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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Aranha-pescadora

(1 Foto, 1 Texto #82)

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Dizem que é uma aranha-pescadora.

Não quero saber.

É assustadora!

 

Não sei que raios foi ela pescar ao pé da porta da minha casa.

Mas dei-lhe margem para pescar e ir embora, pelas próprias patas, rapidamente.

Não queria, de todo, envolver-me num assassinato deste calibre!

 

É que a bicha é gorda, musculada.

E eu, uma desgraça.

Mais depressa fujo eu, a sete pés, do que ela de mim!

 

Sugeriu, alguém muito espirituoso, que eu a levasse para o mato, para o habitat dela.

Que não a matasse.

Como se eu fosse pessoa de andar, por aí, a passear uma aranha.

 

Isto tem de ser um plano bem elaborado.

O que quer que faça, tem de ser com uma grande distância de segurança.

Para não haver riscos desnecessários.

 

Desejem sorte!

A mim.

A ela.

Ou a ambas!

 

 

Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

A realidade dos nossos idosos

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Em Portugal, não existem respostas viáveis para a maior parte dos idosos. Sobretudo, quando começam a depender de terceiros para a sua rotina diária, para a sua mobilidade, para afastar a solidão.

 

Nestes últimos dias, o estado de saúde do meu pai sofreu alterações.

Principalmente, a nível mental. A demência a vir em grande, e nós sem sabermos como lidar com isso.

Falámos com a médica de família, que passou umas análises, para confirmar se este quadro se devia a alguma infecção.

E aconselhou-nos a pô-lo num centro de dia, onde estaria umas horas acompanhado e, vendo e conversando com outras pessoas, sentir-se menos só e estimular o cérebro.

 

No entanto, ele não precisava de vigilância apenas por umas horas, ele estava completamente desorientado, alienado da realidade (com apenas alguns momentos de lucidez).

Ele não estava num estado propício à pura convivência. Uma pessoa consciente, que sabe que ali passaria umas horas com companhia de outros idosos, com quem conversar e interagir. 

Por muito que fosse uma solução, até porque tinham vagas, não me parecia suficiente.

 

Assim, continuávamos sem saber o que fazer.

Ele já se estava a colocar em risco. Um risco que corria a qualquer momento do dia, se lhe desse para isso.

Podíamos trancá-lo em casa, para evitar acidentes. Mas isso é crime. 

Podíamos deixá-lo à vontade, e arriscar encontrá-lo caído nos degraus, ou no meio da rua, morto. O que não deixaria de ser negligência.

 

Quem está de fora, diz aquilo que também nós sabemos: ele não podia estar sozinho!

Mas, e soluções? 

Onde se arranja, em tão curto espaço de tempo, uma pessoa de confiança e profissional, disposta a estar com ele 24 horas por dia? E que custos isso acarretaria?

 

Nem sempre os familiares têm disponibilidade para tomar conta. Para estar presentes.

Nem sempre os mais próximos têm a paciência necessária ou, sequer formação, ou ferramentas, para agir em casos destes.

E, a nível financeiro, quase nunca os apoios são suficientes, para quem decide ser cuidador informal.

 

Por outro lado, os lares residenciais estão sempre com enormes listas de espera. Quantas vezes, surge a vaga quando a pessoa já não precisa? Quando já não está mais entre nós?

Optar por lares particulares? É incomportável!

Pedi informações de um, deram-me valores acima de 4000 euros por mês.

 

Por outro lado, a nível físico, estava a deixar-se ir.

Já pouco comia.

Muito fraco.

Respiração ofegante. 

E diarreia.

 

Ontem de manhã, com muito custo, fez as análises ao sangue.

À tarde, recebi os resultados.

Do que vi, parece-me estar com problemas no fígado. Risco de AVC.

 

Entre "postas de pescada" e "não soluções", fiz o que achei que tinha de fazer.

Arrisquei ligar para a saúde 24.

A enfermeira que me atendeu não tinha jeitinho nenhum, deu-me nervos, mas lá me passou ao INEM, e veio uma ambulância dos Bombeiros de Mafra.

Duas meninas, impecáveis.

Não conseguiram medir a febre. Mas o oxigénio estava muito baixo.

