Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"Partir do Zero", na Netflix

207717_pt.jpg 

 

Antes de mais, devo advertir que esta série talvez não seja aconselhável a pessoas que perderam familiares recentemente.

Mas, caso a comecem a ver, não se deixem (des)iludir pelo primeiros episódios. São enganadores.

 

Desde que a série estreou, que tudo o que tenho lido sobre a mesma vai num único sentido: excelente série, forte, dramática, é impossível alguém não se emocionar.

Pois eu, confesso, vi o primeiro episódio e... que grande seca!

Como é possível dizerem bem, quando isto é tão sem graça, tão banal, tão "mais do mesmo"?

 

Mas insistiam em dizer-me que valia a pena.

Lá continuei a ver. O segundo, ainda sem grande vontade. O terceiro, a melhorar. Daí para a frente, foi um atrás do outro.

E sim, vale bem a pena!

 

Para já, pela banda sonora, sobretudo as músicas italianas.

Depois, por tudo isto:

 

É uma lição de verdadeiro amor

O amor de Amy e Lino é posto à prova de todas as formas, mas nem por isso é abalado ou destruído.

Eles complementam-se. Tentam ser felizes, e fazer o outro feliz.

Tentam resolver os problemas. Conversam. Apoiam-se, em todos os momentos.

Afinal, amor é amizade, desgosto, apoio, família, felicidade, dor, beleza.

Há histórias de amor que são para sempre. E amores verdadeiros que vivem para além da vida.

 

É uma lição sobre a importância da família

Podemos não ter as mesmas ideias, as mesmas formas de viver, os mesmos objectivos.

Os nossos familiares podem não ser perfeitos, podem dar connosco em doidos, podem não nos compreender.

Podemos até nos desentender, dizer coisas que não devíamos, por vezes magoar.

Mas a verdadeira família, está lá quando é preciso.

Nos bons, e nos maus momentos.

E que não sejam preciso os maus momentos para voltar a unir familiares desavindos. Porque mais vale tarde que nunca, mas o tarde pode ser tarde demais.

 

É um alerta para a vida

Porque a vida pode ser curta. E nunca sabemos o que ela nos reserva.

Hoje estamos bem. Amanhã tudo pode mudar.

Nada é garantido. 

 

É uma lição sobre nunca desistir dos sonhos

De que serve a vida sem sonhos?

De que serve viver pela metade?

Lino dizia muitas vezes a Amy: "Porque não? Como dizem os americanos, é tudo ou nada!"

E sim, é verdade que, mesmo que os cheguemos a concretizar, a vida pode vir, e destruí-los.

Mas não terá valido a pena tentar?

Aproveitar o que nos foi permitido experienciar?

 

É uma história sobre mudanças, aceitação, integração

Nem sempre é fácil mudar para um país diferente, onde somos apenas mais uma pessoa, um forasteiro.

Longe da família, longe dos amigos, longe daquilo que sempre nos fez feliz.

Nem sempre é fácil querer agradar, e ser rejeitado, ainda que não intencionalmente, e sentir que não sabemos o que estamos ali a fazer. Apenas, que não pertencemos ali. Que nos sentimos deslocados, perdidos.

Lino sentiu isso na pele.

Até as coisas mudarem, e ele estar totalmente integrado na nova vida.

 

É uma história sobre multiculturalismo

Amy, uma americana do Texas, a viver em Los Angeles, e Lino, um italiano de Castelleone (Sicília), a viver em Florença, e que se muda para Los Angeles, uma cidade que não tem centro, onde ninguém liga a futebol, onde não se come nada daquilo que ele está habituado.

Mas será que, apesar de mundos tão diferentes, e de famílias com tradições e culturas tão distintas, o principal não é universal?

 

É uma lição de coragem, resiliência, superação

Cancro: maldito cancro.

Esse bicho que continua a fazer estragos e a levar a melhor sobre aqueles que atinge.

Lino descobre que tem um cancro raro, e todo o seu mundo desaba.

Agora que tinha aberto o seu próprio restaurante, é obrigado a fechá-lo, para dar prioridade ao tratamento.

