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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Férias - expectativa versus realidade

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A cada ano que passa, com umas férias não muito bem aproveitadas, nos convencemos de que, no ano seguinte, será melhor.

Talvez para o ano haja mais dinheiro.

Talvez para o ano o tempo esteja melhor.

Talvez para o ano consigamos mais dias juntos.

Talvez para o ano possamos ir aqui ou ali.

E é com esse pensamento que nos resignamos com o que não foi possível, na esperança de que possa ser concretizado nas próximas férias.

 

Mas, quando o ano seguinte chega, a realidade é muito diferente da expectativa.

Não há mais dinheiro, porque parece que cada vez há mais coisas para pagar, e menos dinheiro disponível.

O tempo continua a ser uma incógnita, com a maior parte dos dias frios e ventosos e, só por sorte, um ou outro de verão.

Continuamos com a maior parte das férias desencontradas, em dias e meses diferentes.

Este ano, com a pandemia, e outros contratempos, palpita-me que serão umas férias caseiras.

 

E assim, em vez de melhorarem, as férias acabam por ser cada vez mais decepcionantes, valendo apenas por não ter que cumprir horários, desligar do trabalho e aproveitar o pouco tempo todos juntos.

 

 

 

Comprar roupa nova: a triste realidade!

No outro dia andava eu no site da Bershka, quando encontrei algumas peças de que gostei.

Pedi opinião à minha filha. Também aprovou. Disse para eu comprar.

Ainda ficava caro, para a minha carteira.

Comecei a ver o que poderia excluir. O que mais usaria, e o que ficaria guardado à espera daquela ocasião que nunca chega.

Eram, na maioria, vestidos ou macacões curtos. Sem mangas, ou manga curta.

Vivo numa terra onde os dias de calor, e sem vento, são uma raridade.

Teria de gastar mais dinheiro em casacos, para combinar com essas peças.

Conclusão: é melhor não comprar nada!

 

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Será verdade que "toda a gente tem um preço"?

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Se há coisa que me irrita é deparar-me com pessoas falsas, que têm duas caras, que mudam de opinião conforme mais lhes convém, e que tentam desculpar, defender ou, até gabar, aquilo que, antes, criticavam.

 

O meu marido começou, há uns anos, a falar com um senhor que acabava por ser seu colega de profissão, embora em empresas e funções distintas.

Nessa altura, e por aquilo que o meu marido me ia contando, percebi que era alguém que defendia com unhas e dentes a empresa onde trabalhava, como se estivesse a ser pago para dizer bem dela.

Não digo que cada um não fale por si, e da sua experiência pessoal e, se esta é boa, não pode dizer o contrário. Mas a forma como essa pessoa defendia e gabava a empresa, mesmo quando confrontado com situações que apontavam no sentido inverso, fez-me passar a vê-lo como alguém não confiável.

De há uns tempos para cá, desconfio muito de pessoas que se mostram logo muito amigas, muito prestativas. E, de algumas pessoas com quem nunca fui muito à bola, esta foi uma delas.

 

O dito senhor foi, até há pouco tempo, um activista no sector, no sentido de alertar para as más práticas das empresas, a nível geral, de incentivar à denúncia, de ajudar os colegas a resolver as suas questões, de contactar entidades competentes e fazer de intermediário.

Fê-lo porque quis. Perdeu uma boa parte do seu tempo a dedicar-se a isto, porque quis.

Fundou, inclusive, juntamente com outros, um sindicato para defender os trabalhadores.

 

Como em tudo na vida, quando alguém se mete nestas coisas, há sempre quem apoie e quem desconfie das boas intenções. E isso dá azo a guerras e picardias. A acusações de parte a parte. A lavagem de roupa suja e baixarias, a que nem vale a pena dar importância.

Não tenho dúvidas de que esta pessoa terá feito, em determinado momento, um serviço público a alguns trabalhadores e ajudado, de facto, muitos deles. Acredito que, em determinada altura, tenha lutado pela classe.

Mantive a minha opinião, sem dar relevância ao que se ia ouvindo sobre a pessoa, porque, nestas coisas, é fácil difamar e acusar alguém quando não se vai com a cara dele, ou quando consegue aquilo que outros também queriam, mas não conseguiram.

 

O dito senhor mudou, entretanto, para uma outra empresa, onde trabalha o meu marido. 

Até então, o senhor denunciava todas as empresas em incumprimento. Apenas aquela em que trabalhava cumpria as normas. Agora que é gestor de clientes desta empresa, é esta que ele defende, argumentando que nenhuma cumpre a lei a 100%, e desvalorizando as situações que estão a ser denunciadas.

 

O que é que mudou?

Porque é que lhe custa tanto admitir o que está à vista de todos?

Será mesmo verdade que toda a gente tem um preço?

 

No passado mês de Janeiro, os salários não foram pagos no final do mês. Ainda há pessoas que não receberam subsídios de refeição. O meu marido é um deles.

 

Mas o dito senhor vem dizer que nada está em atraso!

Insiste em defender a empresa.

Diz-se que é pelo cargo que tem, pelo ordenado que já lhe foi pago, e pelas regalias que a empresa lhe ofereceu.

Que ele tenha aceitado o cargo e pensado primeiro em si, ninguém tem que criticar. Se a empresa já lhe pagou a ele, e aos outros não, também não é algo que dependa dele. Faríamos o mesmo no seu lugar. Que se abstenha de falar da empresa, também compreendo.

 

Mas tapar o sol com a peneira e ainda gozar com o mal dos outros, isso não.

Para que percebam a dimensão do problema, vejam a reportagem que deu ontem na SIC, no Jornal da Noite, sobre o mesmo.

Ou AQUI.

A realidade é uma só: existem vencimentos em atraso, bem como subsídios de refeição ainda por receber.