Foi para o hospital.

 

E, confesso, foi um alívio!

Pode parecer, e quem sabe é mesmo, um pouco egoísta da minha parte.

Mas era eu que lidava com isto todos os dias. Que o via a definhar, sem saber como ajudar.

E a, eu própria, daqui a uns tempos, precisar de ajuda.

Ali, pelo menos , está vigiado, medicado, pode ser tratado.

Em casa, não sei se viveria muito mais tempo.

 

Há quem se queixe que os hospitais, para além do sobrelotamento a nível de doentes, está entupido com idosos, cujos familiares se recusam a ir buscar, por não terem condições para os ter em casa, ou em instituições para ricos.

Há quem se queixe que os hospitais têm, diariamente, custos com esses idosos, e recursos humanos "desperdiçados" com eles, que fazem falta a quem realmente precisa - os doentes mais urgentes.

Mas a verdade é que não há outras respostas, soluções, apoios para os nossos idosos e famílias.

 

Neste momento, está numa maca, com pulseira laranja, nas urgências do Santa Maria.

Provavelmente, ficará internado. Mas ainda não há vagas, por isso, tem de aguardar ali.

Provavelmente, terá de iniciar já a hemodiálise.

Ainda têm de ver o que vão fazer relativamente ao coração, e a nível neurológico.

Do fígado, não sabiam de nada.

Disseram ao meu irmão que, se quisesse, poderia levar as análises lá ao hospital!

 

Estou a aguardar o contacto da médica de família para ver se, também ela, entende que existe um problema no fígado, para comunicar então com o hospital.

Sinceramente, não estou muito optimista. O organismo dele está dar sinal de querer colapsar. Já começa a ser muita coisa junta.

Mas também é verdade que, felizmente, ele sempre me surpreendeu ao recuperar de todos os internamentos até aqui, ainda que com mazelas. 

 

Sei que ele não vai aguentar horas e horas de hemodiálise, por muito tempo.

No entanto, dado o estado dele, não terá poder de decisão, e sobrará para nós, filhos.

Mais uma vez, o dilema entre aquilo que seria o desejo dele, e aquilo que devemos fazer.

O deixá-lo morrer, ou mantê-lo vivo e em sofrimento.

Mas, enfim, um dia de cada vez.

 

E hoje, pelo menos, posso respirar um pouco, sem estar preocupada se ele vai sair de casa e perder-se, se vai cair e bater com a cabeça, se não vai comer porque eu não estou lá.

Amanhã, logo se verá...

 

 

Quem paga adiantado...

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Diz o ditado que "quem paga adiantado fica mal servido" e "gato escaldado de água fria tem medo"!

 

Há por aí quem prefira receber o pagamento antes do serviço feito. 

E depois?

Se for preciso, a pessoa faz quando lhe apetece, deixa o trabalho a meio, ou nem sequer chega a fazê-lo porque, afinal, o dinheiro já está do lado dela.

 

Do lado oposto, há quem prefira jogar pelo seguro, e pagar só depois do trabalho feito porque, assim, sabe que está mesmo feito (ainda que sem garantias de que esteja bem feito, ou dure muito tempo).

 

Há quem não tenha paciência para esperar, e queira as coisas de imediato.

E quem prefira aguardar por resultados visíveis.

 

Mas, como em tudo na vida, também há quem queira pagar logo, como uma espécie de garantia, ou reserva. Assim, se não arranjar mais ninguém, sempre tem alguém que está disposto a fazer o trabalho.

E há quem, por outro lado, não queira receber pré-pagamento, sem antes mostrar serviço feito.

 

A verdade é que há sempre riscos e nunca, nada, é totalmente garantido.

 

Nota: Este texto não é sobre trabalho, nem pagamento, nem dinheiro 

Voltar atrás: coragem, ilusão, cobardia ou imaturidade?

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É legítimo que alguém, depois de tomar uma determinada decisão, queira voltar atrás na mesma?

Sim. 

 

Acredito que, enquanto humanos em constante evolução e aprendizagem, estamos sempre a tempo de mudar de ideias, de opinião, de voltar atrás numa decisão que, na altura, nos parecia a mais correcta mas, agora, parece apenas errada ou precipitada.

