Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada...
Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!
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Uma temporada que eu nem fazia ideia que existia mas que, posso dizer, vale bem a pena!
E pensar que quase me obriguei a ver os episódios da primeira temporada, a muito custo, e sob pena de adormecer pelo meio, de tão secantes que eram.
A segunda temporada melhorou, mas chegou ao fim, e acabei por perder o rasto à série, sem saber se haveria nova temporada ou ficava por ali.
E passaram cinco anos.
Na passada semana, quando vi que tinha chegado à Netflix, nem liguei. Afinal, pensava eu, já tinha visto a série.
Até que comecei a ler comentários sobre a terceira temporada.
Como assim, terceira temporada?!
Foi quando percebi que a mesma estava, igualmente, disponível.
Se as duas primeiras temporadas seguem a história de Emily e o seu regresso ao mundo dos vivos, tentando perceber quem a manteve em cativeiro durante todos aqueles anos, nesta nova temporada, o tema central muda.
Agora, temos uma rede de tráfico de órgãos, e o ex-marido de Emily, agente do FBI, raptado pela organização Meridian.
Emily, como sempre, mesmo estando à espera da reintegração na agência, atira-se de cabeça para tentar salvar o pai do seu filho, seguindo as suas próprias regras, fontes e alguma ajuda que conseguir, sem dar conhecimento àquela que está encarregada do caso, mas em quem ela não confia minimamente.
Talvez o final não seja aquele que gostaríamos.
Mas, como diz Stana Katic, é o encerramento necessário para Emily: de vítima a sobrevivente, e de sobrevivente a dona do seu próprio futuro.
Com todas as consequências que isso acarreta.
Por um momento, perguntei-me porque não foram as primeiras temporadas tão boas como esta última, e porque não mais temporadas ao género desta?
Mas a resposta é óbvia.
Absentia começou por ser diferente, e com uma premissa que chamou logo a atenção, por isso mesmo.
Transformá-la em mais disto que foi a terceira temporada, seria banalizá-la. Torná-la igual a tantas outras que já existem.
Mais uma daquelas séries, com várias temporadas, que me foi recomendada na sequência das duas anteriores.
Sweet Magnolias, que é o nome dado às três amigas - Maddie, Dana Sue e Helen - é uma história de amizade.
Passada em Serenity, mostra-nos como vive uma comunidade pequena, mas unida.
O que tem de diferente, relativamente a outras, é a componente religiosa. Quase todos os residentes frequentam a igreja e têm, na pastora June, uma amiga, conselheira e confidente.
Aliás, muitas personagens citam, ao longo das temporadas, frases que assentam nos ensinamentos divinos, ou livros bíblicos.
Há, também, diversas iniciativas, promovidas pela igreja, incluindo para os mais jovens, que os movem a fazer o bem ao próximo, a ser úteis, a servir a comunidade.
O enredo gira em torno da vida das três amigas, focando-se nas suas famílias, carreiras e romances.
Em simultâneo, vamos vendo crescer uma nova geração de amizades, nomeadamente, entre os filhos de Maddie e Dana Sue, a que se juntarão outras personagens, com o decorrer da história.
E posso dizer que, apesar de serem crianças/ adolescentes a serem isso mesmo têm, muitas vezes, atitudes mais honestas e sem filtros, e um discurso ou forma de se expressar mais adulta, que muitos adultos.
A amizade está, ainda, presente no núcleo masculino.
Maddie deve ser das poucas personagens femininas, ditas "boazinhas", das séries que tenho visto, que é a minha preferida, comparativamente às amigas Helen e Dana Sue.
Longe de ser perfeita, como mulher, como mãe, como amiga, ela esforça-se sempre por melhorar, por se encontrar, por se reinventar e seguir em frente, errando, aprendendo, crescendo.
E é por isso que todos gostam dela, a respeitam e admiram.
Relativamente à Dana Sue (ainda não percebi porque não pode ser apenas Dana), tenho sentimentos contraditórios sobre ela.
Por um lado, é uma pessoa amistosa, sempre preocupada com os outros, prestável. Por outro, sobretudo com a filha, mas também em algumas situações com as amigas e com os seus funcionários, consegue ser uma pessoa arrogante, com ar de superioridade, muito rígida, rude.
É aquela pessoa que tem tanto de empatia, como de antipatia.
Já a Helen, que começou por ser apresentada como uma mulher empoderada, independente, de forte personalidade, foi-me desapontando em muitos momentos da série, por conta de algumas das suas atitudes.
Confesso que é uma personagem que me irrita. Até mesmo a sua forma de falar.
Achei a discussão entre as amigas, na terceira temporada, totalmente absurda. E tanto Helen, a principal interveniente, como Dana Sue, apanhada no meio, foram muito injustas com Maddie.
Como amigas que são, há décadas, e mais do que à vontade para isso, todas elas fazem perguntas sobre as vidas umas das outras, se preocupam e querem ver as restantes felizes.
Todas dão conselhos, todas se metem na vida umas das outras, porque têm confiança para isso.
