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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"Coração Marcado", na Netflix

Pôster Coração Marcado - Pôster 1 no 2 - AdoroCinema

 

Num dia, uma mulher vence a maratona, e celebra com os filhos e o marido.

Nesse mesmo dia, uma outra mulher está prestes a casar, quando é levada para o hospital, com um problema cardíaco.

Numa noite, uma mulher é atacada para lhe retirarem o coração.

Nessa mesma noite, uma outra mulher, cuja vida depende de um transplante urgente, recebe o coração que precisa.

 

Um homem tenta, a todo o custo, salvar a mulher que ama, mesmo que da pior forma possível.

Enquanto isso, outro homem perde a mulher que ama, e vai fazer de tudo para descobrir quem a matou, e vingar-se.

 

Vale tudo, por amor?

Poder-se-á recriminar Zacarias, por ter feito o que fez, para salvar Camila?

Será que esse acto desesperado foi mesmo um gesto de amor?

 

Poder-se-á recriminar Simón, por não compreender por que razão, para salvar uma desconhecida, teve que perder a sua própria mulher?

Será que a vida de uma, justifica a morte da outra?

 

E como se sentirá Camila, quando souber a origem do seu coração?

A atrocidade que foi cometida, para o conseguir?

Conseguirá ela lidar com a verdade? 

Deverá ela sentir-se grata? Sortuda? Revoltada? Culpada?

 

Como se tudo isto não bastasse, Zacarias arrisca-se mesmo, depois de tudo o que fez, a perder Camila que, desde que recebeu o novo coração, nunca mais foi a mesma e, por coincidência ou obra do destino, se aproxima de Simón, como se algo a atraísse para ele.

E como irá Simón, que entretanto se apaixona por Camila, encará-la, quando souber o que ela representa?

 

Por outro lado, a série aborda os meandros do tráfico de órgãos.

Onde, e de que forma, são escolhidos os "candidatos" a doadores.

Quem faz o "trabalho sujo", e quem mais lucra com o negócio.

E o quão perigoso pode ser entrar nesse mundo, e querer vingar-se de todos os que dele fazem parte.

 

Já para não falar que, quando se deixa de cuidar da família, nomeadamente, dos filhos, no momento em que mais precisam de apoio, em nome de uma vingança que não trará a mãe deles de volta, é meio caminho andado para eles se virarem para caminhos duvidosos, e colocar-se, também eles, em perigo.

E a paz de espírito, por se ter feito justiça, pode dar lugar a mais desespero, culpa, e sofrimento.

 

Conseguirão estas pessoas, algum dia, voltar a ser felizes?

Conseguirão voltar a ser família?

Que destino estará reservado para Camila, Zacarias e Simón?

 

Uma série de 14 episódios, a não perder, na Netflix!

 

 

"Sem Dizer Adeus", na Netflix

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"Sem Dizer Adeus" estreou há poucos dias na Netflix.

 

Sim, é mais um filme romântico.

Sim, há o homem que só vive para o trabalho. E a mulher, que é totalmente o oposto.

E sim, como em quase todos os filmes do género, os opostos vão atrair-se!

 

Então, o que faz de "Sem Dizer Adeus", um filme que valha a pena ver? Que se destaque entre tantos do género?

As paisagens mágicas, por exemplo!

O filme é passado em Cusco, cidade situada nos Andes do Peru.

Também encontramos por lá Machu Picchu.

Ficamos a conhecer Salcantay, no pico da Cordilheira dos Andes.

Ou Puno, uma cidade no sul do Peru, no lago Titicaca, um dos maiores lagos da América do Sul. 

E Paracas, uma pequena cidade portuária muito virada para o turismo.

Portanto, natureza no seu melhor! 

Um passeio de tirar a respiração, sem sair do sofá.

 

Cultura, tradições, arte e história - uma parte importante de qualquer viagem!

A música tradicional de Cusco

Os pratos típicos, e uma diferente forma de cozinhar

O Império Inca

Arquitectura, e vestígios arqueológicos

Um povo simples, prático, com espírito de confiança, entreajuda, amizade, humildade.

