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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

E são estas pessoas que estão a lidar com os utentes...

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Começámos bem a semana!

 

Fomos buscar a minha filha ao trabalho.

Queixava-se de dor de garganta.

Chegadas a casa, fui examiná-la e percebi que, para além de constipada, estava com uma amigdalite.

Portanto, foi jantar e seguir para o hospital, para lhe receitarem antibiótico.

Era só isso que queríamos - um antibiótico!

 

Numa segunda-feira, estava a abarrotar.

Era 21.55h e havia pessoas ali desde as 16h. 

Tirámos a senha.

Achei que não valeria a pena sentar-me, porque seria logo chamada para fazer a inscrição.

10 minutos depois, percebi que era melhor sentar-me.

O administrativo (único a atender), apesar de só ter uma pessoa por atender - nós - achou que podíamos esperar o tempo que entendesse para fazer a inscrição, enquanto ele fazia nem sabemos bem o quê.

O meu marido, menos paciente que nós, ao fim de 15 minutos vai lá perguntar se ia chamar alguém, ao que ele deve ter respondido que estava a fazer qualquer coisa. O meu marido perguntou então se não podia chamar para inscrição e continuar a fazer o que estivesse a fazer, depois.

Resposta do administrativo: "Eu giro o meu tempo da forma que eu entender".

E só ao fim de mais uns minutos chamou, então, a senha em espera.

 

Eu compreendo que não adiantasse muito fazer a inscrição na hora, ou meia hora depois, porque, afinal, tínhamos muito tempo de espera pela frente até sermos chamados pelo médico.

E compreenderia se o administrativo tivesse respondido, educadamente, que teríamos que esperar um pouco porque estava a fazer alguma coisa que tinha que ser feita imediatamente.

Mas uma resposta destas?!

Ainda mais quando depois, na prática, se vê, que muitas vezes estão ali sem fazer nada, e até vão fumar um cigarrinho lá fora.

E uma simples inscrição demora menos de 1 minuto, e éramos os únicos por atender.

Não faz sentido.

Levou, claro, com reclamação no livro. E aposto que, tendo em conta a forma bruta, arrogante e antipática como lida com os utentes, já deve ter muitas outras. 

 

 

Aguardava-nos uma longa noite.

Lá fora, um vento descomunal que, horas depois, foi regado com chuva.

E nós, lá dentro, munidas de muita paciência e resiliência, afinal, tínhamos mais de 30 pessoas à frente.

Saímos de lá pouco depois das 3h da manhã, porque muitas pessoas desistiram, ou ainda seria pior.

Portanto, 5 horas de espera, com um único médico a atender, para conseguir uma receita.

 

Eu sei que não nos devemos automedicar, e que a saúde está caótica, mas deveria haver alguma alternativa (ainda mais prática, rápida e viável), de se obter uma receita ou antibiótico, sem estar a ocupar tempo que outras situações, mais graves, poderiam precisar, e sem estar tanto tempo à espera, no meio de tanta gente doente, sujeitos a sair de lá pior do que entrámos.

 

Não havendo, esta é a alternativa para a maioria de nós: um atendimento complementar permanente, que funciona por ordem de chegada, e ao qual temos que recorrer em todas as situações.

E em que a melhor hora para lá ir é de madrugada. Depois de chegarmos, só entraram mais 3 pessoas, e depois das 2h ninguém mais apareceu.

Sabemos quão grave é o estado da saúde em Portugal...

zello_saude.jpg

 

... quando um médico, otorrinolaringologista, diz ao paciente, que acaba de entrar no seu consultório, e que ali se encontra por encaminhamento de outro médico, não lhe dando tempo sequer de sentar, e dizer ao que vem, que não sabe o que o paciente está ali a fazer, e que o melhor é encaminhá-lo para outro especialista.

E para que especialista é que ele encaminha o paciente?

Otorrinolaringologista!

 

Parece anedota?

Pois...

Mas foi real.

 

E quando questionado, uma vez que ele próprio é dessa especialidade e não fazia qualquer sentido, afirmou que talvez o colega perceba mais do assunto que ele, porque ele não fazia a mínima ideia.

 

Pergunto-me eu, o que andam estes médicos ali a fazer?

Como conseguiram formar-se, e exercer a sua profissão?

 

 

Imagem: zellosaude

 

 

Outro fim de semana para esquecer!

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Ao pé deste fim de semana, a sexta-feira 13 é uma benção!

 

Sábado de manhã

Ia pôr roupa a lavar.

A máquina não funcionava.

Liguei para um senhor que me arranjou a máquina de secar há uns tempos.

"Ah e tal, isso deve ser a centralina. Entre peça e mão de obra, deve ficar pelos 200 euros. Demora mais tempo a peça a vir, do que a montar." 

Acabámos por ir à Worten comprar uma máquina nova.

Que só vão entregar hoje. Com sorte.

Por isso, tenho a roupa toda acumulada, para lavar.

Ainda tentei lavar na máquina do meu pai, mas ele tem uns tubos rotos e, sempre que utiliza água, metade sai pelo chão.

Desisti.

 

Domingo de madrugada

Acordo cheia de dor no ouvido direito.

Vou dormindo aos bocados, sempre com aquela sensação de agulha a espetar no ouvido.

Às 7h levantei-me, vesti-me e fui ao hospital.