Agora que Amy tinha abdicado de um dos seus trabalhos, em prol daquele que, apesar de lhe pagar menos, a fazia mais feliz, tem que voltar a trabalhar duplamente.

Lino vence a primeira batalha. 

Mas a guerra ainda estava no início.

Depois de um ensaio experimental que correu bem, e de se manter relativamente saudável durante 7 anos, eis que a vida lhe prega outra partida.

Só que, desta vez, é bem pior do que antes.

 

É uma história sobre os laços que unem a família

Como diz Amy, no fim, família são as pessoas que escolhemos amar, sejam elas de sangue, ou não.

Amy e Lino queriam ser pais. Mas a fertilização in vitro não fazia parte dos seus planos e, por isso, adoptaram uma menina - Idalia.

A maternidade/ paternidade não foi um desafio fácil para nenhum deles.

Por um lado, Amy começou por perder o crescimento da filha, por ter que trabalhar pelos dois. Por outro lado, Lino era um excelente pai, mas sentia falta de voltar a trabalhar.

Mas, no fundo, o que mais importava era a felicidade de Idalia.

Na verdade, o que mais importa é o bem dos filhos, sejam eles biológicos, adoptados ou emprestados.

 

É uma história sobre recomeços

Amy e Lino tiveram que partir do zero algumas vezes.

Conseguiram sempre dar a volta.

Será que conseguem vencer esta derradeira batalha?

Haverá ainda chance de Amy, Lino e Idalia terem um novo recomeço?

Ou esse será apenas para alguns deles?

 

A despedida

Como se despede, um pai, de uma filha?

Como se despede, uma filha, de um pai?

Como dizemos adeus à pessoa que amamos? Com quem planeámos toda uma vida? Com que ainda queríamos concretizar tantos sonhos?

Como nos despedimos, da melhor fase que estamos a viver, para o incerto? Para o abismo?

Como voltar a viver?

Onde encontrar forças para tal?

 

Escolhas

A vida de Amy e Lino foi recheada de escolhas.

Escolhas que trouxeram tristeza, escolhas que trouxeram felicidade.

Mas foram as suas escolhas.

E é assim que continuará a ser, até ao fim.

Porque a vida (e a morte) só a eles diz respeito.

 

 

Ver esta série fez-me, obviamente, recordar a morte da minha mãe, os problemas de saúde do meu pai, e o cancro de que me livrei a tempo e que, por pouco, podia ter feito estragos.

Fez-me pensar na minha filha, no quanto ainda quero estar presente na vida dela. No quanto ainda quero viver com ela.

E voltou a lembrar-me que as pessoas boas são sempre as primeiras a partir.

Embora, mais cedo ou mais tarde, todos sigamos o mesmo caminho.

 

Deixo aqui a música que mais me marcou no final da série:

 

Relato de uma pequena cirurgia

ilustracao-isolada-do-vetor-2d-da-cirurgia-do-hosp

 

Tinha a minha pequena cirurgia marcada para ontem.

Quando me perguntavam se estava nervosa ou ansiosa, respondia que estava mais curiosa. Afinal, era a primeira vez que ia ser submetida a esse procedimento, e em três zonas diferentes do corpo.

 

Poder-vos-ia dizer que me senti uma daquelas personagens das séries ou filmes sobre médicos e hospitais, a quem deram o papel da paciente!

Foi como estar a assistir ao vivo e a cores, estar a viver a cena, embora não desse para ver grande coisa do que faziam.

 

Também vos poderia dizer que foi uma sessão de corte e costura!

Literalmente.

Espero que o resultado final da peça tenha ficado bom, mas por enquanto está tudo selado, no segredo dos deuses.

 

A cirurgia em si, com anestesia local, não custou nada.

Havia música, para descontrair. E, logo para começar, uma das minhas preferidas. Um bom auguro.

Falámos de filhos, de gatos, de comida e de festas de aniversário.

E, em menos de nada, estava feito.

Deixo desde já aqui o meu agradecimento a toda a equipa que esteve comigo, super cuidadosos, atenciosos, preocupados e muito simpáticos.

 

Despachada a questão, e a sentir-me perfeitamente bem, achava que nem sequer iria precisar da baixa.

