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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

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Maldito Karma, de David Safier

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Isto era suposto ser um livro cómico, certo?

Uma mulher que morre porque leva com o urinol de uma estação espacial na cabeça, e acorda num corpo de formiga, é mesmo para nos fazer rir.

 

"O dia da minha morte não teve graça nenhuma. E não foi só porque morri. Para ser mais exacta, isso ficou mais ou menos em sexto lugar no ranking dos piores momentos do dia."  

 

Aliás, foi por isso mesmo que me chamou a atenção - porque parecia ser divertido, e eu estava a precisar de um livro assim para descomprimir dos dramas que tenho lido.

 

"Quando voltei a despertar, dei-me conta de que tinha uma cabeça enorme. E um imenso abdómen. E seis patas. E duas antenas muitíssimo compridas. Esse foi mesmo o pior momento do dia!"

 

E não é que o livro tem a sua vertente cómica, mas esconde uma dura realidade por detrás? E acaba por se inclinar mais para drama que para comédia?

 

Kim Lange representa aquele tipo de mulher para quem a carreira profissional está acima de tudo. E está a um passo de ganhar o prémio da sua vida. Por isso mesmo, não estará presente no aniversário da filha. Nada que não seja normal, afinal, ela raramente está presente quando é preciso. Para isso, está o marido.

O casamento deles há muito está acabado. Talvez por isso, Kim não tenha hesitado em traí-lo com um colega, na noite em que morre.

 

Agora que morreu, Kim reencarna numa formiga. E a única forma de subir na escala da reencarnação, é acumular bom karma. Como é que isso se faz? Praticando o bem, pensando nos outros em vez de em si própria.

Nesta nova etapa, Kim conhece Casanova, também reencarnado em formiga, e juntos vão viver diversas aventuras, para tentar chegar de novo à forma humana.

O objectivo de Kim: recuperar a filha e o marido, impedindo-o de casar com a sua ex melhor amiga. Ao longo do seu percurso, Kim transformar-se-á em porquinho da índia, vaca, minhoca, escaravelho-da-batata, esquilo e cadela. Como formiga e porquinho da índia, Kim estará relativamente perto da sua filha e de Alex. Irá depois estar afastada dois anos, e voltará para perto como cadela. Nesta altura, Casanova é um gato e, apaixonado por Nina, a noiva de Alex, vai elaborar com Kim um plano para impedir o casamento.

 

No entanto, Kim acaba por perceber que deve deixar o seu marido seguir o seu caminho, e encontrar de novo a felicidade, até porque a Nina, aparentemente, faz bem a todos à sua volta, e é tudo aquilo que ela nunca foi.

Só há uma coisa que ainda prende Kim, e a faz rejeitar, no último instante, o Nirvana: saber como vai ficar a sua filha. É que, agora que passou mais tempo com a menina, apercebeu-se de muita coisa que antes, como mãe, não via. E é por isso que volta a reencarnar, desta vez na humana Maria.

 

Conseguirá ela recuperar o amor do seu marido, e o tempo perdido com a sua filha? Ou porá, mais uma vez, tudo em risco, pensando primeiro em si própria?

 

É mesmo um livro que todos devem ler, embora a reeencarnação seja um tema que não me diz muito, e no qual me custa acreditar. Mas, se não podemos remediar os nosso erros noutras vidas, o melhor é mesmo evitá-los enquanto estamos nesta!

A capacidade de adaptação é uma qualidade?

 

Desde que o Homem existe que este tem vindo a tentar que o mundo se adapte a si e às suas necessidades, ao mesmo tempo que, por sua vez, se vai tentando adaptar ao mundo, e ao que este tem para lhe oferecer.

A mim, o que me parece é que, quanto mais tentamos adaptar o mundo à nossa medida, mais temos que nos esforçar para nos adaptarmos a ele. E nem sempre conseguimos!

Será a capacidade de adaptação o mesmo que resignação? Ou será um sinónimo de flexibilidade? Será uma desistência, ou uma luta pela sobrevivência? Significará uma derrota, ou uma vitória? Um defeito, ou uma qualidade?

Estamos sempre em constante mudança, tal como a natureza. E nem sempre temos aquilo que desejamos, da forma como desejamos, e na altura em que queremos. São-nos lançados vários obstáculos, a que poderemos chamar de desafios. Somos constantemente postos à prova. 

Mas será que fazemos bem em aceitar e adaptar? Ou seria melhor recusar? Lutar de outra forma?

Um cantor está habituado a interpretar um determinado estilo. Quando lhe pedem para "sair da sua praia", e cantar algo completamente diferente, que ele não gosta minimamente. De que forma será mais bem sucedido? Aceitando o desafio e dando o seu melhor, ou rejeitando fazer algo para o qual não está talhado?

Um trabalhador tem uma determinada formação e emprego. Se perder esse cargo mas outro completamente diferente lhe for oferecido, fará melhor em aceitar, ainda que seja algo desconhecido, ou esperar que apareça algo na sua área?

Um escritor está habituado e sente-se mais à vontade num determinado tema. Mas impõem-lhe outro tema sobre o qual não faz ideia do que falar. Deverá, ainda assim, escrever, ou recusar?

Se virmos bem, todos os dias surge algo nas nossas vidas que nos obriga a reagir. E, ou nós nos adaptamos às mudanças, ou passamos o tempo todo inconformados e a reclamar.

Mas, se existem acontecimentos que nos transcendem, e acerca dos quais nada mais resta que pôrmos em prática a nossa capacidade de adaptação (que acho que é o que cada vez mais fazemos e não nos temos saído mal), outros há em que a adaptação está mesmo fora de questão. 

Qual é a vossa opinião?

 

 

 

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