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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"O Dilema", de B. A. Paris

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Se descobrirmos algo que sabemos que, inevitavelmente, teremos que contar a alguém, e que poderá destruir essa pessoa, o que fazemos?

Adiamos a revelação, por  uns últimos momentos de felicidade dessa pessoa, antes de o seu mundo ruir?

Por altruísmo?

Ou fazêmo-lo o quanto antes, antecipando o sofrimento e a decepção?

 

Escondemos o segredo durante mais uns dias, ou semanas, porque não sabemos como o revelar?

Porque sabemos que irá afectar várias pessoas e relações?

Porque queremos uma última oportunidade de normalidade?

Por egoísmo?

Ou isso deveria ser a última coisa em que pensar?

 

Lívia descobriu um segredo que tem vindo a esconder de Adam, o seu marido, não só porque ela própria ainda tem dificuldade em acreditar, mas também porque sabe que, a partir do momento em que o contar, tudo irá mudar na sua família e círculo de amigos.

E também porque, afinal, ela vai ter a sua festa de aniversário. Aquela com a qual sempre sonhou, e tem vindo a planear ao longo dos últimos anos. À partida, não fará assim tanta diferença para os outros, que ela o faça antes ou depois da festa mas, para ela, faz. E ela quer tanto a festa...

Irá, Adam, perdoá-la?

 

Adam descobriu algo que irá destruir Lívia, da mesma forma que já o está a fazer a si, e que, mais cedo ou mais tarde, terá que contar a ela.

Mas ela está tão feliz. É o dia da festa porque tanto ansiou. E ele não quer estragar-lhe essa felicidade. Até porque, bem vistas as coisas, ainda não tem a certeza dos factos. Ou não quer acreditar que seja verdade.

E não serão umas horas que farão a diferença. Ou farão?

Irá, Lívia, perdoá-lo?

 

Por isso, Lívia, pensando um pouco em si e na concretização do seu desejo, e Adam, na felicidade de Lívia, que estás prestes a acabar, omitem os seus segredos até ao dia seguinte.

Ela, radiante e feliz mas, ao mesmo tempo, receosa dos tempos que virão quando contar a verdade, sem saber que haverá uma outra verdade ainda pior que essa.

E ele, cada vez mais curvado pelo peso que carrega sozinho, para que todos os outros estejam bem, e felizes, umas últimas horas.

 

Se erraram os dois? 

Talvez...

Se um segredo era bem mais grave que o outro, e havia mais motivos para ser contado de imediato, que o outro?

Talvez...

Se contar o segredo a Lívia iria mudar alguma coisa? Não.

Mas se Lívia tivesse contado o seu segredo a Adam, antes, talvez não existisse outro mais grave para revelar. Talvez se tivesse podido evitar o que aconteceu.

Ou talvez não...

 

O que é certo é que os segredos foram revelados e, agora, resta lidar com a dor, com o sofrimento, e com os cacos por eles deixados.

Como enfrentar tudo sem se destruirem, e à sua família? Como manter as amizades intactas?

Como se reerguerem, depois da queda?

 

Em "O Dilema", toda a história se centra nos preparativos para a festa, na festa, e no pós festa, sendo que as revelações, embora o leitor as saiba mais cedo, só são feitas entre personagens mesmo para o final.

Até lá, sentimos toda a tensão, todas as dúvidas, toda a angústia, os pensamentos e desejos de cada um deles, relativamente ao outro.

Bastaram uns segundos para mudar toda a vida deles.

O presente é o que é. Não se pode mudar.

Já o futuro, está sempre em aberto...

 

 

"A Última Saída", de Federico Axat

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O meu marido apanhou este livro numa promoção do Continente.

Quando mo mostrou, o nome e a capa não me soaram estranhos. E até lhe disse "acho que tenho esse livro na minha lista de livros a comprar", o que confirmei mais tarde ser verdade.

Assim, não precisei de comprar para o ler.

Só tive que esperar várias semanas, para ele acabar de o ler, e poder começar eu.

 

Peguei então nele no sábado. 

Ia ao cabeleireiro, e é sempre uma boa opção levar um livro para me entreter naquelas mais de duas horas.

Comecei a ler, mas não me entusiasmou. Às tantas, guardei-o na mala.

Passei o resto do tempo em conversa com a cabeleireira.

Ao chegar a casa, perguntou-me o que estava a achar do livro, e disse-lhe que estava muito desiludida. Muita fantasia, muita confusão. Não faz o meu estilo.

E ele respondeu-me:

"É mesmo assim. A primeira parte tem esse efeito em todos os leitores. Mas vais ver que, à medida que fores avançando, não vais querer parar de ler, e vais gostar."

 

Lá continuei.

E ele tinha razão!

Portanto, quem tenha interesse em ler, considerem a "Primeira Parte" do livro uma espécie de Cabo das Tormentas, que é preciso ultrapassar, no caminho para chegar à Índia. É a parte mais difícil da viagem. Depois, a viagem torna-se mais apelativa e emocionante.

 

Posto isto, temos o protagonista, Ted, que aparentemente está prestes a cometer suicídio quando uma visita inesperada lhe estraga os planos.

