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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

A minha resistência à "toma" de medicação

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Que fique claro que eu não sou contra a medicação, quando esta se justifica, quando é a única solução, ou a mais rápida e eficaz.

Não me faço de rogada com um antibiótico, se assim tiver de ser.

Não recuso um comprimido para as dores, se estas forem insuportáveis.

A pílula, também não falha.

 

O que me chateia é que, hoje em dia, se receite medicação para tudo e mais alguma coisa.

Pior ainda, e que me deixa mesmo irritada, é prescrever-se medicação sem se saber exactamente o que a pessoa tem.

E que os médicos se preocupem mais em combater os sintomas, sem saber a causa, à base de medicamentos.

 

Esta semana tive consulta com a minha nova médica de família.

Já ia de pé atrás com ela, desde o momento em que, em visita ao meu pai, que se queixou que não conseguia dormir, ela lhe receitou antidepressivos. Que não cheguei a comprar. 

O meu pai tinha vindo de um internamento, andava com o organismo ainda desregulado. Na farmácia, pedi umas gomas naturais para ajudar a dormir. Não sei se foi psicológico (há quem diga que são apenas placebo), ou se realmente fazem efeito, a verdade é que tem dormido sempre bem.

 

No meu caso, nem sequer era para ter marcado a consulta, mas os meus sintomas estão a agravar e continuo a não saber o que tenho, porque os exames estão todos bem. Então, lá me enchi de coragem, e fui.

Como já estava à espera, veio logo com a conversa da ansiedade, e que podia receitar-me uns ansiolíticos.

Expliquei-lhe que não tinha motivos para andar ansiosa. Ah e tal, não tem que haver motivos concretos.

Então, mas como se diagnostica a ansiedade? Ah e tal, as coisas não são assim "preto no branco", há doenças que a única forma de diagnosticar é tomando a medicação.

Respondi-lhe: "então está a dizer-me que sou uma cobaia - tomo a medicação, se fizer efeito, é porque o problema é esse, se não fizer, descarta-se e passa-se à próxima tentativa?!"  

Ela não achou muita piada ao termo cobaia mas, no fundo, acabou por confirmar a ideia.

Portanto, se eu não sofrer de ansiedade, seguindo a medicação, estou a "drogar-me", a viciar-me em medicamentos que, como sabemos, trazem outros efeitos secundários, sem saber com certeza se é essa a minha doença. E se não for, pode passar a ser quando deixar de tomar os ditos comprimidos!

 

Ah, mas esperem! 

Também disse que me podia receitar um broncodilatador.

Perguntei-lhe para que servia, ao certo, um broncodilatador.

Ah e tal, é para dilatar os bronquios, e ajudar a respirar melhor.

Então, mas qual é o exame para se saber se eu tenho algum problema nos bronquios?

A espirometria.

Então, mas eu fiz a espirometria e, segundo a mesma, está tudo bem.

Ah e tal, mas pode ter uma asma ligeira, que não tenha sido detectada no exame.

Mais uma vez, vamos pela tentativa-erro! Se funcionar, então é porque eu tenho asma, ou bronquite, ou o que quer que seja a nível dos bronquios.  Se não resultar...

E por aqui se vê que os exames não detectam tudo. Aliás, o meu irmão fez o mesmo exame, estava tudo normal, e mais tarde foi diagnosticado com bronquite asmática.

 

Portanto, sem saber ao certo, já me apontou dois problemas distintos, e duas medicações diferentes.

Mas exames? Ah, isso não dá para pedir mais nada, a nível de centro de saúde. Só em contexto hospitalar.

A única coisa que posso fazer é passar uma endoscopia. Novas análises.

E, se preferir, em vez da medicação, pedir uma consulta de medicina interna, para estudar o seu caso, já que os exames não apontam para nada.

Assenti. Sim, prefiro saber o que tenho antes de tomar o que quer que seja.

 

O que não pode falhar, ali, é a citologia. A grande preocupação de todos os médicos. O exame que até os faz marcar consultas mais cedo, e arranjar vagas que, por outros motivos, não existiriam.

Mas, enfim, já fiquei despachada desse.

 

Agora é aguardar pela marcação da consulta de medicina interna, e ver no que dá.

