
Adotado em outubro, então um bebe com 3 meses, o Pokemon foi devolvido ontem com 7 meses.
Porquê? Não interessa, nestas situações a razão nunca tem razão.
O seu nome revelou-se uma verdadeira maldição - o jogo passou de moda e o interesse arrefeceu. Mas este tigrado não é virtual, é um ser vivo com emoções, com sentimentos, não é algo que desaparece por se desligar o botão…
Com mais de metade da sua pequena existência vivida numa casa imaginam a revolta deste menino? Não tivemos coragem de o colocar numa situação em que também ele pode entrar em depressão, por isso encontra-se muito provisoriamente em casa de uma voluntária.
É um gato meigo e brincalhão que precisa de encontrar a sua verdadeira família, que precisa com urgência de um lar.
Procuramos adotantes responsáveis, alguém que ame o Pokemon para o resto da vida e não apenas uns meses, alguém que entenda que estes animais têm sentimentos, que sofrem a sério com o abandono…
O Pokemon não está castrado nem testado mas assumiremos esses custos.
Só queremos que este menino encontre a felicidade que lhe foi prometida e depois roubada."

 

Compreendo que estarmos a deixar a nossa opinião não resolve o problema principal, que é o de se encontrar uma nova família para este gatinho. Mas, se a própria associação o faz, não teremos também nós, o direito de o fazer? E os outros o dever de a respeitar?

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