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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

O que está para além da história de um livro

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É certo que o que nos capta a atenção em qualquer livro é, sem dúvida, a história que o mesmo nos conta.

Mas há livros e livros.

 

Há livros que se ficam por aí, sem que deles se consiga retirar algo mais que essa história, que lhe serviu de base. Tal como um fruto que, por mais que se esprema, não deita mais sumo.

 

E, depois, há livros que escondem, dentro de si, muito mais que aquilo que aparentam ou prometem. Atrevo-me até a dizer que, em alguns casos, acabam por ser mais significante todas as mensagens e ensinamentos que dele retiramos, curiosidades que aprendemos, ou questões que os autores conseguem fazer-nos levantar e debater, do que a própria história em si.

 

O que é óptimo, quando damos por nós a ler mais uma história igual a tantas outras, sobre a qual não há nada de especial para destacar, mas que acaba por nos convencer com outros argumentos e "armas".

E, mesmo que a história não nos tenha especialmente cativado, acabam por valer a pena serem lidos!

Noé - o filme

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Na altura em que estreou no cinema, fiquei muito tentada a ver.

Depois, quando deu na televisão a primeira vez, apanhei um bocadinho, e não me inspirou, até porque era enorme. Este domingo, acabei por vê-lo.

 

Desde pequena que fiquei a conhecer diversas histórias que vêm na Bíblia, e esta é logo uma das primeiras, que não deixa ninguém indiferente: a famosa Arca de Noé, onde foram preservados um casal de animais de cada uma das espécies, enquanto Deus inundava a Terra com um enorme dilúvio. Depois de parar de chover, enviaram um pássaro para determinar quando poderiam voltar a sair da arca. Se não estou em erro, o pássaro foi e voltou duas vezes, sem nada. À terceira, voltou com um ramo no bico. E por último, não voltou. Foi quando perceberam que poderiam sair da arca, e voltar a terra firme. Há ainda a parte do arco-íris que surge no céu, e que simboliza a aliança de Deus com o Homem.

 

Li várias vezes estas histórias, nas Bíblias para crianças que me ofereceram em pequena. Na altura, gostava de lê-las. Hoje, ao recordar-me delas, apercebo-me que, a serem verdadeiras, mostravam um povo que levava a sua fé e crença em Deus a extremos e, até, a um certo fanatismo.

 

Sempre me ensinaram que Deus é amor, e que é justo. Sempre duvidei da sua existência. Não consigo perceber onde é que esse Deus encaixa num mundo em que tantos inocentes sofrem as maiores atrocidades, enquanto os "maus" permanecem impunes. 

 

Neste filme, um dos descendentes de Caim, que representa o mal, afirma: "Deus criou o Homem à sua imagem. Ele não é diferente de nós. Nós somos o reflexo dele."

Não teria ele uma certa razão? Como poderia um Deus bondoso matar? Ou mandar matar? Sim porque, por exemplo, na história de Abraão, depois de supostamente lhe ter dado o seu filho Isaque mandou, em seguida, matá-lo como sacrifício para pôr à prova a sua fé em Deus. Que Deus é este que condena à morte quem tem o mal dentro se si, quando ele próprio incita a cometer actos como este?

 

Por outro lado, Noé dizia à sua mulher, tentando justificar a sua decisão de nem eles próprios entrarem na arca e se salvarem "Todos temos o mal dentro de nós. Não poderemos ser salvos."

Mais uma verdade! 

Por muito bons que sejamos, há sempre algo que nos pode corromper. Haverá sempre algo capaz de nos levar a cometer actos de maldade, nem que seja para defender-nos e aos nossos.

 

No caso concreto do filme, no que era Noé diferente daqueles que estavam agora a ser condenados pela justiça divina?

Noé não hesitou em deixar morrer uma jovem, que nada tinha a ver com estas guerras, para se salvar a si e ao filho. Noé não hesitou em declarar a sentença de morte para toda a família, incluindo as próprias netas, que quase matou com as suas próprias mãos, por achar que era o que Deus queria. Onde é que está aqui a bondade, o amor?

E o que conseguiu com isso? Conseguiu que todos se revoltassem contra si. Conseguiu que um dos seus filhos se passasse para o lado dos "vilões", contra o próprio pai, por não perceber que moral tinha o pai para condenar os outros, quando se estava a tornar igual.

 

Ainda a respeito do filme, estava à espera de melhor. É muito tempo de filme, para uma história tão pequena. Há partes que não batem certo com aquilo que se conta, e que levantam algumas incongruências e questões:

- Na história do filme, Noé e o pai parecem viver sozinhos. Quando o pai morre, sendo Noé ainda criança, como é que ele sobreviveu sozinho todos aqueles anos, até à idade adulta?

- No filme, o que a história dá a entender é que havia apenas a família de Noé, do lado do "Bem", e todos os restantes do lado do "Mal". Seria mesmo assim?

- No filme, não há um limite para a entrada dos animais. No entanto, se formos pesquisar, há diversas versões de imposição de quantidade de animais de cada espécie. A ser assim, porque teriam de morrer todos os outros?

- A própria construção da arca suscita dúvidas. Conseguiria uma arca como aquela, construída unicamente de madeira, como pareceu, manter-se intacta com todos aqueles animais dentro?

- Como era possível haver lume dentro da arca, sem a incendiar?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

História ou Geografia?

