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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

As bóias a que nos agarramos na vida

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas

 

Por vezes, quando o navio parece navegar no rumo certo, somos atirados borda fora. 
Desnorteados, pensando que nada nos poderá salvar, surge-nos uma "bóia de salvamento", à qual nos agarramos com todas as forças, fazendo-nos sentir seguros e esquecer o perigo que corremos. E não a largamos por nada.
Mas quando, finalmente, chegamos a terra firme e não precisamos mais da bóia, atira-mo-la para um canto, como se fosse insignificante e inútil.
Até ao momento em que a vida nos pregar outra partida...E aí, poderá já não haver bóia que nos ajude...

 

Muitas vezes, descartamos e esquecemos depressa aqueles que estiveram connosco quando mais precisámos, aqueles que nos deram a mão, nos ajudaram, nos amaram.

Existem pessoas que, na nossa vida, não passam de meras bóias de salvamento, temporárias que, mal percebamos que já não fazem falta, afastamos de nós.

São pessoas que funcionam como uma ponte entre o passado e o futuro, com duração limitada na nossa vida.

 

Coração do Mar

 

Assim foi baptizada por nós uma gaivota muito especial que, infelizmente, teve um triste destino.

A tarde na praia foi espectacular, com bom tempo, o mar mansinho e um novo recorde de toques de raquete - 1035!

Pela primeira vez, aqui nesta praia da Ericeira, vimos peixinhos a nadar connosco! Tão pequeninos, em cardumes. Um deles, pobrezito, veio parar à areia. Peguei nele, pu-lo numa poça de água, ainda respirou mas acabou por morrer.

Animados depois da diversão, para irmos comer um belo creme de marisco e pizza, seguimos para o centro da Ericeira, e foi aí que tudo aconteceu.

Nós íamos a descer a rua. Estava uma gaivota no chão, do lado oposto. Um carro que subia a mesma rua, nesse sentido, viu a gaivota mas, ainda assim, continuou, sem sequer se desviar, e passou com a roda por cima da gaivota. Nem sequer parou para ver o que tinha feito. Fiquei chocada e, apesar de nunca ter lidado com aves, o meu marido parou o carro e eu saí, para tentar tirá-la da estrada antes que mais algum fizesse o mesmo que aquela mulher.

Peguei na gaivota, ela nem reclamou nem picou, e pu-la no passeio. Tinha uma asa partida. Provavelmente, já estaria magoada antes, pelo facto de nem sequer ter voado quando o carro se aproximou. Além de que é um pouco estranho uma gaivota andar naquela zona, meio perdida.

Entretanto, mais pessoas se juntaram, incluindo uma senhora que estava apenas a passar férias, vinda de Inglaterra, embora me pareça ser portuguesa, e que utilizou o seu lenço para embrulhar e pegar na gaivota. Perguntámos se haveria algum sítio para onde a pudessemos levar, mas só nos souberam indicar uma loja de animais que poderia ter veterinário. E assim, essa senhora veio connosco no carro até à loja, a segurar a gaivota, onde foi brindada com uma bicada. Infelizmente, o veterinário estava de férias. Puseram apenas um elástico no bico da gaivota e aconselharam-nos a entregá-la na GNR.

Eu disse logo - se a entregamos lá, abatem-na! Mas a alternativa era ir a uma clínica ou hospital, e termos nós que pagar a conta. O meu marido lembrou-se, então, de ir aos bombeiros. Nesta altura, a gaivota passou para as minhas mãos. A dita senhora ainda esperou, mas sem novidades por parte dos bombeiros, e com amigos à espera para jantar, acabou por ir, e combinámos encontrá-la mais tarde para lhe entregar o lenço.

Quanto aos bombeiros, contactaram com a protecção civil, que não quis saber do assunto, e com mais algumas entidades, numa espera que me pareceu de horas. A pobre gaivota estava em sofrimento, esperneava por todo o lado, eu a tentar segurá-la, o seu coração acelerado, já com sangue por todo o lado, e nós sem saber o que fazer.

Finalmente, a única solução encontrada pelos bombeiros, foi dizer para irmos ter com uma veterinária ao Cadaval, que era a única que poderia receber e tratar este tipo de aves selvagens. Disse logo ao meu marido que isso estava fora de questão. O Cadaval ficava a quilómetros, e a gaivota não aguentava até lá.

Na verdade, pouco antes de ele vir para o carro, ela acalmou, já nem lutava e o coração abrandou. Decidimos então ir a uma clínica a poucos minutos dali. Pelo caminho, só sabíamos que ainda estava viva porque mexia os olhos, mas acabou mesmo por morrer uns segundos antes de estacionarmos.

É muito frustrante querermos ajudar um animal ferido, e não conseguirmos. É frustrante que, numa vila onde as gaivotas têm o seu habitat natural, não haja nenhuma entidade que os possa tratar, receber, com contactos e meios para encaminhar.

É frustrante, porque não sabemos nada de animais, e quem sabe não piorámos tudo ali a segurá-la, a apertá-la para não voar pelo carro. Quem sabe não agravámos a situação, ao querer ajudar.

É triste estar ali com a gaivota nos braços, e vê-la aflita e a sofrer, e depois dar o último suspiro e acabar por morrer.

Nessa clínica, a veterinária foi impecável. Apesar de tudo, ainda verificou o batimento cardíaco e confirmou que ela tinha morrido há pouquíssimo tempo. Afirmou ainda que, mesmo que a tivessemos levado mais cedo, não poderia ser salva porque iria ficar sem a asa, e sem ela, não sobreviveria. Elogiou-nos por a termos levado, porque até poderia ser uma coisa menos grave, e salvá-la, mas naquele caso não havia solução. Colocou-a num saco de plástico e aconselhou-nos a entregar o cadáver na GNR ou na Protecção Civil.