 

As raízes

Ariana é aquilo a que se chama uma "mulher do mundo". Sempre a viajar, não consegue estar muito tempo no mesmo sítio, mesmo que esse sítio seja aquele que guarda as suas memórias, e onde estão assentes as suas raízes.

Apesar da sua grande ligação à tia, à terra e ao povo, Ariana parece aquele tipo de pessoa que não se quer prender a nada, e a ninguém, seja de que forma for.

 

Salvador é um arquitecto que vive para o trabalho. 

Embora criativo, e bem sucedido, Salvador tem como paixão os números e, por isso, vive para o lucro. 

Quer sempre levar a sua ideia avante, em parte muito pressionado pelo pai, e não costuma olhar a meios, para atingir os fins, com o lema de que "tudo tem um preço".

Salvador e o pai parecem uma dupla em termos familiares e profissionais.

Ao contrário de Ariana, Salvador não se deixa desprender nem por um momento.

O objetivo, e equilíbrio, é cada um deles deixar-se levar por aquilo que tenta evitar a todo o custo, ou não sabe como parar de evitar.

Para que possam ser ainda mais felizes.

Sem promessas.

Mas assumindo um compromisso.

Portanto, mais que o romance em si, é uma descoberta e mudança em cada um deles!

 

 

 

 

 

"O Dilema", de B. A. Paris

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Se descobrirmos algo que sabemos que, inevitavelmente, teremos que contar a alguém, e que poderá destruir essa pessoa, o que fazemos?

Adiamos a revelação, por  uns últimos momentos de felicidade dessa pessoa, antes de o seu mundo ruir?

Por altruísmo?

Ou fazêmo-lo o quanto antes, antecipando o sofrimento e a decepção?

 

Escondemos o segredo durante mais uns dias, ou semanas, porque não sabemos como o revelar?

Porque sabemos que irá afectar várias pessoas e relações?

Porque queremos uma última oportunidade de normalidade?

Por egoísmo?

Ou isso deveria ser a última coisa em que pensar?

 

Lívia descobriu um segredo que tem vindo a esconder de Adam, o seu marido, não só porque ela própria ainda tem dificuldade em acreditar, mas também porque sabe que, a partir do momento em que o contar, tudo irá mudar na sua família e círculo de amigos.

E também porque, afinal, ela vai ter a sua festa de aniversário. Aquela com a qual sempre sonhou, e tem vindo a planear ao longo dos últimos anos. À partida, não fará assim tanta diferença para os outros, que ela o faça antes ou depois da festa mas, para ela, faz. E ela quer tanto a festa...

Irá, Adam, perdoá-la?

 

Adam descobriu algo que irá destruir Lívia, da mesma forma que já o está a fazer a si, e que, mais cedo ou mais tarde, terá que contar a ela.

Mas ela está tão feliz. É o dia da festa porque tanto ansiou. E ele não quer estragar-lhe essa felicidade. Até porque, bem vistas as coisas, ainda não tem a certeza dos factos. Ou não quer acreditar que seja verdade.

E não serão umas horas que farão a diferença. Ou farão?

Irá, Lívia, perdoá-lo?

 

Por isso, Lívia, pensando um pouco em si e na concretização do seu desejo, e Adam, na felicidade de Lívia, que estás prestes a acabar, omitem os seus segredos até ao dia seguinte.

Ela, radiante e feliz mas, ao mesmo tempo, receosa dos tempos que virão quando contar a verdade, sem saber que haverá uma outra verdade ainda pior que essa.

E ele, cada vez mais curvado pelo peso que carrega sozinho, para que todos os outros estejam bem, e felizes, umas últimas horas.

 

Se erraram os dois? 

Talvez...

Se um segredo era bem mais grave que o outro, e havia mais motivos para ser contado de imediato, que o outro?

Talvez...

Se contar o segredo a Lívia iria mudar alguma coisa? Não.

Mas se Lívia tivesse contado o seu segredo a Adam, antes, talvez não existisse outro mais grave para revelar. Talvez se tivesse podido evitar o que aconteceu.

Ou talvez não...

 

O que é certo é que os segredos foram revelados e, agora, resta lidar com a dor, com o sofrimento, e com os cacos por eles deixados.

