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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

A Sereia de Brighton, de Dorothy Koomson

Bertrand.pt - A Sereia de Brighton

 

É o segundo livro que leio, desta autora.

Não o conhecia, até que alguém aqui no Sapo, falou sobre ele, e me despertou a curiosidade em lê-lo.

Não fazia ideia do que esperar, mas foi uma boa decisão tê-lo pedido como prenda de Natal!

 

Acho que, pela primeira vez, assim tão explicitamente, li uma história em que as protagonistas são negras, tal como a primeira mulher assassinada, que deu o nome à história e que ficou conhecida, à falta de conhecimento sobre a sua identidade,  como a "sereia de Brighton".

A trama alterna entre a actualidade, e os acontecimentos ocorridos ao longo do tempo, desde há 25 anos atrás, numa noite em que duas adolescentes, Nell e Jude, que não deveriam andar na rua àquela hora, dão de caras com um cadáver, na praia.

Após comunicarem às autoridades o sucedido, as duas adolescentes que, à partida, poderiam ser consideradas como testemunhas, são tratadas como culpadas, como "galderiazinhas", pela polícia, que as tenta intimidar e fazê-las confessar o que quer que estejam a esconder.

 

Racismo, violência física e psicológica, discriminação, bullying, abuso de autoridade. Tudo isto ocorre a partir de então, com Nell e toda a sua família, destruindo-lhes a vida.

Entretanto, Jude desaparece misteriosamente. Vão surgindo muitas outras mulheres assassinadas, mas nenhuma delas é Jude. O que lhe terá acontecido?

 

No ano em que se celebra o 25º aniversário sobre a morte da "sereia de Brighton", Nell está entre a espada e a parede, com o tempo contado para descobrir o que realmente aconteceu, sob pena de a vida da sua família, entretanto refeita, poder vir a desmoronar-se novamente.

Por outro lado, há quem não queira ver o mistério resolvido, e esteja disposto a tudo para que Nell fracasse nessa missão, eliminando todos os que, de alguma forma, puderem contribuir para a descoberta da verdade.

 

Uma história cheia de surpresas, de segredos, de mistério, numa contagem decrescente para a grande revelação, se chegar a acontecer...

 

Mais uma vez, este enredo prova que até as pessoas mais próximas de nós podem esconder-nos segredos, e que nunca chegamos a conhecer, verdadeiramente, algumas delas.

 

 

 

 

 

 

American Son, na Netflix

American Son | Site Oficial da Netflix

 

Mais um dos filmes que estava, há muito, na minha lista de espera da Netflix.

Confesso que, quando li a sinopse, pensei que seria mais um filme sobre um filho desaparecido, talvez raptado, e sobre a ineficácia da polícia, em agir.

De facto, há um filho desaparecido. Mas esse acaba por ser apenas o fio condutor para toda a trama que se centra, basicamente, em mais de uma hora de discussão entre a mãe, negra, e o pai, branco, e o ponto de vista de cada um quanto à forma como queriam educar o filho, e como essa educação se reflectiu na confusão em que o mesmo estava a viver nos últimos tempos, a par com a separação dos pais.

 

Por um lado, temos uma mãe que teve um passado traumático, fruto de racismo, e que quer que o filho seja livre para ser como é, sem receios, sem limitações, aceitando as suas raízes, e fazendo valer os seus direitos, enquanto ser humano, independentemente da cor da pele.

É uma mãe que, perante uma fase menos boa na vida do filho, tem que tomar decisões. E viver com os seus constantes pesadelos relativamente ao que, eventualmente, poderá um dia acontecer ao filho.

Agora, naquela sala de espera, em desespero por não saber do filho, com o qual tinha tido uma discussão feia antes deste sair, e perante um agente que parece pouco disposto a ajudá-la, Kendra está à beira de um ataque de nervos, a dizer tudo aquilo que tem entalado, que pensa, mas nem sempre deve dizer quando se depende das pessoas em quem se está a descarregar a frustração, ainda que com toda a razão.

 

Por outro, temos um pai que quis, desde sempre, que o filho fosse criado de acordo com as tradições da família branca, ou seja, à sua medida mas, relembrando-o daquilo que, enquanto negro deve evitar.

Um pai que deixou a mulher porque passavam o tempo todo a discutir, por conta das diferentes formas de ver a vida, a educação do filho, a realidade, o futuro.

