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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

A preparação para a vida também se vende?

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Quando, na passada sexta-feira, recebi um telefonema de uma senhora, a perguntar se eu era a encarregada de educação da minha filha, estava longe de imaginar no que me iria meter.

Primeiro, pensei que era da escola, e que tinha acontecido alguma coisa à minha filha.

Afinal, era por causa de um estudo que tinha sido feito na escola, para o qual eu tinha dado autorização (e, ao que parece, o meu contacto), e queriam agendar reunião no fim-de-semana, para entrega dos resultados, sendo fundamental que a minha filha estivesse presente.

O estudo foi feito pelo Núcleo para a Criatividade e Desenvolvimento de Competências (NCDC.org.pt), no passado ano lectivo, e consistiu na aplicação de inquéritos aos alunos de vários anos de escolaridade, sobre “Personalidades e Estilos de Aprendizagem”.

 

 

Chegada à escola, apresentaram-nos os resultados que, de uma forma geral, correspondem à realidade, mas que a técnica tentou maximizar, pintando um quadro mais negro, para que os pais fiquem preocupados com a situação e tentem ajudar os filhos como puderem.

Segundo ela, a minha filha não tem qualquer motivação para a escola. Talvez seja verdade. Temos um ensino que em nada motiva os jovens. Não será, por certo, a única.

Não terá dificuldades de aprendizagem, mas faltam-lhe métodos de estudo e autonomia. Correcto. Mas isso é algo que ela poderá aprender e aplicar no futuro.

Tem uma autoestima muito baixa, e gosta muito de se manter no seu cantinho (eu também era, e ainda sou assim), e fica ansiosa em momentos cruciais de avaliação (quem não fica). 

 

 

 

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Ora, apresentados os resultados, o NCDC, uma associação sem fins lucrativos, propôs-se ajudar a minha filha, e muitos mais alunos que assim o queiram, através de um programa em que eles iriam começar a definir o seu futuro, que áreas se adequam mais àquilo que querem seguir, aprender métodos de estudo, ter apoio psicológico e motivacional e ainda…uma vez que a minha filha referiu gostar da área de comunicação social, um curso de inglês, com a marca Cambridge (nome sonante e pomposo que fez questão de promover), que lhe será fundamental para a área que ela quer, e que lhe dá competências para o futuro.

Uma preparação para a vida, nas suas palavras, que não se consegue na escola.

A técnica fez questão de frisar que já tinha ultrapassado o número de vagas que lhe era permitido mas, mesmo assim, a pensar no bem de todos os alunos, ainda tinha a hipótese de inserir mais uns no programa.

 

 

Parece espetacular, não é? Preocuparem-se assim com o futuro dos nossos meninos?! Só que tudo tem um preço, e esta preparação para a vida não é excepção!

Chegámos lá, então. À parte em que revelam o verdadeiro intuito destas reuniões, mascaradas de mera entrega de resultados e aconselhamento aos pais. A inscrição neste programa é de 50 euros, a que acresce uma mensalidade “simbólica” de 90 euros, ao invés dos habituais 245 euros.

Sabem o que é que me veio, de imediato, à mente? Isto parece-se com a senhora da agência de modelos que, depois de feito o casting, fartou-se de elogiar a minha filha para, depois, propor a compra do book ou da formação.

 

 

E, claro, conquistadas as crianças, como podem os pais depois dizer que não, sem as decepcionar ainda mais, e agravar o seu estado psicológico!?

 

 

Não teve sorte comigo. Disse-lhe na cara que não tinha dinheiro para isso e, de qualquer forma, o mais importante neste momento é que ela tenha boas notas e passe de ano, sendo prioritário explicações para a matéria actual.

E não é que não concorde que o resto lhe faz falta e a iria ajudar.

Mas teria mais lógica a técnica aconselhar-nos e explicar-nos aquilo que devemos fazer no dia-a-dia, para ajudar os nossos filhos, a nível escolar e psicológico.

Mais, ao ver o site do NCDC, deparei-me com workshops de 45 minutos que poderiam, de alguma forma, ajudar os alunos, que era menos absurdo propor, e cativaria mais os pais, do que este programa que nos custaria mais de 3000 euros!

Não sei se houve muita gente a aderir. Eu não o fiz.

 

 

Hoje, nem de propósito, o Agrupamento de Escolas a que a minha filha pertence publicou um comunicado onde afirma que apenas autorizou o núcleo à aplicação dos questionários, e que é totalmente alheio a esta iniciativa, levada a cabo à revelia da escola, e da qual somente agora teve conhecimento.

