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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Última leitura do ano: Ganhei Uma Vida Quando Te Perdi, de Raul Minh'alma

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, texto e ar livre

 

As pessoas entram na nossa vida quando têm que entrar, ficam enquanto tiverem que ficar, e saem quando devem sair.

Se pensássemos sempre assim, seria tão mais fácil superar o fim dos relacionamentos, das amizades, ou até a perda dos entes queridos.

Mas, na prática, nem sempre é assim...

 

Ao longo do livro, várias ferramentas são transmitidas, através das analogias que vêm pelo Sr. Artur, ou até mesmo pelo Rodrigo, fazendo pensar que Alice é uma mulher que não sabe lidar com a sua vida, no meio dos sábios, que parecem saber sempre a coisa certa a dizer e fazer.

De facto, foi aquilo que tenho a apontar de menos positivo no livro: a forma como os conhecimentos são "debitados" ou "despejados" ao leitor, que não soaram de forma natural, como seria a ideia ou intenção do autor.

 

Gostei da analogia da caixa.

A proposta era pegar em tudo o que nos caracterizasse, e colocar dentro de uma caixa. Se não coubesse, deveríamos excluir o que não fosse assim tão importante, para o resto caber lá dentro.

No entanto, o correcto era, simplesmente, não colocar nada porque, ou a outra pessoa nos aceita por inteiro ou, se temos que anular uma parte de nós, para que a outra nos aceite, não vale a pena.

 

Também adorei a analogia da fonte.

Os habitantes não queriam aceitar que a fonte fosse demolida e construída uma nova porque, afinal, de vez em quando, lá dava água.

Da mesma forma, nós vamos, muitas vezes, aceitando migalhas que nos vão dando para nos manter minimamente satisfeitos sem, no entanto, sermos realmente felizes.

No entanto, se dessem oportunidade a uma fonte nova, talvez a água já não parasse de correr.

E, se déssemos oportunidade a quem realmente merece, a quem nos dá o pão inteiro, fossemos mais felizes, do que com as migalhas que não são mais do que os restos daquilo que os outros já comeram.

 

A ampulheta

Dizia a psicóloga que a Alice consultou, que só havia duas formas de superar o final de uma relação, e de lhe custar menos.

A primeira, seria ela saber que o ex tinha outra, e já não queria saber dela. A segunda, era Alice encontrar um novo amor.

O Sr. Artur deu-lhe, por sua vez, uma terceira opção: fazê-la perder as memórias de tudo o que tinha vivido com a outra pessoa.

Caberia depois, a ela, decidir se essa perda de memórias seria para sempre, e assim viveria o resto da vida numa ilusão, ou recuperá-las, quando estivesse melhor preparada, e voltar à realidade, superando-a o melhor que conseguisse, porque nada se consegue de um dia para o outro.

A solução estaria na ampulheta que o Sr. Artur lhe deu, e nas mãos, na cabeça e no coração de Alice.

Eu confesso, por mais que me doesse, preferia a realidade à ilusão.

 

Uma nova paixão

Rodrigo surgiu na vida de Alice, ainda antes de as memórias lhe serem apagadas. Mas os melhores momentos vividos a dois, foram já nessa fase em que era suposto Alice não se apaixonar por ninguém.

E agora, ela terá uma decisão ainda mais difícil para tomar porque, ao recuperar as memórias do passado, aquilo que sente por Rodrigo pode adquirir um outro significado, ou até perder-se.

Mas, se atirar fora a ampulheta sem recuperar as memórias, tudo aquilo que viveu e poderá vir a viver com o Rodrigo, será uma farsa.

 

O segredo

Paralelamente à situação de Alice, há ainda um segredo por desvendar, que o Sr. Artur guarda a sete chaves, e que poderá mudar a vida de todos eles. 

O que une o Sr. Artur a Rodrigo e Alice, e que segredo será esse que ele esconde?

 

"Ganhei Uma Vida Quando Te Perdi" aborda ainda o divórcio, a superação e aceitação de novas relações dos ex, e a forma como os pais utilizam e prejudicam, muitas vezes, os filhos com isso.

E é, no fundo, uma história de superação: superação de traumas antigos, de perdas, de dificuldades, de sentimentos, de dor.

Porque só superando tudo isso, conseguiremos ser felizes!

 

 

SINOPSE

"Como é que se esquece alguém? Quando Alice decide esquecer Gustavo, depois de este a ter magoado, procura Artur, um homem sábio e misterioso que tem o dom de apagar, temporariamente, as memórias associadas a uma pessoa.
No entanto, Alice estava longe de imaginar as consequências que essa decisão iria trazer para a sua vida, principalmente depois de se apaixonar por Rodrigo.
Agora tinha mais uma difícil decisão em mãos: enfrentar o passado, ou viver este novo amor que, depois de ter apagado parte das suas memórias, poderia não passar de uma mera ilusão…
O autor bestseller Raul Minh’alma, líder dos tops nacionais de vendas, traz-nos um romance arrebatador onde nos explica como fazer de um fim um novo começo e de uma perda uma grande conquista."

Foi Sem Querer Que Te Quis

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Foi mesmo!

Já tinha tantos romances na minha lista que, para juntar mais algum, seria preciso que se mostrasse diferente dos restantes, ou me cativasse de alguma forma diferente.