Visto assim parece, até, um acto de coragem. Alguém que não se deixa guiar pelo orgulho ferido, e tem a coragem de voltar atrás na sua decisão. Alguém que tem a coragem de assumir sentimentos, e de arriscar, ainda que o resultado não seja o esperado.

 

No entanto, e dependendo muito do contexto, e do momento, querer voltar atrás parece-me uma mera ilusão, a que as pessoas se querem agarrar.

Acreditar que se pode mudar o que nunca se mudou, até então. 

Acreditar que se podem mudar feitios e personalidades, que fazem parte da pessoa.

Acreditar que podem ser felizes, anulando-se, e àquilo que, ainda há uns dias atrás, desejavam para a sua vida.

 

Ou, até, uma certa cobardia, quando acontece ainda antes de colocar em prática a dita decisão.

Talvez por medo de enfrentar as consequências da mesma. 

Quando chega o "momento da verdade", assustam-se e recuam. 

Com medo das responsabilidades, do trabalho, e do risco que essa decisão acarreta.

 

E isto, de alguma forma, não deixa de soar também a uma certa imaturidade, sobretudo emocional, para consigo mesmo, e para com os outros.

Porque tenho para mim, sempre com a legitimidade de voltar atrás, que há decisões sérias demais para se tomar de ânimo leve e, como tal, quando verbalizadas, e tomadas, devem ser decisões seguras e, realmente, sentidas.

E, até aceito que esse "voltar atrás" seja equacionado quando a decisão já está a ser posta em prática. Quando já se experienciou os dois lados da questão.

Porque já houve tempo para reflexão.

 

Agora, decidir algo em conjunto, aparentemente, ciente do que isso implicava e, sem que nada o fizesse prever, exprimir que, afinal, não é isso que quer, sem que nada tenha mudado? 

Quando o outro já avançou, já se "formatou" e mentalizou para a nova realidade?

Quando o outro já considerava essa mudança certa?

 

De certa forma, parece que se anda a brincar.

Com as pessoas.

Com os sentimentos.

Com as relações.

 

Principalmente, quando a decisão, ainda que tomada em conjunto, foi puxada por aquele que agora volta atrás.

Sobretudo, quando já não é a primeira vez que o faz: voltar atrás nessa decisão que levou a ser tomada.

E se isto se torna sistema?

E se se começa a banalizar tanto uma decisão, que chega a um ponto que deixa de ser credível?

 

 

 

 

 

 

O amor é como uma série?!

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"O amor, muitas vezes, é como uma série que não renova a temporada."

 

Li esta frase, a propósito da separação da Ana Guiomar e do Diogo Valsassina, juntos há 18 anos.

E fez algum sentido.

 

Na verdade, muitas séries começam com uma temporada muito boa e, por isso, os seus autores decidem criar novas temporadas que, muitas vezes, acabam por ir perdendo a qualidade, à medida que se vão sucedendo, até que chegam ao fim, já sem a glória e o sucesso alcançado no início. 

E, ainda que as temporadas seguintes sejam tão boas como a primeira, chega-se a um ponto em que já não há mais novidades a introduzir, para cativar o público, e acabam por se tornar mais do mesmo, com os riscos a isso inerentes.

Depois, há aquelas mais longas, de uma só temporada, que cumpriu o seu propósito mas, simplesmente, não renova, porque os seus autores querem apostar em caminhos diferentes.

E há as que, logo na primeira temporada, estão condenadas ao fracasso e, como tal, sem hipótese de renovação.

 

Também as relações funcionam um pouco assim.

Quantas vezes não "renovamos" a temporada da nossa relação, na esperança de que os episódios seguintes sejam melhores, e superem os anteriores, na esperança de que o mesmo sucesso de antes continue, na esperança de que, na nova temporada, algo de diferente possa vingar?

E, quantas vezes, não pensamos que, se calhar, a relação está condenada, não importa quantas vezes renovemos as suas temporadas, e que só nos estamos a enganar?

Que, cada temporada renovada, é tempo perdido?

 

Se calhar, o que nos falta, é a ousadia de pôr fim à série. A coragem de não a renovar, de todo...