Ingenuidade minha, que pensei que isto era uma coisa básica. E por não me ter (nem me terem) lembrado que o efeito da anestesia não dura para sempre.

 

Claro está que, horas depois, percebi porque insistiram tanto em passar-me a baixa!

É que se, em dois dos sítios, a coisa ainda se aguenta, no outro - tornozelo - nem por isso.

 

Portanto, eu bem queria ser útil, em casa e no trabalho mas, não podendo fazer o mínimo esforço, e tendo que ter mil cuidados com a perna, lá terá alguém que ser sacrificado.

Tudo por uma boa causa!

 

"Um Estranho Caso de Culpa", na Netflix

Um Estranho Caso de Culpa | Site oficial da Netflix

 

Comecei a ver esta série o ano passado, num dia em que, à falta de melhor, assisti ao primeiro episódio.

Não achei nada de especial, e fiquei por ali.

Há uma semana, o meu marido disse que ia começar a ver. Acabei por ver com ele. Já não me lembrava bem do que tinha visto, por isso, vimos aquele episódio como se fosse a primeira vez, e cativou-me logo!

Na altura não deu para ver mais nada, mas fui pesquisar sobre a série. 

Foi, então, que percebi que o episódio que tínhamos visto, por engano, era o segundo, e não o primeiro.

E não conseguia perceber qual a relação entre um e outro, porque pareciam episódios de duas séries completamente diferentes!

 

No primeiro episódio, um rapaz - Mat - é condenado por, acidentalmente, ter matado outro, cumpre pena de prisão, sai, e volta a refazer a vida, ao lado de Olívia. Entretanto, a mulher desaparece misteriosamente, e Mat não sabe o que pensar, nem o que fazer, pedindo ajuda a uma amiga, para descobrir onde Olívia está.

No segundo episódio, vemos a história de Lorena, uma orfã criada num colégio de freiras, que se torna inspectora da polícia e que, agora, é chamada ao colégio para investigar a morte de uma das freiras. Uma freira que, como percebemos, se calhar não é bem o que aparenta ser, e na qual muita gente parece ter um interesse suspeito.

Portanto, nada a ver!

 

Só com a continuação começamos, então, a perceber a ligação entre ambos os episódios, e entre as várias personagens.

À medida que os episódios avançam, percebemos que o Mat é, na verdade, uma personagem dispensável, porque tudo poderia acontecer sem ele. Acabou por ser apenas um "bode expiatório", para nos desviar do verdadeiro elo de ligação.

 

Emma, a freira conhecida como Maria, vem-se a descobrir, foi uma prostituta que trabalhou, em tempos, para Aníbal Ledesma e que, por algum motivo, se escondeu no colégio para recomeçar a sua vida, levando com ela um "seguro de vida".

Com ela trabalharam Kimmy, de quem ninguém sabe. Lavanda, que um cliente acabou por matar. Cassandra. E Candance, também assassinada.

 

A inspectora Lorena suspeita de Mat, e tenta a todo custo encontrar provas da sua culpa, ao mesmo tempo que os investigadores da UDE a querem afastar do caso, e chegar primeiro à informação. Porquê?

 

Em cada episódio, é desvendado o passado das personagens: quem eram, o que faziam, o que escondem, em quem se tornaram, e que segredos guardam consigo.

E qual o motivo para o passado voltar a bater à porta, quando achavam que o tinham deixado encerrado lá atrás.

O que andam à procura? O que levou à morte de Emma?

O que esconde Olívia?

E quem mais morrerá para que a verdade não venha à tona?

 

Uma série a não perder.

E não desistam no fim do primeiro episódio, como eu tinha feito, porque vale mesmo a pena continuar!

 

 

 

Daquelas "limpezas" gerais que uma pessoa faz na vida

Desenho de Vassoura pintado e colorido por Usuário não registrado o dia 02  de Outobro do 2009

 

Olhei para a minha lista de livros a comprar.

Muitos deles, pareciam mais do mesmo.

Gosto de determinados estilos, mas cheguei a uma fase em que, só isso, não basta. 

Quero ler livros que tragam algo de novo. Que me surpreendam. E não que eu já saiba como começa e acaba, porque são todos assim.

