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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Deixar os outros confortáveis, deixa-nos confortáveis também?

Como Impedir as pessoas de te manipularem emocionalmente

 

Ao longo da vida, vamo-nos deparando com situações em que parece que destoamos, que não nos encaixamos. Ou as pessoas assim nos fazem crer.

Então, para que sejamos aceites, para que possamos "encaixar", moldamo-nos àquilo que é esperado de nós. Ou fazemos ainda mais, mudando a nossa forma de ser, para nos podermos integrar, e seguirmos o caminho que escolhemos.

No fundo, tentamos deixar os outros confortáveis com a nossa presença, para que não nos criem obstáculos, e tenhamos a vida um pouco mais facilitada ou, pelo menos, mais calma, sem levantar ondas, tentando passar o mais despercebidos possível.

 

Mas, até que ponto, agir de forma a que os outros, ao nosso redor, se sintam confortáveis com a nossa presença, faz-nos sentir mais confortáveis?

Será mesmo verdade que é conforto que nós sentimos? Lidamos bem com isso? Fazemo-lo sem esforço?

Sentimo-nos realmente bem com isso?

Ou será apenas uma ilusão? Um alívio por não termos que estar constantemente a lutar? Um atenuante? Uma pausa que nos deixa mais confortáveis, durante aquele período de tempo?

 

Será uma trégua temporária em relação aos outros, ou o início de uma luta interior entre aquilo que somos e pensamos, e aquilo que "somos obrigados a ser e pensar", enquanto não chegamos à meta?

 

Num dos episódios de The Good Doctor, Claire afirmava que, em toda a sua vida, tinha tentado deixar os outros confortáveis com a sua presença. E que, ainda agora, depois de se formar como médica, o continuava a fazer.

E às tantas, dizia ela para o colega "Mas tínhamos que o fazer, não tínhamos? Para chegar até aqui?"

 

Talvez...

Mas torna-se cansativo. 

E a verdade é que, como já percebemos, não conseguimos agradar a todos.

No fundo, é como se nos anulássemos. 

Deixamos de ser nós. E como é que, deixando de ser nós, isso nos fará sentir confortáveis?

De críticos e juízes, todos temos um pouco...

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E, por norma, a tendência é, quase sempre, condenar.

Mesmo sem saber. Sem ter conhecimento dos factos. Sem ouvir as duas partes.

Criticar. Demonstrar que nunca faríamos tal coisa. Que nunca agiríamos assim.

 

Mas, por vezes, não existe o certo ou o errado. O bem ou o mal. O correcto ou o incorrecto.

Por vezes, não existe culpa. Não existem culpados.

Nem todas as situações têm que ser objecto de julgamento. Nem todas são, sequer, passíveis de julgamento.

São apenas diferentes formas de estar, de viver, de pensar, de agir.

Por vezes, são apenas infortúnios. Coisas que não se poderiam controlar, ou evitar.

 

Ainda no outro dia, a propósito do acidente que vitimou a Sara Carreira, vi dezenas de comentários a dizer que teria sido por excesso de velocidade, que não deveriam estar a fazer uma condução segura, que já não era a primeira vez que iam a mais de 200km/ hora na autoestrada, que nem sequer deveriam andar na estrada àquela hora, e por aí fora.

 

Pois bem, numa manhã de um dia de verão, com sol, visibilidade perfeita, estrada em boas condições, e a uma velocidade normal, íamos nós a caminho de um dia de praia, em plena autoestrada, quando um camião achou por bem vir contra nós. Bateu-nos a primeira vez, obrigando-nos a desviar. Da segunda vez, embatemos no raid, que nos fez perder o controlo do carro, tendo o mesmo capotado e ido parar às faixas do meio.

 

Por sorte, nenhum outro carro nos bateu, enquanto lá estávamos dentro.

Por sorte, nenhum outro carro nos atropelou, quando saímos do carro, sem qualquer noção se estávamos a sair para o lado dos carros, ou para o lado do raid.

Por sorte, o carro não se incendiou.

Por sorte, mais nenhum carro esteve envolvido no acidente.