 Os problemas, para mim, são vários: junta-se o Estado, que é o pior pagador/ devedor do país, a empresas que, para ganharem os concursos, praticam preços baixos, que não lhes permitem sustentabilidade para pagar os trabalhadores de que necessitam.

Depois, haverá, provavelmente, um problema de má gestão. E uma enorme falta de honestidade por parte da empresa que se vale de desculpas que não explicam, e nas quais é difícil de acreditar.

E quanto mais vão mentindo, ocultando, inventando, mais difícil se torna manter a pouca credibilidade que ainda tivesse.

É certo que honestidade não paga as dívidas ao final do mês, nem põe comida na mesa. Mas preferia ver um chefe ou patrão que se chegasse à frente e esclarecesse a situação aos trabalhadores: a empresa não tem dinheiro para pagar tudo, o que há é isto, só podemos pagar isto, para que todos possam receber alguma coisa (ou ninguém recebe nada), não sabemos quando ou se conseguiremos pagar o resto, e cada um é livre de ficar e esperar ou de sair, sem prejuízo.

Tão simples como isto.

Só não queiram é fazer os outros de parvos.

E, quanto ao dito senhor, se por força da sua posição na empresa e assegurado o seu salário e regalias, estiver obrigado a não falar mal da mesma, que se abstenha de certos comentários e de ostentar a sua sorte, face ao enorme azar geral dos outros.

Nem sempre nos conseguimos adaptar a novas realidades

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Lembro-me sempre da Heidi, a menina órfã que, de um momento para o outro, foi morar com o avô nos Alpes.

A mudança foi grande. Ela não estava habituada àquela vida. Nem àquele homem.

Mas a verdade é que se tornaram grandes amigos, e a Heidi adaptou-se facilmente à vida na montanha, ao ponto de não mais querer sair de lá.

A Heidi era uma menina feliz.

Quando a tia apareceu para a levar dali, para a casa dos pais de Clara, Heidi voltou a ter que se adaptar a uma nova realidade: a vida na cidade, sem árvores, sem passarinhos, sem cabrinhas.

Foi muito mais difícil. Não é que não estivesse a gostar, que a tratassem mal ou não gostassem dela. Mas não era o seu ambiente.

E essa adaptação nunca foi total, levando mesmo Heidi a ficar doente, com saudades de casa, do avô e da sua montanha.

Só a perspectiva de voltar em breve para lá a fez melhorar e, uma vez de volta ao seu mundo, recuperar definitivamente.

 

Hoje em dia, cada vez mais temos que nos adaptar às mais diversas mudanças na nossa vida e, quanto melhor e mais rapidamente o fizermos, melhor para nós.

Por norma, temos uma grande capacidade de adaptação às circunstâncias, a novos mundos, a novas realidades.

Mas existem situações em que tal não é possível. E pessoas que não se conseguem mesmo adaptar.

Nem fisica, nem psicologicamente.

E quando, psicologicamente, não estamos bem, é meio caminho andado para que o corpo se ressinta também.

 

Quando assim é, não vale a pena insistir numa mudança.

Não será caso para desistir logo à primeira, segunda ou, até mesmo, uma terceira tentativa. Mas também não vale a pena passar o resto da vida a chocar contra uma parede que nunca irá cair.

Por vezes, basta voltar ao seu ambiente habitual, para voltar a ser feliz, e sentir-se bem. E não há nada melhor que isso.

Há uma grande diferença entre não querer ter filhos e não poder ter filhos

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Não querer ter filhos, implica uma escolha. Uma escolha feita livremente, que naquele momento é válida mas que, a qualquer momento, pode ser revertida.

Quantas mulheres não dizem, durante anos, que não querem ter filhos. Que ser mãe não faz parte dos planos. Que não estão reunidas condições para tal. Ou não sentem esse apelo da maternidade. Ou acham que não serão boas mães.

Ainda assim, de um momento para o outro, tudo pode mudar, e dar lugar ao desejo de ter um filho.

 

 

Não poder ter filhos, significa que essa liberdade e poder de escolha nos foi vetado. Que algo decidiu por nós, e só nos resta aceitar uma decisão que não temos qualquer forma de reverter.

 

 

Quando era mais nova, meti na cabeça que nunca iria ter filhos. Não era nada muito pensado. Era apenas aquela ideia de que não teria paciência para aturar bebés e crianças birrentas.

Depois, tive a minha filha, e jurei que nunca mais voltaria a ter filhos.

Primeiro, porque não queria passar novamente pela experiência do parto. Depois, porque à medida que a minha filha ia crescendo, achei que não queria passar por todos os receios, angústias e preocupações outra vez. Nem mudar fraldas, nem passar noites sem dormir e todas essas coisas que um bebé implica. Sobretudo agora, que a minha filha já vai para os 16 anos.

E, porque até hoje, não têm existido condições para voltar a ser mãe, tanto a nível financeiro, como psicológico.

Um filho implica disponibilidade, tempo, atenção, que estejamos lá para eles, e isso é, cada vez mais, algo difícil hoje em dia.

 

 

Por isso, não ter mais filhos tem sido, até à data, uma decisão minha.

Mas a idade vai avançando, os anos vão passando e sinto que, a qualquer momento, essa deixará de ser uma decisão minha, que posso mudar, se assim o desejar, e passará a ser uma realidade irreversível, de quem está a entrar na menopausa e, como tal, não poderá mais ter filhos, nem opção de escolha quanto a esse assunto.

Por muito que queiramos, ou não, ter filhos, é sempre difícil aceitar que estamos condenadas a um prazo de validade, que nunca sabemos quando chegará - para umas chega mais cedo que para outras - e que nos vai limitar em algo que deveria sempre ser uma hipótese a não descartar, até assim o entendermos.