E marcar a dita endoscopia, para ver se acusa alguma coisa porque, a nível de análises, mais uma vez, está tudo bem. Pelo menos, aquelas que a médica pediu.

 

 

Mas ainda há covid?!

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Pois, parece que veio para ficar.

Embora já ninguém queira saber.

Embora já quase nem se fale de covid.

Até porque, neste inverno, a Gripe A veio tirar-lhe todo o protagonismo.

E, ainda que assim não fosse, actualmente tudo é considerado, como antigamente, uma simples constipação ou gripe, e tratado como tal.

 

Mas ainda há covid.

A prova disso foi o teste positivo do meu marido, o da minha filha e, agora, o do meu pai.

E eu?

Até agora, os 3 testes que fiz deram negativo, mas acreditem que me sinto com covid psicológica: não tenho, mas de tanto ver positivos à minha volta, até parece que já estou com sintomas!

Quem procura, acha!

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Sempre ouvi dizer.

E foi por isso que hesitei em marcar consulta com a minha médica de família.

Porque não sabia se queria mesmo encontrar alguma coisa, ou ficar sem saber e deixar andar, em total desconhecimento.

Só que a necessidade levou a melhor.

 

Quando aquilo que sentimos começa a afectar toda a nossa rotina, toda a forma como vivemos o dia-a-dia, e acções tão básicas e fundamentais como respirar, então só há um caminho.

A primeira vez que tive estes sintomas, foi em plena pandemia, corria o ano de 2021.

Nessa altura, queixei-me à médica mas, lá está, naquele momento tinha passado, e ela pensou que eu tivesse tido covid.

 

Desde então, volta e meia, os sintomas voltavam, passavam, voltavam de novo, até que ficaram de vez.

Cansaço fácil, fraqueza, dores musculares (pernas e costas), a sensação de que todo o meu sistema imunológico está enfraquecido e, sobretudo, dificuldade em respirar. Mesmo quando estou sentada, ou deitada. Sem fazer qualquer esforço.

O receio de faltar o ar enquanto durmo, e não acordar.

Dor no peito, e tosse se acelerar um pouco o passo.

 

Fiz exames.

Foi detectado um bloqueio incompleto no coração. A vigiar. Pode causar alguns dos sintomas.

Foi detectada anemia, por falta de ácido fólico e vitamina D3. Esta última, cuja recomendação é apanhar sol, não se pode aplicar no meu caso, porque corro o risco de voltar a ter cancro da pele. Portanto, os próximos meses serão a tomar suplementos. Esta anemia pode causar alguns dos sintomas que apresento.

Quanto às alterações da transferrina e saturação, cujos valores poderiam sugerir talassemia, algo que bate certo com alguns dos sintomas, foram desvalorizadas como sem importância.

 

Foi detectado um aumento da tireoide, o que pode justificar alguns dos sintomas, pelo que terei que fazer novos exames, para perceber o que é ao certo esse aumento.

 

Foram detectadas algumas estriações fibrótico-cicatriciais apicais e dos lobos superiores nos pulmões. A médica diz que não é nada de especial, que são resquícios, e que deve ter sido algo que já veio de nascença (confesso que achei isto estranho e estou inclinada a pedir uma segunda opinião). Porque, é certo, a internet nem sempre é confiável e leva a diagnósticos errados. Mas penso que cicatrizes nos pulmões são consequência de algo que foi ocorrendo ao longo da vida, provocado por inflamações ou condições, e não são algo a menosprezar. Para além de que justificam alguns dos sintomas.

E, sempre que pesquiso, vai dar a duas palavrinhas não muito simpáticas e assustadoras - fibrose pulmonar.

 

Para além do que já referi, tenho um desvio do septo nasal. Algo que sempre tive. Pode agora estar a provocar efeitos que antes não se manifestaram. Não acredito que seja disso. Mas vou fazer mais um exame.

Como calhou numa altura em que, ao que parece, apanhei uma rinite (depois de uma conjuntivite - eu bem digo que o meu sistema imunológico está nos mínimos), foi-me receitada cortisona nasal.

Esta rinite triplicou a minha dificuldade em respirar, e o cansaço, pelo esforço que tenho de fazer para ter ar.