E, do nada, a Helen fica ofendida com uma pergunta perfeitamente normal, e habitual? Fica ofendida com uma preocupação genuína? A ponto de expulsar as amigas de casa e quase cortar relações com elas?
Mais à frente, na quarta temporada, outra vez uma cobrança parva, uma conversa sem sentido, quando o objectivo era ser uma surpresa para todos.
Mais uma vez, a mostrarem-se contraditórias, e pouco amigas - primeiro chateiam-se com Maddie por fazer uma simples pergunta, normal entre amigas, por supostamente ela estar a intrometer-se na vida de Helen.
No entanto, agora, ficam ofendidas por não se terem "intrometido" num momento que foi preparado em família.
A ideia que fica é que tem de ser tudo à maneira de Helen ou Dana Sue, e que Maddie não pode ter voz ou vontade própria.
Enfim, talvez tudo isso faça parte de uma amizade - os ciúmes, a injustiça, as cobranças, as zangas, as parvoíces.
As personagens que mais me cativaram foram Trotter, o professor de ioga do SPA, e Paula, mãe de Maddie.
Acredito que são abençoadas as pessoas que têm a sorte de os ter como amigos.
São duas personagens extraordinárias, sempre com bons conselhos, prontas a ouvir o próximo, a ajudar, a não julgar, a trazer ao de cima o melhor de cada um dos que os rodeiam.
Não achei grande piada ao Cal, apesar de ser um protagonista.
O Bill é o típico mulherengo. Não consegue estar sozinho. Ainda casado, envolve-se com Noreen e engravida-a, deixando a mulher. Depois de Noreen o deixar, ao ver que ele não está nem um pouco comprometido na relação de ambos, ele acaba por iniciar um novo romance.
Confesso que, mais para o fim, ele tem o seu momento de redenção e, apesar de tudo o que fez, e do mal que causou, uma ou duas pessoas foram injustas com ele, e agiram motivadas por fundamentos sem qualquer sentido.
Sem sentido foi também o final desta personagem. Demasiado "planeado", para algo que era suposto ser repentino.
A Noreen foi daquelas personagens que me irritou ao início, depois redimiu-se, e mais para o fim voltou a decepcionar. Com o Isaac foi semelhante - primeiro uma desconfiança, depois a positiva surpresa e, sem motivo, mais à frente, a cair um bocadinho na minha consideração.
Costuma-se dizer que "tudo está bem quando acaba bem". No entanto, nem tudo pareceu ter terminado bem, nesta quarta temporada. Ou, pelo menos, como o público desejaria.
Vamos ver o que traz de novo a quinta temporada, ainda por estrear.
A palavra é usada como gíria, na região do Pará, para expressar algo como “maldição” ou “azar”.
É também o nome da série brasileira, de quatro episódios, actualmente disponível na Netflix.
Tal como tantas outras, prometia muito, mas não deu quase nada.
A única palavra que me ocorre para descrevê-la é salgalhada.
Uma junção de vários bocados sem grande elo de ligação entre eles.
Sem aprofundar cada temática, ou personagem.
E com "separadores", inseridos várias vezes nos episódios, sem qualquer necessidade.
Uma história que começa com cyber bullying, após ser divulgado um vídeo de cariz sexual de uma adolescente, pelo rapaz com quem ela esteve.
Para a castigar, e esquecer a vergonha, a mãe decide levar a filha para casa da tia, na cidade, voltando à sua vida normal.
O pai, apesar de não concordar plenamente, não se opõe.
Portanto, há uma total falta de apoio, compreensão, união familiar.
Mas isso é pouco explorado, porque passamos para uma situação de abuso sexual, em casa da tia, por parte do companheiro desta.
E, mais uma vez, também isto é empurrado para um canto, para dar lugar ao rapto da Janalice, para uma rede de tráfico sexual.
Depois, temos uma outra família: pai, filho e mãe. O pai quer ensinar o filho a defender-se com armas. A mãe é totalmente contra. Diz que há muitas formas de o filho se defender, sem recurso a armas de fogo.
Certo é que tanto o pai, como o filho, são assassinados pelos "ratos" - um grupo de saqueadores que ataca os barcos de passageiros no rio para roubar. E a mãe, ao ter perdido a sua família, e sem conseguir qualquer ajuda da polícia, irá atrás deles para se vingar.
Entre corrupção, poder, miséria e cobardia, os caminhos de Mariangel e Janalice cruzam-se, pelo que passará a ser essa a missão: salvar a adolescente daquela rede, já que não conseguiu salvar o marido e o filho.
No fim, Janalice fica com Mariangel, que a salvou, em vez de voltar para junto dos pais, que a abandonaram quando mais precisava.
Está lá a ideia, a intenção, as temáticas e a lição a tirar, mas saiu tudo muito confuso.
No entanto, estava um pouco cansada de ver mais do mesmo.
Ao contrário do que andei a ver até aqui, séries curtinhas, com muita acção, suspense e reviravoltas, numa espécie de volta na montanha-russa, estava a apetecer-me algo diferente.