O motivo para tal acto parece ser o tumor cerebral que lhe foi diagnosticado. Ainda que esteja a ser seguido por uma psicóloga, para o ajudar a lidar com o problema, Ted parece ter tudo premeditado ao pormenor, e querer pôr fim à vida.

 

Entretanto, vão sendo apresentadas outras personagens, que não percebemos muito bem onde encaixam. Descobrimos que o seu casamento tinha acabado. E ficamos curiosos para saber o que raios é, afinal, um opossum, um animal que está sempre a surgir na vida de Ted.

Embarcamos naquela teoria da conspiração, de que estão todos contra ele até que...

Ups, nada é o que pensámos ser até ali.

 

E é a partir da "Segunda Parte" que a trama ganha balanço, e começamos a querer descobrir tudo o que aconteceu para Ted chegar àquele ponto da sua vida em que agora se encontra, e onde e qual a chave que abre a porta para o que ele guarda na mente, e não consegue, de forma alguma, desbloquear.

Laura parece ter um papel fundamental, para fazê-lo sair de cada um dos ciclos em que se encontra, e partir para o próximo, num caminho em que não convém voltar atrás, mas que pode ser assustador, sabendo que, no fim do mesmo, está a verdade que o seu cérebro o fez esquecer.

E, ainda assim, aquela verdade que se descobre pode ser apenas "a verdade dele", que mascara a verdadeira realidade. 

 

O que é certo é que, atrás de cada fantasia criada pela nossa mente, pode existir uma base real, uma realidade que foi inconscientemente distorcida.

Ler este livro fez-me pensar naquelas pessoas que estão mentalmente aprisionadas, num estado de sofrimento por não se lembrarem de quem são, do que fizeram, sem capacidade para distinguir a realidade da ilusão, sem memórias dos seus últimos dias, num limbo entre a sanidade e a loucura. No tal círculo central, que separa as duas metades do campo, e no qual ninguém quer, nem pode, estar, eternamente.

Ted está no círculo, e precisa de sair dele. À medida que o tempo passa, mais perto fica da metade do campo que lhe trará a sanidade mental de volta.

Mas, conseguirá ele lidar com a verdade?

Conseguirá Laura olhar Ted da mesma forma, e continuar a querer o melhor para ele, depois de descobrir a verdade?

 

No labirinto que é a nossa mente, há apenas uma única saída, que temos que encontrar, para conseguirmos sair dele, sem ele nos prender para sempre, e nos perdermos para sempre.

 

Segredos, guerrinhas e mexericos

Ecos das Lutas: Sobre futricas e mexericos...

 

Gosto cada vez menos de conversas que começam com um "vou-te contar isto mas é para ficar entre nós".

Algumas pessoas, dizem-no sem essa real intenção, mas com o objectivo oposto, de ver a informação ser espalhada.

E as que realmente querem guardar segredo, não devem andar a falar com esta e aquela pessoa, com a desculpa de que confiam que essa pessoa vai guardar esse segredo. Pode guardar, é verdade. Mas também pode não o fazer. 

 

Pior ainda quando, essa pessoa que pediu para guardar segredo não foi capaz, ela própria, de o fazer, e depois exige isso das outras a quem "passou a bola".

O que é que resulta daqui?

Mexericos. Acusações. Intrigas.

Muitas vezes, são informações postas a circular, para criar guerrinhas e, no fim, é apanhado no meio quem não tem nada a ver com isso.

 

Por isso, o melhor a fazer, quando vêm com esse tipo de conversa, é cortar. Não deixar nem a pessoa começar. Se é segredo, que o guarde consigo.

 

 

Mako Mermaids - 4ª temporada na Netflix

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Já está disponível na Netflix a quarta e última temporada de Mako Mermaids.

Houve uma altura em que aparecia, mas não dava para ver os episódios. Depois, com tantas séries novas e boas a estrear constantemente, nunca mais pensei nesta.

No outro dia, a minha filha falou-me da primeira série, H2O, que agora estava na Netflix, e eu lembrei-me de ver se já se já dava para assistir aos episódios da quarta temporada desta.

E pronto, foi uma maratona de 16 episódios, com cerca de 25 minutos cada, para ficar a conhecer o desfecho desta história.

  

 

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Nesta quarta temporada, chega uma nova sereia a Mako, Weilan.

O objectivo seria fugir de um poderoso dragão que derrotou toda a colónia de sereias de leste. Mas o dragão acabará por segui-la, até Mako, colocando em perigo todas as sereias da ilha.

E será preciso mais do que a força de todos os aneis da lua, para conseguir derrotá-lo. 

 

Weilan não será bem recebida por Ondina, que a acusa de ser a responsável pela presença do dragão, e por alguns feitiços, que não resultaram da melhor forma.

Mas a verdade é que todas elas têm ainda muito a aprender umas com as outras, sobre os poderes que possuem, e sobre aquilo que conhecem e sabem aplicar, sem incidentes.

E Weilan será uma peça fundamental, para a luta que se aproxima.

 

Mimi apaixona-se, e terá que conciliar o seu segredo, com o seu relacionamento com Chris.