Como enfrentar tudo sem se destruirem, e à sua família? Como manter as amizades intactas?

Como se reerguerem, depois da queda?

 

Em "O Dilema", toda a história se centra nos preparativos para a festa, na festa, e no pós festa, sendo que as revelações, embora o leitor as saiba mais cedo, só são feitas entre personagens mesmo para o final.

Até lá, sentimos toda a tensão, todas as dúvidas, toda a angústia, os pensamentos e desejos de cada um deles, relativamente ao outro.

Bastaram uns segundos para mudar toda a vida deles.

O presente é o que é. Não se pode mudar.

Já o futuro, está sempre em aberto...

 

 

As Cinco Juanas, na Netflix

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Juana Manuela (Manny) - a stripper 

Juana Valentina - a jornalista

Juana Matilde - a cantora

Juana Caridad - a noviça

Juana Bautista - a vidente

 

Qual a probabilidade de o destino juntar cinco mulheres tão diferentes, num mesmo espaço, e perceberem que para além do nome, e de uma marca de nascença, partilham também o mesmo pai, que nenhuma delas conhece?

Pois...

Mas acontece!

 

Agora, elas vão unir esforços para descobrir que é o progenitor, e porque nenhuma das suas mães lhes contou nada sobre ele.

Aliás, à excepção da mãe de Manny, que acaba por contar à filha o que aconteceu, apenas a mãe de Caridad está viva também. Mas internada há vários anos, e incapacitada de explicar seja o que for.

Já a mãe de Valentina acabou de morrer. E a de Bautista, morreu quando ela ainda era criança. Num acidente de carro, muito suspeito.

Quanto à mãe de Matilde, essa desapareceu há muitos anos, enviando apenas alguns postais.

Assim, terão que ser elas a desvendar o segredo, que envolve o passado obscuro de um político importante, que tudo fará para o impedir de vir à tona.

 

A série aborda a realidade das casas de strip, as dúvidas sobre a vocação religiosa, o apoio a mulheres vítimas de violência e tráfico humano, o drama da violação, o poder e influência da classe política, capaz de comprar e abafar tudo, a qualquer preço, a corrupção, a obsessão e a traição. 

 

Mas também aborda o amor. Aquilo que se é capaz de fazer por aqueles que se ama, ainda que eles não o percebam.

O perdão.

A aceitação.

 

As Cinco Juanas ou, na versão original, "La Venganza de Las Juanas" acaba por ser mais uma história de descoberta de cada uma das personagens sobre si próprias, de forma a poder recomeçar as suas vidas, depois de todo o seu mundo ter sido virado do avesso.

E não tanto de vingança.

Embora se espere que ela chegue, e faça a sua justiça.

 

Eu comecei a ver e gostei muito.

Tem 18 episódios, mas vê-se muito bem.

Deixo aqui o trailer:

 

 

"À Procura do Amor", de Jodi Picoult

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Este foi dos livros que menos gostei da autora.

Nem parecia uma obra dela.

A forma como a história é contada, ora por uma personagem, ora por outra, e com recuos e avanços à toa, torna-se confusa, e pouco apetecível de ler. É que nem do presente para o passado, ou do passado para o presente. É conforme calha.

Então, temos alguém no destino que, no capítulo seguinte, ainda está a meio caminho para, logo em seguida, ainda nem ter partido mas, afinal, já estar de volta enquanto, adiante, ainda permanece no mesmo sítio.

 

Depois, penso que ficou muito por abordar, em temas que já foram falados, noutras obras, de forma muito mais aprofundada.

Temos, como a autora já nos habituou, a parte animal, que aqui se centra nas baleias, mas não cativa.

Depois, a ligação entre dois irmãos, que acaba por ser o que mais se destaca. 

Jane vê, em Joley, o seu "porto seguro", o seu conselheiro, a pessoa a quem recorre quando não sabe o que fazer. Apesar de ser mais velha. E de, noutros tempos, ter sido ela a protegê-lo.

