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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Mais um dia...

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Outro dia…

Mais um dia…

É assim, todos os dias. Um após o outro.

Sempre iguais… Sempre diferentes…

Acordo. Olho para o lado. E só então me lembro que, agora, já não estás lá.

Estou sozinho.

Levanto-me. É madrugada. Toda a gente dorme. Eu, não. Porque o corpo já não quer mais continuar deitado.

Mais um dia me espera.

Faço o que tenho a fazer.

 

E, depois, já não há nada para fazer.

A não ser ficar a olhar para esta casa vazia.

Para o silêncio. Que só é interrompido pelo eco dos meus pensamentos, e da minha voz.

Que vida esta é a minha, agora, sem ti?

As horas demoram a passar. Ainda falta tanto para me deitar…

E, mais uma vez, perceber que, também nesse momento, estarei só.

 

Por companhia, tenho apenas a televisão que, às tantas, já aborrece de tão repetitivos que são os programas.

Já não tenho olhos para os livros.

Já não tenho pernas para os passeios.

Sou livre, mas sinto-me encarcerado.

Estou vivo, mas sinto que uma parte de mim morreu contigo. 

 

Por vezes, tenho companhia familiar. Distraio-me.

Afasto os pensamentos. Afasto a dor. Afasto as memórias.

É bom. Faz-me bem. Sinto-me abençoado, e agradecido. Mas não é suficiente.

A vida dos outros não pára. Nem eu quereria isso.

Mas a minha vida estagnou. Num tempo diferente.

Que não acompanha os demais. Nem tão pouco espero que os demais abrandem, para me acompanhar.

Não penso em morrer. Mas também não me sinto viver.

 

Estou só.

Horas e horas de solidão.

E, então, está na hora.

Deito-me.

Um último pensamento para ti. 

Adormeço.

Até ao dia seguinte.

Outro dia.

Mais um dia…

 

 

 

A fragilidade invisível

Legendas para fotos sozinha pensativa - As Melhores Frases

 

O céu estava limpo…

Mas as piores nuvens não são aquelas que se avistam no céu. As que estão à vista de todos.

São aquelas que ensombram os pensamentos. Aquelas que ninguém vê e, ainda assim, estão lá.

 

E, aí, na mente, as nuvens, por vezes, ficam carregadas…

Por nada em particular… Por tudo, de uma forma geral.

Sem motivos concretos. Sem razões aparentes. Apenas pequenas partículas que, aqui e acolá, se foram juntando e formando a espessa nuvem.

 

Há dias em que se teria tudo para estar bem e, ainda assim, algo teima em assombrá-los.

Há dias que, por norma, seriam dias para se estar feliz e sair à rua. Para os celebrar. E, no entanto, as nuvens apelam a ficar em casa.

Há dias que convidam ao “barulho”. Outros, só querem o silêncio.

 

E há momentos em que percebemos quão frágil pode ser tudo aquilo que julgávamos forte.

Quão frágeis são aqueles alicerces que tomávamos por inabaláveis.

Como tudo se pode desfazer com um sopro.

É uma fragilidade invisível, que surge como um relâmpago, para nos mostrar que existe. Uma fragilidade que até pode voltar a camuflar-se, e deixarmos de a ver. Mas sabemos que está lá.

 

E, uma vez descoberta, vinda à tona, colocada a nu, o que fazer com ela?

Ignorá-la? Fingir que não existe?

Ou deixá-la ganhar forma, e força?

Encará-la de frente? Ou virar-lhe as costas?

Destruí-la, antes que seja ela a destruir?

Ou alimentá-la e tornar, quem a alimenta, ainda mais frágil que ela própria?

 

Será, essa fragilidade, necessária, para que se consiga perceber o que se pode esperar? O perigo a ela associado?

Será um aviso? Uma premonição? Um alerta?

Ou poderá, pelo contrário, a percepção dessa fragilidade acelerar a queda, que sempre se quis evitar?

Será, essa fragilidade, saudável e libertadora, relembrando-nos a vida?

Ou poderá ela transformar-se no veneno que, aos poucos, vai matando tudo à sua volta?

 

Como lidar com alguém que tem cancro?

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O cancro é uma doença bastante conhecida e, atrevo-me a dizer, muito temida e odiada por todos nós.

Ela é responsável por levar muita gente desta vida. Familiares, amigos, conhecidos...

E, se é verdade que nem sempre mata, e é possível vencê-la, uma vez, e outra, se for preciso, também é verdade que, por vezes, leva a melhor. E quando não é ela própria, é o "rastro" que ela deixa. Como se costuma dizer, muitas vezes, não se morre da doença, mas da cura.

 

Claro que, quando uma pessoa recebe um diagnóstico destes, muita coisa lhe passa pela cabeça. Acredito que deva ser uma mistura de sentimentos contraditórios. Por um lado, quer lutar e acredita que pode vencer. Por outro, só a palavra por si só é suficiente para a pessoa achar que está condenada, e nem lhe apetecer lutar, numa guerra que já está perdida, à partida.

Acredito que, da mesma forma que a pessoa vai buscar forças que nem imaginava que tinha, também se vai depressa abaixo, noutros momentos.

Além disso, suponho que tenha dois pesos em cima de si. O de ganhar coragem para a sua luta, e o de transmitir coragem a quem a rodeia. Mostrar, muitas vezes, aquilo que os outros esperam. 

 

Mas, pergunto-me, o que será que uma pessoa diagnosticada com cancro espera de quem a rodeia? De quem está ao seu lado? 