 

Portanto, até mesmo com uma condução segura estamos sujeitos a que aconteçam acidentes, e é apenas uma questão de sorte, ou azar, a forma como deles saímos.

Como é óbvio, se quem estiver na estrada tiver o azar de apanhar um piso escorregadio, lençóis de água, pouca visibilidade, uma estrada já de si perigosa, ou qualquer outra condicionante que possa agravar a situação, pior ainda.

 

Ainda na sexta-feira a mãe de umas colegas da minha filha, teve um acidente que, felizmente, só provocou ferimentos ligeiros.

Ninguém está livre. Pode calhar a qualquer um. 

Como diz o ditado "Nunca digas nunca".

 

Por isso, o que tiver que ser apurado, julgado, responsabilizado, há-de sê-lo, mais cedo ou mais tarde, por quem de direito.

E o que não tem que ser, porque havemos de querer nós, que o seja à força?

 

 

Somos apenas um número

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Um número que dá jeito ter à mão, quando tem utilidade e serve os interesses de quem dele precisa, mas também, noutras ocasiões, um número a mais, que se pode facilmente dispensar. 

 

Um número que, num dia, faz a diferença, e contribui para um resultado extremamente positivo. Um número que faz todo o sentido manter, um número importante. E, no entanto, noutro dia, apesar de tudo, um número do qual é necessário abdicar. Porque não é indispensável à equação. Porque a conta faz-se na mesma, sem ele.

 

Por muito que, em determinados momentos, nos convençam, e nos convençamos, do nosso valor, visível quando tudo corre bem, a verdade é que seremos apenas um número, quando as situações assim o exigirem.

 

E o meu sobrinho, até aqui sempre elogiado pelo bom trabalho desempenhado, que a determinado momento esteve em vias se ser promovido, foi agora informado de que o seu contrato não irá ser renovado.

Não é que não seja bom no que faz. 

Simplesmente, revonar o contrato significaria tornar-se efectivo na empresa.

E, neste momento, com o sector parado, sem grandes perspectivas de que a receita venha a aumentar significativamente, a ordem é para trabalhar com o que é mais difícil dispensar, e dispensar todos aqueles que podem, enquanto podem.

 

É a Covid-19, a fazer a primeira "vítima" na família e a mostrar, como se nos pudessemos esquecer que, no fundo, somos apenas um número.

E, no entanto, somos tão mais que isso...

 

 

Chefes e funcionários que não o sabem ser

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No mesmo dia, no mesmo local, duas situações que mostraram bem como algumas pessoas estão na profissão errada, e não têm perfil para o cargo que ocupam, ou função que desempenham.

 

 

 

A primeira passou-se entre duas funcionárias, e o contribuinte.

Ao que parece, a pessoa já tinha estado naquele serviço e sido atendida pela funcionária A, minutos antes. Agora, tinha sido chamada ao balcão da funcionária B. A funcionária A, que tinha acabado de voltar, ao ver a colega atender a pessoa, começou logo a reclamar. A reclamar com a colega, porque estava a fazer uma coisa que ela própria já tinha visto e dito que não faziam, e a reclamar com a pessoa em causa, a quem às tantas estava a chamar de mentirosa, e a acusar de enganar, e tentar conseguir o que queria, e que com ela não conseguiu, com outra colega.

A pessoa lá dizia que não tinha mentido. A colega pedia à outra para ter calma, que ainda não tinha feito nada, e que, tal como calhou com ela, poderia ter sido chamada novamente pela funcionária A. Que, por certo, ninguém estava ali a querer enganar ninguém e que, se a pessoa estava ali, tinha pelo menos que ser ouvida, e elas tentar ajudá-la.

E continuou o atendimento, perante a frustração da funcionária A, que não concordou com a atitude da colega. 

Pessoalmente, não gosto da funcionária A. Ou está de trombas, mal educada e arrogante, ou com um sorriso cínico. Poucas são as vezes que está de bom humor, e atende bem alguém. Mas, ainda que tivesse razão (e por vezes, graças a formas de trabalhar diferentes num serviço em que a regra deveria ser única, tentamos er atendidos por quem sabemos que nos coloca menos problemas), não deveria ter chamado a atenção à colega, nem dito aquelas coisas à pessoa que estava a ser atendida, para todos ouvirem.