 

Tudo o resto, não se compreende,

Uma mulher, Jane, que, no passado, foi vítima de agressões por parte do pai e, agora, adulta, vê-se, ela própria, agressora, quando bate no marido. Mas há tudo o que a levou a isso. Será que ela se pode tornar em alguém como o pai? A mim parece-me que não tem muito a ver.

Uma mulher que, segundo ela, foi molestada sexualmente pelo pai, sendo que isso em nada afectou o seu relacionamento com o actual marido mas, de repente, anos mais tarde, a faz chorar quando está prestes a ter relações sexuais com alguém por quem se apaixonou.

Uma mulher, que começou a namorar aos 15 anos, e que agora, adulta, considera que pode ter uma paixão por um homem 10 anos mais novo, mas que não compreende, nem aceit,a que a sua filha, de 15 anos, se possa apaixonar  por um homem com a mesma diferença de idades, mas no sentido oposto.

Uma mulher que percorreu quase um país inteiro para fugir do marido (ou dela própria), com a filha de ambos, algo que já tinha feito uma vez, quando o marido a agrediu, e depois volta para ele, e para a casa, como se nada fosse, para um novo recomeço. Como uma espécie de castigo, ou punição, por todo o sofrimento que causou. Uma espécie de solidariedade: já que a filha não pode ser feliz com quem ama, ela também não.

E se tivesse pensado nisso antes, não teria evitado tudo o que aconteceu? 

Não poderiam, agora, estar as duas felizes?

O egoísmo é tramado.

 

Um homem e amigo, Sam que, por conta dessa mulher, Jane, põe em causa a amizade, o comportamento e as intenções do seu amigo Hadley, como se não o conhecesse.

Um homem que prefere afastar quem sempre esteve ao lado dele, só porque a mulher por quem está apaixonado lhe pede isso como condição para a ter, ainda que temporariamente.

 

Uma filha, que não tem grande ligação com o pai, e cuja mãe, ainda que indirectamente, contribui para o fim abrupto do seu relacionamento, volta com eles para casa para formarem a família feliz, como se nada tivesse acontecido.

 

Um irmão, Joley, que sente uma ligação e um amor estranho pela irmã.

Um amor que quer exclusividade, que é possessivo mas, ao mesmo tempo, vivido à distância, dando-lhe liberdade, porque sabe que ela o procura sempre. 

Um amor que abdica. Que não prende. Mas que está sempre lá.

 

Um homem, Oliver, que põe a sua investigação e trabalho sobre as baleias à frente da família. À frente da mulher, e da própria filha.

E, ainda assim, se elas saem da sua vida, corre mundo para as levar de volta para casa, porque as ama, e não pode viver sem elas. Mas não é isso que ele tem, de certa forma, feito?

Ou o facto de elas estarem lá, é suficiente para achar que são uma família?

 

No fundo, aquilo que Jane fez, e para o qual arrastou Rebecca, foi entrar na vida de outras pessoas, virá-las do avesso, deixar um rasto de dor, sofrimento e morte, e todos infelizes, para logo em seguida partir, de volta à sua vida habitual. Até que algo a faça fugir de novo...

E Oliver encarregou-se de levá-las de volta, onde pertencem, de onde nunca deveriam ter saído, deitando por terra o "grito" que foi dado por ambas, com a sua fuga.

O que se retira desta história é que de nada serve ter vontade própria, querer mudar de vida, arriscar, querer ser feliz, porque outros valores se sobrepõem.

Realidade? Ou desculpa para a falta de coragem?

 

Não gostei da forma como a história se desenrolou, e muito menos do seu final.

Soa a retrocesso. Ao regresso a um passado não muito distante, que se queria já enterrado, e ultrapassado.

Ninguém fica junto por causa dos filhos. Ou não deveria ficar.

Ninguém fica junto sem se amar realmente. Ou não deveria ficar.

Não em pleno século XXI.

E no meio deste casamento entre Jane e Oliver que, bem vistas as coisas, se calhar até se merecem um ao outro, quem pagou foram todos os outros, que serviram de meros figurantes.

 

Este é daqueles livros que, se quiserem ler, devem fazê-lo antes dos restantes da autora, para que a recordação seja das excelentes obras que escreveu, e não desta, que deixa muito a desejar.