Uma série familiar. Uma história em que sentisse que fazia parte da mesma.
Foi assim que dei por mim a começar a ver Virgin River!
Virgin River tem um pouco de tudo o que podemos encontrar noutras séries, incluindo os ingredientes que mais aprecio mas, ao contrário das séries curtas, assemelha-se mais uma volta tranquila e demorada na roda gigante, com tempo e calma para apreciar a vista, para uma conversa, para um momento intimista. E não apenas adrenalina.
Algo que se vai saboreando devagarinho, apreciando aos poucos.
Como uma bebida que nos aconchega e reconforta.
Uma iguaria que se prova por prazer, e não por mera fome.
Aliás, o facto de seis temporadas mostrarem, em termos práticos, cerca de apenas nove meses de história, já diz muito sobre como as coisas decorrem lentamente.
Virgin River é mais do que um lugar para viver.
É uma comunidade, no verdadeiro sentido da palavra.
E os seus habitantes, como uma grande família.
Com direito a zangas, mexericos, intromissões nem sempre desejadas na vida uns dos outros. Mas também a entreajuda, apoio, camaradagem e união.
No fundo, estão lá uns para os outros, para o bem e para o mal.
E nós sentimo-nos, ao longo de seis temporadas (a caminho da sétima), parte dessa comunidade, dessa família.
Tudo começa quando Mel aceita uma proposta de trabalho, como enfermeira, e se muda para Virgin River.
Lá, conhece Jack, com quem vai viver uma história de amor com muitos contratempos pelo caminho.
Confesso que a Mel me irrita um pouco, de tão bondosa e "melosa" que é. Existem pessoas assim?! Foi bom ver que, de vez em quando (muito raramente), ela também tem um outro lado.
Exceptuando o querer meter-me na vida dos outros, identifico-me mais com a personalidade da Hope - teimosa, orgulhosa, prática, um pouco fria na forma como age e diz as coisas, embora tenha um coração enorme.
Na verdade, o que não falta é personalidades fortes, humanos com lados mais bonitos e mais sombrios.
O que é comum a quase todas, é o cresimento, a aprendizagem, a transformação que vai ocorrendo a cada temporada.
Não vou aqui falar de seis temporadas de uma história que está longe de ter fim, mas posso dizer que a quinta e a sexta temporada foram as que tiveram mais desenvolvimentos, as que mais me emocionaram, e as que mais gostei.
"A Loja de Flores" ou, no seu título original, "Tuiskoms", é uma série sul-africana que estreou, em Fevereiro, na Netflix.
Andava ali, na minha lista, meio perdida até que, agora, uns meses depois, chegou a sua vez.
E só posso dizer: vejam!
É daquelas séries que não sabemos que precisávamos de ver, até a vermos.
É uma série leve, cómica, que nos faz rir.
É romântica, sem ser lamechas.
É real, sem ser demasiado melodramática.
É divertida, comovente, hilariante, emotiva, humorística.
Faz-nos pensar.
No que é realmente importante.
No que queremos, verdadeiramente, para a nossa vida.
No que estamos a desperdiçar, a deixar passar ou fugir.
E no que temos de agarrar, e a quem (ou a quê) nos agarrar, para sermos felizes.
Faz-nos reflectir.
Entre os que partem, e já não estão mais entre nós.
E as pessoas que chegam à nossa vida, seja por que motivo, ou propósito, for.
A linha que separa as memórias de uma vida que não pode mais ser vivida, e a promessa da uma nova vida que está à espera de ser vivida.
E se tudo isto ainda não vos convencer, há mais: livros, e um clube de leitura; e flores, e uma loja familiar que se mantém aberta por "amor". Bonitas paisagens, sobretudo as quintas onde são cultivadas as flores.
Há escrita. Há arte.
Há amizade verdadeira. Há amor.
Há passados dolorosos, presentes desastrosos, e futuros promissores.
Há um desmistificar de vários preconceitos e ideias pré formadas.
Se ainda não deu para perceber, reforço, gostei mesmo da série!
E recomento a todos.
E não poderia deixar de destacar estes dois diálogos, e uma das frases finais, que me marcaram:
"As pessoas dizem para avançarmos.
Como se o desgosto e a dor fossem uma doença.
Algo que pode ser curado.
Mas instala-se no teu interior.
Torna-se parte de ti.
Então...
... e se a dor não passar?
Sobrevives.
E esperas.
Esperas não ser engolido por tudo."
"... o amor é uma doença com que todos nascemos. E passamos a vida à procura de uma cura.
A cura, claro, são os outros.
Por vezes, temos sorte e somos curados pela união das almas.
Outras vezes, a cura é um veneno que nos destrói lentamente sem nos apercebermos.
O que se faz aí?
Com sorte, encontras o antídoto.
E isso é o quê?
O antídoto é libertarmo-nos.
Cuspir o veneno e continuar a procurar até termos a cura verdadeira.
Doa o que doer.
Se pararmos de procurar, paramos de viver."
"Não podemos evitar a morte mas, com sorte, se o Universo for gentil, encontraremos luz até na escuridão."