 

 

Já a segunda situação, deixou-me ainda mais estupefacta. Passou-se entre uma chefe, e os funcionários, também na frente de todos (neste caso, eu, que era das últimas pessoas que ainda lá estava).

A pessoa no balcão ao lado do meu levava vários assuntos para tratar e, já se sabe que, quando assim é, podemos demorar ali horas. Tal como eu que, apesar de levar um só assunto, era complicado e demorou mais que o previsto.

Quando a pessoa ao meu lado finalmente saiu, entrou uma chefe no local, que se virou para o funcionário que tinha atendido a dita pessoa e disse: "demoraste muito tempo a atender a última pessoa, uma hora e meia". Fiquei tão parva com este comentário, que nem percebi se o funcionário lhe deu resposta.

A funcionária que me estava a atender, aproveitou que a chefe estava ali, para expor o problema com o meu assunto mas a chefe, ao invés de prestar atenção, estava descaradamente a ignorá-la, preferindo prestar atenção a outra coisa.

Quando finalmente se dignou prestar atenção à colega, pouco disse para a ajudar. Basicamente, limitou-se a concordar com o que a funionária estava a dizer. Não sei se por não ter apanhado nada, ou por não saber nada do assunto.

E ainda ficou por ali a tomar conta dos funcionários, a vigiar, saindo apenas uns minutos depois.

Acho que estes ditos "chefes" deveriam vir algumas vezes para o serviço de atendimento, para perceber o que os funionários passam com algumas situações, assuntos e contribuintes que atendem, para evitar estas "bocas" desnecessárias sobre o tempo de atendimento.

Ao que parece, mais do que atender bem e resolver os assuntos, o que conta é atender o máximo de senhas, no menor número de tempo, mesmo que não resolvam nada.

E assim se percebe porque, muitas vezes, à mínima coisa, nos despacham!

 

 

As "bengalas" da nossa vida

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"Juliana foi, em tempos, uma exímia patinadora, vencedora de vários prémios entre os quais o tão almejado Patim de Cristal. Até que, um dia, sofreu um acidente que lhe provocou uma lesão grave, que a impediria de voltar a patinar, e a deixou com uma deficiência na perna. Desde então, para caminhar, não dispensava a preciosa ajuda da sua bengala. Ano após ano. No início, era uma necessidade. Agora, era apenas uma defesa sua. Demasiado segura com ela, foi difícil perceber que se poderia sentir igualmente forte, sem a bengala. Porque a força não vinha da bengala, mas da sua mente, da sua vontade, do seu desejo. E hoje, ela caminha perfeitamente, sem bengalas..." 

 

 

 

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Também nós, por vezes, somos como a Juliana.

De tão acostumados que estamos a determinadas coisas, situações, pessoas, sentimo-nos tão seguros, apoiados, protegidos, fortes, capazes, que nos mentalizamos que, sem elas, não conseguiremos viver a nossa vida, seguir em frente. Que dependemos delas e, sem as mesmas, nada fará sentido.

Querer tirar-nos isso, ter que viver de outra forma, colocar-nos noutras situações, é como tirarem uma parte de nós, que nos complementa, que nos ajuda, que precisamos. 

 

 

 

Mas esse pensamento não poderia ser mais errado.

Nem sempre é mau sair da nossa zona de conforto. 

Podemos sentir falta durante uns tempos, da comodidade, da segurança, do apoio, da confiança, da força e protecção que nos dava a nossa "bengala". Podemos estranhar não a podermos utilizar mais, e até sentirmo-nos um pouco perdidos sem ela.

Mas, com o tempo, percebemos que, na verdade, há muito que ela não nos fazia falta, há muito que poderíamos caminhar sem ajuda, e apenas tínhamos receio de encarar essa realidade, à qual já não estávamos habituados.

E compreendemos que, no fundo, somos mais livres, e vivemos muito melhor sem ela!