 

Escusado será dizer que, nestas últimas semanas, tenho andado KO, a tentar manter-me activa, a tentar que me afecte ao mínimo, mas a fazê-lo a um ritmo a que não estou habituada.

Tudo muito mais devagar. Com muito mais calma.

Uma coisa de cada vez. 

Com muitas paragens entre tarefas, enquanto caminho ou, até mesmo, enquanto como porque, como digo lá em casa "ou como, ou respiro"!

E a tentar respirar fundo a cada passo, a cada movimento, como se tivesse corrido uma maratona.

 

Vou, então, fazer mais uns exames.

E continuo a aguardar que me chamem para fazer uma espirometria, e avaliar a função pulmonar (tendo em conta que a médica pediu marcação sem urgência, não será tão cedo).

 

Tendo em conta que a médica de família está prestes a aposentar-se, pareceu-me que ela está pouco ralada porque, provavelmente, quando eu lá voltar, já não será com ela.

Até porque já não estava a aceitar marcações.

Por isso, ainda não sei quando, e a quem irei mostrar os exames e, caso seja necessário, quando e quem me irá encaminhar para alguma especialidade.

 

Até lá, o maior objectivo é continuar a respirar como conseguir.

O covid está a transformar-se nas novas gripes e constipações

Constipações - Aprender uma coisa nova por dia

 

À velocidade, e curto espaço de tempo, a que a maioria das pessoas se reinfectam, e tendo em conta os sintomas, na sua maioria, semelhantes, e já sem a gravidade assustadora dos primeiros tempos, acredito que o covid se está a transformar nas novas gripes e constipações.

Antes, as pessoas tinham uma ou outra gripe, duas ou três constipações por ano.

Agora, têm covid.

E, para alguns, é até menos sintomático, e melhor que as outras, pelos sintomas ligeiros, ou quase inexistentes, que se manifestam!

Resta assimilar, aprender a conviver, e aceitar esta nova normalidade que, neste momento, não é mais do que aquilo a que já se estaria habituado, antes da pandemia.

 

A sentir-me omicronada!

Vetores de Menina Bonita Doente Com Termômetro E Saco De Gelo e mais  imagens de Adolescente - iStock 

 

Algum dia haveria de chegar a minha vez!

Encarei isso com normalidade. Sem stress.

Mesmo não estando vacinada.

 

Não sei se foi o Omicron, ou a nova subvariante, que me apanhou.

Sei que experimentei todos os sintomas possíveis e imaginários, à excepção (felizmente) da dificuldade em respirar.

Vejamos:

- febre, muito ligeira

- um dia de dor de barriga

- dores musculares, mais nas pernas, mas suportáveis

- um pouco de tosse, bem mais ligeira que em muitas constipações que tive

- garganta irritada, mais pela impressão e de tossir, do que dor

- herpes 

- borbulhas na cara

- dormência nas mãos

- dor de cabeça ligeira

- dor de ouvidos ligeira

 

Nada disto me derrubou. 

Repeti o mantra "Não me vais derrubar, porque eu não vou permitir.", e estava a funcionar!

Dizia mesmo que já estava na fase de recuperação, até porque a maior parte destes sintomas experimentei-os quando os testes ainda davam negativo.

Mas depois...

Depois, fiquei na dúvida se tinha mesmo feito o teste Covid, ou um teste de gravidez!

 

O meu organismo é tramado, e decidiu presentear-me com um sintoma extra - enjoos.

Nem é não ter paladar. É tudo me saber mal e agoniar. 

É ter fome, mas só de pensar em comida...

 

E pronto, com a falta de comida no estômago, a fraqueza, e passar o dia na cama, por não me aguentar de pé mais do que 5 minutos. (E pensar que aguentei-me assim 9 meses quando estive grávida da minha filha.)

Os nervos pela situação do meu pai, que entretanto foi internado em estado grave, também não devem ter ajudado.

Mas parece que o pior já passou. Há que mostrar que o vírus pode ter vencido uma batalha, mas a guerra venço-a eu!

 

Já a minha filha, também infectada, e não vacinada, tem os sintomas normais de uma constipação - tosse, nariz e garganta.

 

Posto isto, podemos dizer que vivemos na sua plenitude a experiência toda da pandemia.

Adiante!