Viémos então à GNR de Mafra, já que tinha que vir a casa mudar de roupa, mas informaram-nos que só poderiam aceitar entre as 09h e as 17h do dia seguinte. Fomos à Protecção Civil. Disseram-nos que não fazem esse tipo de recolha. Que isso é um assunto da Polícia Marítima.

Nesta altura, já com os nervos à flor da pele, passei-me mesmo. É revoltante como não há ninguém que queira saber de uma gaivota. Se fosse um cão ou um gato, já estava tratado há muito tempo, mas com uma gaivota, ninguém faz nada. Talvez porque, tal como a veterinária disse, seja considerada um "rato com asas", portadora de diversas doenças transmissíveis a outros animais e aos humanos. Mas é revoltante andarmos ali às voltas com o animal, sem saber o que fazer, e levar com a porta na cara a todo o lado que íamos. Perguntei-lhe mesmo se o que eles queriam era que colocássemos o animal no caixote do lixo e lavássemos as mãos.

Ainda estivemos para deixá-la lá à porta, mas a gaivota merecia mais do que isso. Voltámos à Ericeira, não encontrámos a senhora para lhe devolver o lenço e, por isso mesmo, colocámos a Coração do Mar no lenço, na praia, junto ao mar, no lugar onde ela pertencia! O meu marido fez uma oração, e assim a deixámos seguir o seu destino.

Porque seria um pouco chocante, não coloco aqui a fotografia da Coração do Mar.

Surfistas salvadores

 

Com vista a reduzir o número de acidentes e mortes nas praias, o Instituto de Socorros a Náufragos vai avançar com acções de formação para surfistas, sobre salvamento e suporte básico de vida a banhistas, ao longo de toda a costa.

O projecto, intitulado “Surf Salva” é feito em parceria com a Federação Portuguesa de Surf, e pretende dotar, sobretudo, muitas das praias não vigiadas, de vigilância eficaz e mais mãos para salvar.

Acho muito bem que se façam estas acções, e que os surfistas, na presença de possíveis vítimas e estando no local, possam agir rapidamente e fazer a diferença entre salvar uma vida ou perdê-la.

Mas não deveriam, ao mesmo tempo, contratar e formar nadadores salvadores para essas mesmas praias não vigiadas, e para reforçar as vigiadas?

Claro que isso iria implicar despesas. E, numa altura em que contenção e despedimentos são as palavras de ordem, não fazia sentido formar e pagar a profissionais, quando temos ali os nossos amigos surfistas, que estão sempre na crista da onda, dispostos a fazer o mesmo serviço de borla!  

O cúmulo da (in)eficácia!

Foram os bombeiros de Mafra contactados para acorrer ao local onde se encontrava um gatinho em apuros, a fim de o salvar, mas acabaram por ser responsáveis pela sua morte!

Ao que parece, o gato estava em cima de um poste. E os bombeiros resolveram fazê-lo descer utilizando jactos de água! Para ver se caía!

E caíu! Caíu, mas morreu com a queda :(

É lamentável... 

 

 

Posteriormente, na sequência deste incidente e de uma petição para responsabilização em actividades profissionais cuja obrigação social é a ajuda e a protecção da vida de seres vivos, humanos ou animais, os bombeiros de Mafra emitiram um comunicado à população a pedir desculpas pelo sucedido, afirmando que se tratou de um acto isolado. 

Nós por cá, e eles por lá!

 

 

Em forma de resumo dos vários acontecimentos dos últimos dias, temos então a assinalar:

 

1 - O Pobre Destino de Aníbal Cavaco Silva - pobre senhor que, não fossem as poupanças feitas ao longo de uma vida, não teria agora, com a sua fraca reforma, como fazer face às despesas quotidianas! O que vale é que os portugueses são um povo solidário e uniram esforços para, apesar da crise, contribuírem com uma moedinha para salvar esta família da pobreza! Há dias (e palavras) infelizes para algumas pessoas!

 

2 - O Pobre Destino de Francesco Schettino - então não é que o senhor, com o seu navio a afundar, no meio de toda a confusão e pânico que se instalou, teve a infelicidade de cair num bote salva vidas?! Infelizmente, depois desse trágico acontecimento, não lhe foi possível retornar ao navio e comandar as operações de salvamento! Assim nasce um herói! Da cobardia!

 

3 - O Pobre Destino de Valeri Bojinov - cheio de boas intenções e com toda a sua modéstia, querendo aliviar o seu colega de tão grande responsabilidade, decidiu carregar ele o pesado fardo de marcar o penalty. Quis o destino que falhasse o alvo e, agora, ao invés de lhe valorizarem a boa acção, instauraram-lhe um processo disciplinar! Não há condições... Há jogadores que ainda não perceberam que uma equipa é constituída por 11 jogadores, e não apenas por um, e que há que respeitar os colegas e quem comanda a equipa!

 

4 - O Fabuloso Destino do Sporting - não venceu ainda nenhum jogo em 2012, mas nem por isso baixa os braços! Decidiu dedicar-se às artes decorativas do corredor de acesso aos balneários da equipa visitante no Estádio de Alvalade, tranformando-o num lindo campo de girassóis, com direito a borboletas! E depois de ter ouvido falar do oleão que, com um nome tão pomposo, até poderia ter descendência sportinguista (o'leão mostra a sua garra), imagino que seria bom para o Sporting dedicar-se também à reciclagem! De jogadores, quem sabe...

 

Por hoje é tudo!

 

   

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