É uma maravilha ir a esta hora, não está ninguém!

O médico examinou. E ainda me ficou a doer mais.

Uma otite. Antibiótico.

Que já começou a fazer efeito.

 

Domingo à tarde

A minha filha tinha um trabalho para fazer, para apresentar hoje.

E a Internet decidiu avariar!

Não conseguiu fazer as pesquisas no computador. Teve que fazer com recurso aos dados móveis, no telemóvel. Mas como ia passar tudo para o ficheiro do pc? 

Como se não bastasse, nem televisão tínhamos.

Anda uma pessoa uma semana inteira sem ver nada e, quando finalmente tem oportunidade, não há!

Resultado: gastar dados móveis e bateria de um telemóvel cujo carregador também decidiu avariar, e que vai passar os próximos tempos na marca.

 

Ninguém merece!

A saúde é mais importante que a vaidade

 

Rede Globo > tvmorena - Crônica de Camila Jordão ensina como 'Fazer charme  de intelectual'

 

Ontem li um artigo que dizia que as pessoas que usam lentes de contacto, ou óculos, deveriam ter especial atenção, agora que o outono chegou, aos problemas oculares, como conjuntivites e outros, mais comuns nesta altura do ano.

Nem de propósito, foi mesmo algo assim que o outono me trouxe de presente!

Ontem sentia os olhos secos, e doridos.

Durante a noite, comichão, olhos lacrimejantes, doridos e meio colados.

 

Há uns dias, dizia eu à minha filha que deveria pensar em comprar uns óculos novos.

Ainda ontem, a propósito do artigo, lhe dizia que, nessas situações, convinha ter uns óculos decentes para usar.

Eu tenho óculos. 

Mas são pré-históricos. Há anos que não mudo a armação. Nem as lentes. Como só uso mais em casa, ou aos fins de semana, pouco tempo, a optometrista achou que não valia a pena gastar dinheiro, usando eu muito mais as lentes de contacto.

A verdade é que, entre não usar nada, e usar os óculos, é preferível usá-los. Mas noto uma grande diferença em relação às lentes de contacto, com uma graduação mais elevada. E, por exemplo, ao perto, acabo por ter que tirar os óculos para ver melhor.

Desenrascam, mas já não são o suficiente.

 

Hoje de manhã, e porque não gosto nada de me ver com óculos, ainda pensei na hipótese de usar as lentes de contacto.

Pura estupidez!

A saúde deve ser sempre mais importante que a vaidade e, se usasse as lentes de contacto, só iria agravar ainda mais a inflamação.

Por isso, lá fui eu trabalhar de óculos.

Dar o exemplo.

Não importa o que os outros pensem, digam ou como vejam, o que interessa é que nos sintamos confortáveis, e que façamos o que é melhor para nós.

Sinais da idade

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"Todas as asneiras que fizermos em novos havemos, mais tarde, de pagar por elas."

 

E o meu pai que o diga!

 

Acho que, por mais anos que passem, temos tendência a ver os nossos pais sempre da mesma forma, como se esses anos não passassem por eles, ou passassem, mas eles continuassem iguais, sem se notar a passagem do tempo.

Sempre vi o meu pai como uma pessoa activa. Alguém que não consegue estar quieto ou parado muito tempo no mesmo sítio. Alguém que gostava de fazer longas caminhadas.

Mas o tempo, as asneiras, os vários acidentes que foi tendo desde novo, não perdoam.

E, hoje, aliadas a alguns problemas já existentes, condicionam-lhe os movimentos e a vida, provocam-lhe dores, dificultam-lhe as tarefas mais básicas e, ainda assim, volta e meia, lá insiste em fazer mais alguma "asneira" para a qual o seu corpo já não está preparado. 

Depois, os ossos, os músculos, os tendões, tudo se ressente.

E a memória começa a pregar partidas.

Afinal, são quase 80 anos.

 

E a minha mãe?

Mulher activa, também. Ultimamente, não tanto.

Fingimos não perceber, mas é um pisco a comer. 

Está magríssima, embora as calças disfarcem.

Mas levá-la ao médico? Só quase arrastada.

Diz que se sente bem. Que não precisa de fazer exames, nem ir ao médico.

As únicas consultas a que vai, são as de oftalmologia, em que é seguida por causa das cirurgias que fez à vista.

Não é mulher de se queixar, de mostrar dores, de fazer fitas. Guarda para ela.

Mas uma pessoa vai-se, aos poucos, apercebendo dos sinais da idade.

Um degrau que ela já tem dificuldade em subir ou descer sem ajuda. Algo que ela já demora a agarrar, não sei se por não ver bem, ou se por outro motivo.

Um dente ou outro que falta, e que lhe dificulta a fala.

Afinal, são 79 anos.

 

Que bom seria que os nossos pais estivessem sempre novos, apesar do tempo passar. 

Que tivessem sempre saúde, enquanto vivessem.

Mas se nem nós, muitas vezes, a temos, e andamos piores que eles, como podemos esperar que eles sejam mais valentes?

 

É assim a vida.

Sempre a dar sinais.

Sinais das parvoíces que achávamos que não iam ter consequências.

Sinais de que o nosso corpo não é de ferro.

Sinais de que o tempo não pára.

Sinais da idade, que avança a cada ano que passa, para todos nós, e para eles também.