Por isso, neste momento a minha lista está reduzida a 8 livros.

 

O mesmo aconteceu com filmes e séries que tinha na minha lista para ver.

Tanta coisa que por lá tinha, e já foi eliminada. 

Está cada vez mais difícil encontrar alguma coisa que me agrade porque, não é por gostar de determinado género, que tudo o que é daquele género é bom e me apetece ver.

 

E que dizer das amizades no facebook?

Amigos de amigos não são, necessariamente, meus amigos.

Pessoas meramente conhecidas, que vivem na mesma zona, idem.

Tal como aquelas que me pedem amizade com segundas intenções - fazer publicidade a bens ou serviços.

E outras que estão lá, que nunca interagem, nem se lhes vê sinal de vida, e só parecem acordar quando percebem que foram eliminadas!

 

Não sei se é esquisitice, falta de paciência ou efeitos da idade, mas é isto. 

Ando numa daquelas "limpezas gerais" que uma pessoa faz na vida!

 

Katla, na Netflix

Katla-1.jpg

 

"Katla" poderia ser uma série sobre o vulcão subglaciar da Islândia.

Ou poderia ser uma série de suspense, e ficção científica, sobre o mistério que se esconde por detrás do surgimento de pessoas cobertas de cinza que, numa situação normal, não sobreviveriam. De pessoas iguais, como se de clones se tratassem. Ou das mesmas pessoas, em épocas diferentes.

Até poderíamos ir para o campo do sobrenatural, em que os mortos, de certa forma, ressuscitam.

Onde há lugar a lendas, mitos e segredos que, por vezes, é melhor não serem descobertos.

Ou sobre religião. Anjos? Demónios? Haverá, em tudo aquilo que está a acontecer, a mão de Deus? Ou nem por isso?

 

Mas "Katla" não é apenas sobre isso.

Aliás, é muito pouco sobre isso.

 

"Katla" é, sobretudo, sobre um reconciliar com o passado.

E, com ele, uma nova oportunidade no presente.

É sobre poder emendar o que não está bem. Sobre poder esclarecer o que ficou por dizer.

Sobre tomar consciência dos erros. Daquilo em que a vida se transformou. Ou foi transformada.

 

"Katla" é sobre aceitação. Constatação. Perdão.

Sobre ultrapassar os traumas. E seguir em frente.

Tudo o que aconteceu ao longo da série teve um propósito. 

E esse propósito foi, quase na sua totalidade, cumprido.

 

Um ano depois da erupção do Katla, e do desaparecimento de Ása, irmã de Gríma, esta vive uma crise no casamento, para além de estar a recuperar de um esgotamento que teve na altura em que procurava a irmã.

Um ano depois, aparece uma mulher coberta de cinza, em hipotermia, afirmando ser uma mulher que, na realidade, trabalhou ali há 20 anos atrás mas, para ela, é como se fosse no tempo presente.

No entanto, a "verdadeira" Gunhild está mais velha, como é óbvio, e vive na Suécia com o filho. Então, quem é esta mulher?

Mais tarde, outra mulher coberta de cinza aparece. Desta vez, é Ása, que todos julgavam morta, apesar de o corpo nunca ter aparecido.

O que é mais difícil de acreditar é que Mikael, o filho de Darri e Rakel, falecido há três anos, esteja vivo, e tenha aparecido naquele lugar.

Surge também uma versão mais nova de Magnea, a mulher de Gísli, que está acamada e em estado terminal.

E, por último, uma segunda Gríma, igual à original, mas muito melhor psicologicamente, e com muita vontade de viver a vida e o amor por Kartjan que, a legítima, parece ter esquecido.

Com o surgimento de cada uma destas misteriosas criaturas, descobrem-se segredos há muito guardados, e muitas vidas irão mudar. Umas para melhor. Outras nem tanto.

Ainda assim, eram mudanças necessárias.

 

No fim, tudo parece ter seguido o seu rumo.

Mas novas figuras, nascidas no vulcão que, segundo Darri, esconde um meteorito capaz de gerar criaturas humanas, estão a caminho de Vík, o que deixa em aberto uma segunda temporada.

 

Uma série que vale a pena ver!