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Num teste que a minha filha fez, vinham as seguintes questões:

 

Em que ano aderiu Portugal à União Europeia?

Quais foram os países fundadores da União Europeia?

 

Em que teste, destas duas disciplinas - História ou Geografia - acham que sairam estas perguntas?

 

Para mim fariam todo o sentido numa delas. Já na outra, nem por isso.

Teria mais lógica quando as duas eram dadas como uma única - História e Geografia de Portugal. Separadas, como é o caso este ano, acabam por parecer andar, muitas vezes, trocadas.

Sobrevivi a mais uma reunião de pais

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Inicialmente marcada para as 16.15h foi, posteriormente, alterada para as 18.15h e, no próprio dia, para 30 minutos depois porque só perceberam que, naquele dia e hora, as salas estariam ocupadas com aulas.

Logo aí, já não ia com muito bom humor para a reunião, afinal, quase que marcam a reunião na hora do jantar. É certo que muitos pais trabalham e, se calhar, até lhes dá jeito comparecer o mais tarde que puderem. Mas a mim, que já saio do trabalho às 19h, ainda ter que levar com mais de uma hora de reunião, e com todo o trabalho em casa atrasado, não me deixa minimamente bem disposta.

Felizmente para mim, não compareceram muitos pais, o que tornou a reunião mais célere e calma que o habitual.

 

 

Tomei finalmente conhecimento do plano de promoção do sucesso escolar da minha filha, que acabou por não ter qualquer medida porque ela conseguiu superar a negativa que tinha tido na avaliação intercalar.

Quanto a resultados, é uma turma com comportamento não satisfatório, muito por conta de serem conversadores e, em 30 alunos, apenas 9 tiveram sucesso pleno (sem qualquer negativa), sendo que 16 tiveram negativa a matemática. 

E foi por isso mesmo que a professora deles, dessa disciplina, quis falar com os pais: para que nós estejamos lá com eles na hora de estudar, na hora de conferir se fazem os trabalhos, e que os incentivemos a não desistir desta disciplina. Que os ponhamos a praticar e, mesmo que não tragam trabalhos, o que raramente acontece, que eles façam exercícios por sua própria iniciativa.

Ora, isto é tudo muito bonito e produtivo, se fosse a única disciplina a que se tivessem que dedicar, e não a 12 disciplinas, algumas delas diariamente. Se tivessem vindo preparados dos anos anteriores. E se os pais compreendessem e dominassem perfeitamente a matéria que os filhos dão, e não tivessem mais nada com que se ocupar quando chegam a casa depois de um dia de trabalho.

 

 

Houve também tempo para falar de outras questões como o Mealheiro de Turma, que até aqui ainda estava pouco esclarecida, e do sucesso da participação da turma na quermesse da festa de natal da escola.

 

 

Esta turma foi também escolhida para participar num estudo, juntamente com os pais, que tiveram já nesta reunião que preencher um questionário. Confesso que as últimas questões, tipo quizz matemático, foram respondidas à sorte! Não queria estar ali a perder muito tempo a pensar nas respostas correctas, e fui por aquilo que, assim de caras, parecia o mais lógico, apesar de achar que não seria bem assim.

 

 

E, pronto, sobrevivi a mais uma reunião escolar!

 

 

 

Porque continuo em desacordo ortográfico?

Já há uns anos escrevi sobre este assunto AQUI.

Desde então, a minha opinião não mudou. 

E a questão que se coloca não é, como muitos defensores querem fazer crer, a objecção à evolução natural da língua portuguesa; a dificuldade em aceitarmos que a língua está em permanente mudança, e que é isso é benéfico. Que, se assim não fosse, ainda escreveríamos determinadas palavras como há décadas atrás, e que agora já nos esquecemos e consideramos erradas.  

E não me venham dizer que não é a primeira vez que assinamos um acordo ortográfico, que introduziu alterações à forma como escrevemos, e nunca houve tanto alarido como agora. 

A questão é que este acordo não trás uma evolução na língua original portuguesa, mas sim uma adaptação. Uma adaptação a uma única norma, para todos os países de língua portuguesa que, até agora, se guiavam por duas normas distintas.

Só que, em vez de serem os restantes países a adoptarem a forma de escrita do português de Portugal, e assim reduzir as diferenças, foi Portugal a adoptar a forma escrita dos outros países, mais precisamente, do Brasil! 

Como se isso já não fosse suficiente mau, a juntar a todos os estrangeirismos que, aos poucos, vamos vendo serem adicionados ao nosso dicionário, este acordo ortográfico é ainda mais questionável na medida em que continuam a prevalecer, para alguns vocábulos, as duas normas. Quando as divergências não são resolvidas na totalidade. Quando, em palavras em tudo semelhantes, umas mudam e outras não. Quando as alterações podem alterar todo o sentido de uma palavra e de uma frase.

E não me venham dizer que há muitas pessoas a criticar o novo acordo, mas que nem com o antigo sabem escrever porque, se é verdade que isso acontece, agora, ainda acontecerá mais. 

Porque quem já está habituado ao acordo antigo, quase tem que aprender a escrever novamente e, na dúvida, pode achar que todas as palavras a que estava habituado já não se escrevem sabe, e acabar por pecar de tanto querer escrever como manda a nova regra.  

Por isso, sim, continuo em desacordo ortográfico!

 

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