E foi assim que, num dia, o estava a adicionar à lista e, mais tarde, ao vê-lo mesmo ali ao meu alcance, não resisti, e comprei!

 

 

A história:

Foi sem querer que te quis conta a história de Beatriz e Leonardo. A forma como os dois se cruzam, omo os seus caminhos se interligam, e que mudanças ocorrerão nos dois, que os tornarão pessoas melhores e mais preparadas para amar.

Beatriz é terapeuta ocupacional no lar onde está o avô de Leonardo, o Sr. Nicolau. 

Quando o relacionamento de Beatriz com Gabriel termina, Nicolau promete dar-lhe a "receita do amor", se ela ajudar o seu neto a ultrapassar o que o está a tornar numa pessoa que nada tem a ver com o que um dia foi.

Com a morte do Sr. Nicolau, ambos se comprometem em satisfazer o último pedido do avô: Beatriz em ajudá-lo, e Leonardo a não colocar obstáculos a essa ajuda.

Se, no início, as coisas não correm nada bem e Beatriz pensa até desistir dessa missão, o tempo vai mostrar que paciência e persistência podem ser bons aliados.

E o que parecia uma aversão mútua à primeira vista, começa a transformar-se em algo muito diferente, que os dois já não conseguem esconder.

Mas, estarão Beatriz e Leonardo destinados a ficar juntos?

Ou será que o destino irá trocar, mais uma vez, as voltas ao casal?

Existirá mesmo uma "receita" para o amor?

 

 

A minha opinião:

Gostei imenso da construção da personagem do Leonardo, e de todo o rumo que foi tomando até ao final. Já a Beatriz, não me convenceu tanto. Pareceu-me estar ali na história apenas como veículo de transmissão de ensinamentos, "frases feitas" e pensamentos, maioritariamente, absorvidos por ela graças às conversas com o Sr. Nicolau.

Surge quase como uma benfeitora, uma guia que conduz Leonardo pelo caminho certo para a sua vida, impedindo que ele se desvie por outros atalhos que não o levarão a lado nenhum.

No entanto, ela própria está longe de ser dona e senhora da razão, e também comete erros, também tem que se descobrir a ela própria, e saber o que é melhor para si.

 

Confesso que a parte final da história foi surpreendente, e está tão bem contada que nem me apercebi do que tinha acontecido mas, revelado o mistério, faz sentido, e  foi o que mais me emocionou.

Não é daqueles romances que marcam de uma forma inexplicável, mas é um bom romance de estreia para o autor, com uma boa premissa, que levará certamente os mais românticos a querer saber qual é essa receita que terão que experimentar para terem sorte ao amor.

Poderá ser, tão somente, um bombom com recheio de framboesa?!

 

 

 

As frases que mais me marcaram no livro:

"Não há pessoas boas demais, há pessoas boas de menos. Ser-se bom demais é o normal, Apenas não parece porque as pessoas boas de menos são muitas mais."

 

"Esse é um erro bastante comum nas relações porque infelizmente as pessoas confundem tudo. Confundem amor com paixão, paixão com obsessão e até mesmo amor com amar."

 

"Talvez o mal da humanidade seja fazer tudo por interesse, na expectativa de algum retorno ou recompensa."

 

"Se tens dúvidas é porque não amas. Se não sabes se é forte é porque não é forte e se não é forte não é amor."

 

"Não fales do que não sabes e muito menos do que achas que sabes."

 

"O depois é um lugar imaginário para onde gostamos de empurrar as decisões da nossa vida. O depois é o lugar favorito dos indecisos, que só empatam a vida de quem já sabe o que quer."

 

"Nós temos por natureza o mau hábito de adiar uma cura só porque ela dói. Não admitimos, mas a verdade é que preferimos ir sofrendo devagarinho com a possibilidade do que sofrer  muito de uma só vez com a certeza."

 

"Acomodamo-nos tão facilmente a uma meia-tristeza que chegamos a acreditar que ela é uma meia-felicidade, mas uma meia-felicidade nada mais é do que uma infelicidade disfarçada."

 

"...uma relação saudável é composta por duas pessoas inteiras, e não por duas metades que formam um."

 

" ... amar alguém é querer que essa pessoa seja feliz... E apego é querer que essa pessoa nos faça feliz."

 

 

 

Eu identifico-me muito com a que fala do "depois". Porque eu sou muito de empurrar tudo para o depois, quando não estou certa daquilo que realmente quero. Não é um não, mas também não é um sim com certeza. É um preciso de pensar sobre isso. E acredito que, a certa altura, isso acabe por empatar quem já está certo daquilo que quer, e fica dependente de nós.

 

    

Agora deixo-vos um desafio - escolham a frase com que mais se identificam, ou sobre a qual tenham algo a dizer, e deixem um comentário sobre a mesma!

 

 

Sugestões para o fim de semana

(clicar na imagem)

 

Para este fim de semana, a rubrica Fora de Casa traz sugestões bastante diversificadas, que vão desde festivais, a livros, passando pela música, pelo teatro, jogos, e até uma visita ao museu pela mão da rainha!


Raul Minh'alma e The Legendary Tigerman são os grandes destaques desta edição.

Descubram as restantes!