Lembro-me de ir visitar a minha tia. De lhe dizer que não podia estar a pensar de forma negativa. Que não deveria pensar que ia deixar as filhas, os netos. Porque é o que se espera que digamos. E porque queremos que assim seja. Mas, não estaremos a enganar-nos, a nós, e à pessoa?

Lembro-me de a ver chorar, resignada, por aquilo que sabia que a esperava, embora fosse suposto nós dizermos o contrário, e ela ter que mostrar que sentia o contrário, para não nos incomodar, e deixar ainda mais tristes. Mas, no fundo, ela sabia. E partiu pouco tempo depois.

Uma vizinha nossa, também a lutar contra um cancro, sempre que a via, estava com um ar abatido, de lágrimas nos olhos, ciente do seu destino. Os médicos diziam que era tratável, que tinha cura. Pois... mas a medicação excessiva para essa cura acabou por lhe tirar a vida. 

Ainda que cada uma das pessoas que falasse com ela lhe desse força, lhe quisesse tirar os pensamentos negativos da mente, e acreditar que tudo iria correr bem.

No fundo, parece que estamos a enganar a pessoa, a dar-lhe falsas esperanças. A dizer e mostrar algo em que nem nós acreditamos. Portanto, uma farsa.

 

Assim, de que forma nós, que estamos do outro lado, devemos lidar com pessoas com cancro? 

Com positivismo? Com realismo? Com fingimento? Com sinceridade?

A pessoa diagnosticada preferirá frases feitas, ainda que quem as pronuncia não acredite muito nelas? 

Preferirá verdade?

De que forma podemos ou devemos apoiá-la, sem pintar um quadro negro derrotista, mas também sem mascarar a situação, enchendo-a de uma cor que não tem?

Ainda que encaremos, pra nós, a situação de uma forma realista, devemo-la expôr? Ou ficar em silêncio?

Devemos andar ali com "paninhos quentes", e "pezinhos de lã"? Ou mostrar que a batalha é dura, poderá não ser ganha, mas estamos ali, para o que for?

 

A frase que mais se adequa à minha forma de pensar, e que me vem logo à mente, é "Always expect the best, prepared for the worst...", ou seja, esperar sempre o melhor, mas estando, ao mesmo tempo, preparado para o pior.

Quer quem está a passar pela doença, quer para quem está do outro lado.

 

Mas só quem já passou por isso, ou quem está a passar, poderá dizer aquilo que, verdadeiramente, quer e espera de quem está ao seu redor.

 

 

Por vezes, conversar é como caminhar sobre um campo minado

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“Ela queria discutir com todas as forças, mas isso roubar-lhe-ia ainda mais energia.

Para o caso de não te teres apercebido, estou cansada. Teria gastado mais tempo a discutir contigo, do que a que tenho para gastar.”, do romance “Não É Bem Meu”.

 

 

Por vezes, estamos tão cansados que se torna difícil manter uma conversa com alguém, sobretudo quando meras conversas banais, tendem a tornar-se verdadeiras batalhas pela defesa de cada um dos pontos de vista.

Nem sempre é preciso levar uma conversa ao limite, espremê-la até se conseguir tirar o sumo todo, debater o assunto como se a nossa vida dependesse disso. Há conversas que, pelo contrário, devem ser leves, descontraídas.

E nem sempre uma opinião diferente significa contrariar o que o outro diz ou pensa. São apenas opiniões, cada um é livre de ter a sua. Não precisamos de enveredar por um "braço de ferro", em que só pode haver um vencedor, e um vencido.

 

Quando se começa a dissecar cada conversa que se tem, perdemos a vontade de conversar, porque isso exige-nos uma energia que não temos para gastar, um esforço que não temos vontade de empreender, em algo que não faz sentido.

Assim, deixamos de conversar, de nos manifestar, de dar opiniões, optando pelo silêncio, ou pela concordância com o que a outra parte diz. 

 

Por outro lado, quando se entra por esse caminho, o que acontece é que nos sentimos a caminhar sobre um campo minado. Sabemos que temos que ter cuidado onde pisamos, que a caminhada até pode decorrer sem incidentes mas que, qualquer passo em falso, pode fazer explodir uma mina e atingir-nos. Qualquer frase ou palavra pode tornar-se uma armadilha a ser usada contra nós. 

Como tal, deixamos de querer entrar em qualquer campo que seja, preferindo ficar quietos, para não correr perigo de activar o explosivo.

 

 

 

 

 

Falar para não estar calada? Não, obrigada!

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Se há coisa que cada vez prezo mais, é o silêncio.

Não é que não goste de falar. Ou de conversar. Sim, porque são coisas diferentes.

Falo quando me apetece (e cada vez são menos as vezes que me apetece), tal como gosto de uma boa conversa.

Mas não sinto necessidade de falar por falar, de falar para preencher os silêncios, de falar para não estar calada.

 

No entanto, há quem sinta essa necessidade, e isso acaba por se manifestar em todos os momentos que partilhamos com essas pessoas, seja a refeição que se está a comer, o filme ou série que se está a ver, ou qualquer outra situação, como se a outra pessoa estivesse a fazer um relato completo.

 

E se a nossa vida fosse um eterno relato?

Conseguiriam viver assim?!

 

 

Eu nem por isso!

Torna-se cansativo, irritante, só me faz ter vontade de desligar e deixar de prestar atenção, ou fugir dali para onde não tenha que ouvir essas pessoas, e possa estar sossegada.

E por aí?

Lidam bem com estes comentadores na vossa vida?

São, também vocês, pessoas com esta necessidade de estar constantemente a dizer alguma coisa, ou são mais de silêncios, defendendo aquele provérbio que "A palavra é prata, o silêncio é ouro"?