Ao mesmo tempo, uma visão mostra-lhe que a sua mãe poderá estar viva, e Zac poderá ser a única pessoa capaz de acreditar nela, e ajudá-la a perceber o que significam as visões.

Por outro lado, uma das sereias, atingida pelo dragão, perderá para sempre a sua cauda.

 

A noite de lua cheia aproxima-se, e o conselho das sereias traçou um plano que pensam que poderá destruir o dragão mas...

Será que o dragão é um inimigo?

Se ele ataca todas as sereias, porque nada fez a Mimi e a Zac, quando teve oportunidade para tal?

Quem se esconde por detrás do dragão?

 

Esta é uma boa série para se ver no verão, que nos faz sonhar com sereias, poderes, com o ser-se diferente e especial.

Ao mesmo tempo, relembra-nos que, aquilo que torna alguém diferente, e especial, pode ser também aquilo que coloca essa mesma pessoa em risco, em perigo, numa vida em que é preciso abdicar de muitas coisas de que gosta, para manter a salvo um segredo que lhe pode destruir a vida.

 

A destacar, a presença, nos dois episódios finais, da famosa Ricki, uma das sereias da série original, que agora regressa onde tudo começou e, sem saber, esconde a chave para o sucesso da última missão.

 

 

Control Z, na Netflix

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Control Z, ao contrário do que o nome poderia sugerir, é uma série em que quase todos, se não todos, os seus protagonistas, se começam a descontrolar logo no início, e torna-se difícil colocar um travão nesse descontrolo gerado, não só pela própria personalidade, e pelo seu passado, como pela ameaça de ver os seus segredos revelados, ou desejo de vingança, por parte daqueles que já foram vítimas de um hacker, que os expôs.

 

Da série, o que se poderá concluir é que vivemos numa época em que a geração Z, os adolescentes e mesmo alguns adultos da actualidade, não são, de forma alguma, aquilo que desejaríamos, ou esperaríamos, para que se anteveja um futuro promissor.

São jovens desequilibrados, com muito preconceito, com muita repressão transformada em ataques gratuitos a quem representa aquilo com que, no fundo, também se identificam, mas que não é bem visto e, por isso abominam.

São jovens problemáticos, que vivem de aparências, no mundo de fachada e fingimento, de comportamentos irresponsáveis e inconsequentes.

Jovens a quem lhes falta coragem, maturidade, honestidade.

 

Acredito que existam muitos jovens assim. Mas também acredito que poderiam ter mostrado o outro lado da juventude, oposto a este, que também é real.

 

Sofia é uma jovem extrememente observadora, com grande dificuldade (ou pouco interesse) em fazer amigos na escola para onde foi estudar.

Uma escola onde há de tudo um pouco, incluindo um director que não tem qualquer habilidade ou competência para lidar com os jovens, nem resolver os problemas destes.

 

Javier é um jovem que chega à escola, onde não conhece ninguém, e logo se aproxima de Sofia. Percebe-se que houve algo que se passou e sobre o qual ele não se sente confortável mas, verdade seja dita, ali naquela escola, toda a gente tem segredos. Uns mais obscuros que outros, e que podem provocar mais estragos, se forem revelados. 

 

E é isso que um hacker se propõe fazer. 

Para tal, ele começa por comunicar com alguns dos jovens, numa espécie de jogo ou chantagem em que, para não verem o seu segredo revelado, têm que trair os seus colegas ou amigos.

Com as primeiras vítimas, e segredos colocados a nu, os ânimos exaltam-se, desfazem-se amizades, e o desejo de vingança aumenta.

Ninguém está a salvo, e há que descobrir o hacker, antes que ele chegue a mais alguém.

 

Sofia irá tentar desvendar o mistério mas será, também ela, uma das ameaçadas. Conseguirá ela travar o hacker? E qual será o real objectivo deste jogo doentio, com consequências que vão muito além da vida escolar e até familiar e que, em último caso, poderão mesmo conduzir à morte?

 

 

Conheça o elenco e os personagens de Control Z | Universo Estendido

 

Para mim, a personagem mais bem conseguida desta série, e também aquela que proporciona as cenas mais angustiantes e revoltantes, é Luis, uma vítima de bullying e homofobia que, ao se assumir como hacker, vai agravar ainda mais a sua situação no ambiente escolar, e fora dele.

Aqueles que sempre o perseguiam, só porque sim, têm agora um bom motivo para lhe dar uma lição. Só que, mais uma vez, as coisas descontrolam-se.

E se, em algumas situações, lhe valeu a ajuda de Sofia, e de Javier, para impedir o pior, essa ajuda pode agora não lhe valer.

 

Será preciso um choque, para estes jovens perceberem a gravidade da questão? Para pararem? Para mudarem?

Ou continuará a cobardia a fazer parte dos seus comportamentos?

Uma coisa é certa: nesta série, todos parecem cometer crimes, mas saírem impunes, como se nada se tivesse passado.

E, assim sendo, até onde está cada um deles disposto a ir, para esconder o seu segredo e, o hacker, para não deixar nenhum por revelar?