Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

A regressão nas relações (em que degrau estamos hoje?)

“Não estamos próximos, vamos estar cada vez mais afastados e, qualquer dia, nem afastados estamos! – disse ele

Ela, não disse, mas pensou: concordo plenamente!”

 

De facto, aquela situação estava a tornar-se insustentável. E não podiam continuar assim. Ela bem dizia, vezes sem conta, que o casamento estragava as relações. Ele não acreditava. Ela começou a achar que, realmente, estava errada e ele certo.

Tudo parecia correr bem. A subida, degrau a degrau, progredia favoravelmente e estavam, aos poucos, a chegar ao topo.

Mas, sem se aperceberem, começaram a “tropeçar” um no outro, a regredir. Por cada degrau que subiam, desciam dois ou três. E, desde então, têm-se afastado cada vez mais do cimo da escada, e aproximado da base.

Há momentos em que ainda se vislumbra o casal de antigamente – único, cúmplice, romântico, divertido. No entanto, a maior parte do tempo, parecem dois adversários no ringue de boxe, a ver quem dá o golpe mais forte e derruba o outro.

Serão ainda as mesmas pessoas que há uns anos se apaixonaram uma pela outra e que, com o tempo, se vieram a amar? Sim, são as mesmas pessoas. Sim, são os mesmos sentimentos. O contexto é que é diferente. E é nesse contexto que estão a ser postos à prova.

A convivência diária no mesmo espaço, com tudo o que isso implica, fez surgir mudanças que, antes, nunca imaginaram, e as queixas (ainda que nem sempre pronunciadas verbal e directamente) não tardaram:

 

As queixas DELE

 

Ando a ficar farto:

- de ela reclamar comigo por tudo e por nada, como se nunca fizesse nada bem feito;

- de não poder falar daquilo que gosto porque nunca tem paciência para me ouvir;

- de não haver tempo para namorarmos;

- de não haver aquela proximidade de antigamente;

- de passarmos o pouco tempo que temos juntos a discutir;

- de ela andar sempre stressada e chateada;

- de ela nunca estar satisfeita com nada, nem contente com nada;

- de dar mais atenção à filha e à gata do que a mim;

- de estar sempre em último lugar na sua lista de prioridades;

- de andar sempre distante, a fugir e com desculpas.

 

As queixas DELA

 

Estou farta de quase tudo:

- de ser sempre eu a ter que me preocupar se há roupa para lavar, e pô-la a lavar;

- de ser sempre eu a ter que me preocupar se há roupa para secar, e pô-la a secar;

- de ser sempre eu a ter que limpar o caixote da gata;

- de ser sempre eu a ter que me preocupar se é preciso comprar comida e areia para a gata;

- de não poder dormir até mais tarde porque a gata me acorda de madrugada;

- de ter que me levantar cedo para pôr comida, limpar o caixote e abrir a janela à gata porque o dono não o faz;

- de ter que estar sempre a fechar a torneira que fica a pingar, quando já disse várias vezes para confirmar se fica bem fechada;

- de ter que estar quase sempre a limpar a bancada que fica suja, o tabuleiro que fica com migalhas, os azulejos ou o espelho da casa de banho que fica com espuma de barbear, o fogão que fica cheio de gordura;

- de ouvir falar de ginásio, músculos e futebol, de parecer que é só nisso que pensa e que a sua vida se resume a isso;

- de ele estar sempre a picar a falar de outras mulheres (às vezes já acho que não é a picar), quando as coisas já não estão a ir bem entre nós;

- de certas atitudes como dizer em voz alta, ao meu lado, que ia dançar com a rapariga que estava a dançar sozinha no bar, ou ir de propósito tocar no ombro da colega de ginásio no supermercado para lhe falar, como se não pudesse simplesmente dizer olá.

 

Ou seja, ele sente falta do tempo, da disponibilidade e da atenção que antes tinha, e ela sente que está sobrecarregada com trabalho que, antes, não tinha. Cada um tem as suas razões, válidas. E estão tão saturados que a tendência é afastarem-se cada vez mais, terem cada vez menos paciência e desejarem cada vez mais estar sozinhos do que com o companheiro.

Haverá alguma forma de evitar essa tendência, que acabará por, a longo prazo, destruir a relação?

A melhor forma será conversarem, tentarem chegar a um entendimento, emendar o que tiver que ser. Mas haverá sempre factores que escapam ao seu controlo e contra os quais nada podem fazer. E terão de aprender a lidar com eles. 