A escola, para a qual foi, supostamente, guardado um determinado número de vagas para os seus alunos frequentarem o programa, desmarca-se assim de qualquer acção que o NCDC esteja neste momento a realizar, ou venha a levar a cabo, com base nos referidos inquéritos.  

 

Pena que só agora venha a público este comunicado, que mais uma vez prova que tudo isto não passou de uma acção de marketing quando, segundo a técnica, já estão a ter estas reuniões há alguns fins-de-semana, e sabe-se lá quantos pais já foram na conversa. 

Talvez no futuro a escola deva ter mais cuidado com os inquéritos que autoriza, e as entidades a quem autoriza.

 

 

Mais alguém por aí passou por uma situação idêntica na escola dos vossos filhos?

 

 

 

 

O senhor é homossexual?Activo? Então não pode dar sangue!

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Que me desculpe quem inventou mais esta forma de discriminação, porque é algo que eu, simplesmente, não compreendo!

Mais uma vez, expliquem-me como se eu fosse muito burra, por que raio os homens (e apenas homens) homossexuais, não podem doar sangue como outra pessoa qualquer?!

Em primeiro lugar, quando uma pessoa se oferece para ser dadora de sangue, perguntam à mesma a sua orientação sexual? Que eu tenha conhecimento, essa pergunta deixou de constar dos questionários escritos antes das dádivas de sangue. No entanto, continua a haver indicação no sentido de a mesma ser formulada. E isso é discriminação. A orientação sexual de cada um só a si diz respeito, e a mais ninguém.

Ah e tal "o instituto não faz qualquer discriminação em função da orientação sexual, mas sim em função da prática sexual", diz Hélder Trindade, presidente Instituto Português do Sangue e da Transplantação.

E afirma ainda que "nada é perguntado sobre a orientação sexual, mas antes sobre o comportamento sexual. O que o instituto questiona é o comportamento de risco. Tanto faz se é homo ou heterossexual.", para logo a seguir se contradizer "o dador não será excluído por se assumir homossexual, mas por praticar sexo com outros homens".

Ou seja, os homossexuais homens, podem doar sangue, sim. Mas, apenas e só, se estiverem num período de abstinência sexual! E porquê? Porque "o contacto sexual de um homem com outros homens é definido como fator de risco".

A sério? Factor de risco é qualquer prática sexual desprotegida, seja ela entre heterossexuais ou homossexuais.

Só há riscos na prática sexual entre homens? E entre mulheres, não há? E entre heterossexuais? São uma classe superior, por acaso? Imune aos riscos?

Obviamente que não!

Então isto funciona assim. Uma mulher vai doar sangue. Como é mulher, quer seja heterossexual ou lésbica, pode fazê-lo. Mesmo que tenha tido comportamentos de risco, pode fazê-lo. Mesmo que seja portadora de VIH, pode fazê-lo. O mesmo acontece com um homem que seja (ou assim o diga), heterossexual. Ou que, sendo homossexual, não tenha tido qualquer actividade sexual num determinado período de tempo. E ninguém saberá, até ser tarde demais. Porque o seu sangue pode, entretanto, ter sido utilizado.

Como diz Hélder Trindade, apesar de o sangue ser testado antes da sua utilização, "há uma janela de tempo, que é variável, em que o VIH pode não ser detetado na análise ao sangue doado".

No entanto, um homem homossexual, activo, pode não estar infectado, e o seu sangue ser totalmente seguro. Mas, segundo estes senhores, ser homem e ter sexo com homens já constitui, por si só, um factor de exclusão! 

Desculpem-me mais uma vez, mas isto é a maior estupidez. Como é que pensam comprovar o orientação e prática sexual dos dadores? Sim, porque qualquer pessoa pode dizer que é uma coisa, sendo outra! Ainda mais sabendo deste tipo de discriminação. E qualquer pessoa pode dizer que está em abstinência, não estando.

Não é preconceito?! É!

Querem garantir a qualidade e segurança das dádivas? Façam exames, análises e tudo o que se mostrar necessário para tal. Sem discriminar! É a única forma - com rigor científico, e sem preconceito. 

Assim, só estão a criar entraves desnecessários e, na prática, inúteis, à doação de sangue que, como têm vindo a constatar, é cada vez menor. Estas limitações só provocam nas pessoas visadas a revolta, o desejo de esconder a verdade, de ocultar aquilo que querem saber. Com consequências que pretendem evitar.



Ler mais: http://expresso.sapo.pt/homossexuais-so-podem-dar-sangue-se-estiverem-em-abstinencia-sexual=f922315#ixzz3YnsvAqtB9

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