Um pai que talvez não esteja tão presente quanto seria de esperar.

Scott é um homem um tanto arrogante, um tanto ponderado mas, quando percebe que o estão a enganar, também explode, e causa danos que seriam de evitar, naquela situação.

Ainda assim, consegue conservar algum bom humor.

 

Kendra e Scott, enquanto aguardam a chegada do tenente, que parece nunca mais vir, passam o tempo todo a discutir, a atirar culpas um ao outro, a fazer mútuas acusações, a responsabilizar o outro pela situação em que o filho está agora, repetindo o padrão em que se tinha vindo a tornar o casamento.

Mesmo quando parece que estão prestes a dar tréguas, por uma causa maior, e por um amor comum, pelo filho de ambos, que está desaparecido, voltam ao ataque.

 

E será assim até aos momentos finais, quando é revelado o que realmente aconteceu a Jamal, e em que cada um deles percebe que todas essas discussões foram inúteis, que não existem culpados, que não podem controlar nada, nem ninguém, o tempo todo, e que cada um é responsável por si próprio e pelas suas acções.

 

 

 

E se fosse consigo?

 

Acabei de assistir à estreia do novo programa da Conceição Lino "E se fosse consigo?".

Relativamente à situação apresentada do casal de namorados, em que o pai profere todo o tipo de comentários racistas, é curioso como praticamente toda a gente assiste, incomodada e indignada, àquela cena, mas poucos se intrometem ou prestam solidariedade ao casal.

Quando questionados, depois, afirmam-se chocados, tristes, completamente contra a atitude daquele pai.

A verdade é que nós, de uma forma geral, preferimos não "meter o bedelho onde não somos chamados", nem nos metermos em questões que não nos dizem, directamente, respeito.  

 

 

 

Mais chocada fiquei com a "experiência", se lhe podemos chamar assim, que fizeram com as crianças e duas simples bonecas. Que achem uma boneca mais bonita que a outra, tudo bem. São preferências, gostos pessoais, não se pode considerar racismo gostar mais de louras que morenas, brancas que negras (embora possa estar incutido algum preconceito).

As coisas mudam quando afirmam, por exemplo, que a boneca negra é má. Podem ser respostas inocentes, saídas no momento e sem pensar, mas podem ser exactamente aquilo que pensam. Ou foram ensinadas a pensar. Mas, e quando a Conceição pergunta à menina com quem ela é mais parecida, e se acha que também ela é má...

Algumas pessoas colocam em questão esta experiência ou inquérito às crianças, nomeadamente, se os pais tiveram prévio conhecimento das perguntas que seriam colocadas aos filhos, se foi devidamente preparado e acompanhado por psicólogos, e põem em causa a forma como as respostas poderão ser "manipuladas" ou induzir à mensagem que o programa pretende passar.

Mas será que, tendo os pais conhecimento das perguntas, não poderiam também eles levar os filhos a dar respostas diferentes? Não serão as respostas dadas de forma espontânea, as que mais se aproximam da verdade? 

 

Imagens voxpoptv.com e http://sic.sapo.pt/maissic

A "república das bananas" no futebol

Redes sociais enchem-se de bananas em apoio a Daniel Alves

Futebolistas, artistas, políticos e numerosos cidadãos anónimos saíram em apoio a Daniel Alves,  futebolista do FC Barcelona, pela sua reacção ao acto, tido como racista, publicando centenas de fotografias de bananas, em diversos contextos.

A situação polémica decorreu durante a vitória do FC Barcelona por 3-2 no terreno do Villarreal, em jogo da 35.ª jornada da Liga Espanhola, quando Daniel Alves se preparava para bater um canto, e lhe foi arremessada uma banana. O brasileiro apanhou-a do chão e deu-lhe uma trinca, antes de prosseguir com a marcação do lance de bola parada.

O seu compatriota e colega de equipa Neymar publicou uma foto na rede social Twitter acompanhado pelo filho agarrado a um peluche de banana e deu o mote para a etiqueta “#somostodosmacacos” que tem sido utilizada nas ações de apoio, na internet, a Daniel Alves.

É caso para dizer que há "macacos" com mais classe que certos visitantes do "Jardim Zoológico"! E, afinal, são os macacos que ficam levam a melhor (banana). Já os visitantes, ficam com a casca!