 

 

Sobre a licença de maternidade

“Num momento, sentia saudades da minha filha, e ansiava pelo seu regresso para a encher de mimos. Noutro, já com ela em casa, desejei que o tempo voltasse atrás!”

 

 

 

Ao que parece, há cada vez mais mulheres a gozar o tempo mínimo de licença de maternidade optando, grande parte delas, pela licença partilhada.

A que se deve esta nova tendência? Possivelmente, a vários factores.

A crise é um deles. O dinheiro faz falta, e as mulheres que têm o privilégio de ter um trabalho preocupam-se em mantê-lo, abdicando de parte do tempo da licença que lhes é concedida por direito. Por outro lado, são cada vez mais as famílias em que os homens estão desempregados, enquanto as mulheres passam a ser o pilar e fonte de sustento do lar. Assim, é natural que sejam os pais a gozar a licença de paternidade.

A mudança de mentalidades também deu o seu contributo. Antigamente, as mulheres serviam para cuidar do lar e dos filhos, enquanto os homens trabalhavam. Hoje, existe partilha de tarefas, de cuidados, de atenção, de carinho, de amor…Hoje, sabe-se que ambos os progenitores são essenciais na criação e educação dos filhos.  

A carreira feminina é outro factor a ter em conta. Se há mães que regressam mais cedo ao trabalho para manterem o emprego que tanta falta lhes faz, sem outra opção possível, outras há que retornam por desejo de dar continuidade à sua carreira, por medo de perder o “terreno” já conquistado ou o prestígio já adquirido. E porque preferem o mundo laboral, onde se sentem confiantes, seguras e poderosas, ao “simples” papel de mãe.

E assim chegamos à ausência do instinto maternal, à falta de tempo, à saturação das lides domésticas e maternais, à sensação de inutilidade, ao desespero, etc.

Embora, de uma forma geral, seja benéfico em vários sentidos que a mãe fique com o seu bebé o máximo de tempo possível, a verdade é que a experiência da maternidade não é nada fácil, e cada mulher a encara de forma diferente. E é essa forma de encarar esta nova etapa da sua vida que vai levar à decisão de prolongar, encurtar ou partilhar a licença de maternidade.

 

 

Am I Still Alive?

 

Estarei viva?

Ainda respiro, o coração bate, o cérebro funciona…

Estarei a dormir?

Não me parece…Os olhos estão abertos e o corpo cansado…

Estarei anestesiada?

Impossível. Movimento-me constantemente…

No entanto, durante estes últimos tempos, não sei onde nem como estive…

Como mãe, a tentar acompanhar todos estes dias a minha filha, neste momento mais complicado que está a passar com esta doença inesperada. Os dias são passados como enfermeira, a analisar pernas e pés, pintinhas e manchas novas que possam surgir, verificar se as mais velhas estão a desaparecer, e observar a evolução geral. São passados como professora, com fichas e trabalhos nos diversos livros escolares, a preparar a minha filha para as fichas que se avizinham, e tentar que não saia prejudicada por estar tanto tempo sem ir à escola. São passados como encarregada de educação que sou, em comunicação frequente com a professora, a estudar a melhor solução para minimizar a ausência.  

Como dona de casa, a tentar manter a casa em ordem - dividida entre limpezas, almoços e jantares, roupa para lavar, secar e passar a ferro, loiça para lavar e arrumar, e compras para fazer.

Como trabalhadora, a tentar ser politicamente correta: embora a minha vontade fosse ficar em casa, a verdade é que o dinheiro me faz falta, e precisam de mim aqui.

E assim se instaurou, de mansinho, uma rotina em que não havia lugar para a mulher, para o romance, para o amor…Apenas existiam duas pessoas preocupadas, à sua maneira, com uma criança, passando os dias entre casa e hospital. Apenas existiam duas pessoas saturadas, cujas conversas não iam além das refeições, da falta de dinheiro, da falta de descanso. Duas pessoas que se comportavam como mãe e padrasto de uma criança, amiga e amigo um do outro.

A mulher? Essa, foi anulada. E o pior é que, quanto mais tempo passava, menos me lembrava dela. Habituei-me, de tal maneira, a não vivê-la, que já nem sentia falta dela. Não sentia falta nem necessidade de me sentir mulher, de me sentir atraente…Ou talvez pensasse que já não seria assim, que não conseguiria trazê-la de volta…que estava morta…

Mas não está, e é preciso que ela volte a ocupar o seu lugar. Um lugar que é seu, por direito. Afinal, ainda tem muito para viver, muito para dar e receber, e muito tempo para ser amada, e para amar!

 

 

  • Blogs Portugal

  • BP