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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Reflexão do dia

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Que peso tem a família, nomeadamente a mais próxima (pais, avós, irmãos), no que respeita às decisões amorosas do familiar?

 

Será que, no momento em que avaliamos se a pessoa por quem estamos apaixonados e amamos, é a aquela com quem queremos partilhar a nossa vida, temos em conta o que a nossa família acha dessa pessoa?

 

A opinião da nossa família terá alguma influência na decisão que eventualmente tomarmos?

 

É possível uma união, seja ela qual for, sobreviver no meio de guerras entre familiares de ambos os lados, e desaprovação da relação por parte das famílias?

 

Devemos abdicar do amor, em prol da união da família, ou devemos lutar por este, ainda que se percam, pelo caminho, pessoas que julgámos que estariam sempre ao nosso lado, a apoiar a nossa felicidade? 

Lion - A Longa Estrada Para Casa

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Vi no fim de semana este filme,por insistência do meu marido, que já tinha visto uma parte e achou que o filme era bom.

Sei que, por ocasião dos Óscares de 2017, era um dos candidatos e reuniu várias críticas, algumas positivas, mas não me lembrava já do que se tinha falado ao certo sobre ele.

 

Na primeira parte do filme, foi possível constatar a miséria, a pobreza, as más condições em que vivia aquele povo, a forma como tinham que se desenrascar para sobreviver. Ainda assim, em família, o pouco que tinham era partilhado. Havia amor, havia união.

Quando Saroo é levado para Calcutá, voltamos a ver mais miséria, a forma como vivem os sem abrigo, muitas crianças nas ruas obrigadas a sobreviver a traficantes, pedófilos, e à própria polícia mas, ainda assim, na sua pobreza, solidários com aqueles que encontram em condições semelhantes.

Ali, todas aquelas crianças estavam em risco. E se, por cá, temos instituições e casas de acolhimento para estas crianças e jovens (ainda que algumas sejam pouco recomendáveis), duvidei que por ali houvesse algo do género.

No entanto, até havia! Mas o objectivo, por muito nobre que fosse tendo em conta o local e as condições, assemelhava-se mais a uma prisão, em que as crianças eram maltratadas e vítimas de abusos, pelo que acabamos por ficar na dúvida se teria sido preferível Saroo continuar nas ruas, ou ter sido levado para tal abrigo.

Destaco a assistente social que, ao contrário daquilo que poderíamos estar à espera - uma carrasca e sem coração - era a única pessoa decente, que viu que Saroo não poderia ficar ali muito tempo na instituição. Pena que as restantes crianças não tenham tido a mesma sorte.

E, assim, Saroo é adotado por uma família australiana, cheia de amor para lhe dar, e que acabou por ser a sua salvação. À semelhança do que fizeram com Saroo, adoptaram mais tarde outro menino indiano - Mantosh, mas este com marcas muito mais profundas, que lhe valeram o desenvolvimento de problemas mentais. E por aí percebemos que nem todas as adopções correm da melhor forma, e nem todas as crianças são iguais.

Mas estas duas adopções foram gestos de amor, de generosidade - abdicar de ter os próprios filhos, para dar uma vida melhor a crianças que mais precisam.

 

 

E saltamos agora para a segunda parte, em que ambos são adultos, para chegar a uma conclusão - embora seja dada a mesma oportunidade a duas pessoas diferentes, haverá sempre aquela que aproveita e tira partido dessa oportunidade, e aquela que a desperdiça e deita no lixo.

Haverá sempre aquela com quem se consegue trabalhar e levar a bom porto, e aquela que nenhuma ajuda poderá alterar o seu destino. E é, também, por isso, que nem sempre é gratificante e compensador trabalhar com crianças e jovens em risco. Porque no meio de muitas, poucas são as que fazem valer a pena todo o trabalho que se desenvolveu com elas.

Claro que haverá muito mais na história de Mantosh, para além do que nos é mostrado, e as coisas podem não ser assim tão lineares e tão "preto no branco". Mas isso ficará,quem sabe, para outro filme.

 

A determinada altura, Saroo começa a querer procurar a sua família verdadeira, e torna esse desejo uma obsessão. Não acho que ele esteja a ser ingrato para com os pais adotivos. Considero apenas que algumas das suas atitudes, erradas e parvas, são resultado de uma mente em extrema confusão, de um homem perdido entre o passado e o presente, sem conseguir encontrar o seu caminho.

Por vezes, até os filhos mais certinhos saem da casca e agem como perfeitos idiotas.

 

 

Achei o filme demasiado longo, com cenas que eram escusadas e que em nada contribuiram para valorizá-lo. Poderia ter sido dada outra dinânica a esta segunda parte em que Saroo tenta descobrir de onde veio, e se a sua família ainda estará viva. Houve também um pormenor que talvez me tenha escapado, ou delirei, mas fiquei com a sensação de que, no início do filme, eram quatro irmãos: Guddu, Saroo, Kallu e Shekila. No entanto, no final, quando se reencontram, não fazem referência a Kallu, como se nunca tivesse existido.

Embora tenha sido um filme que deu origem ao debate de alguns temas, lá por casa, e que o meu marido adorou, confesso que não é daqueles filmes que tenha vontade de ver uma segunda vez, ou me tenha tocado como outros o fizeram. 

 

 

Animais perigosos ou animais potencialmente perigosos?

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Muito se tem falado, nos últimos tempos, sobre a existência ou não de animais perigosos. A questão prende-se, mais especificamente, com cães perigosos, mas eu prefiro abranger toda a categoria "animais".

 

Ainda no outro dia falava sobre isso com o meu marido, que me dizia que não existem animais perigosos, e que são as pessoas que os tornam agressivos.

Não concordo totalmente com ele. Existem animais que nasceram para ser livres, e viver nos seus próprios habitats. Que são, pelas suas mães/ pais, preparados para sobreviver nesse habitat, a desenvolver o seu instinto, a caçar as suas presas. Aqui não existe "mão humana". Apenas a própria natureza dos animais. Sendo que a maior parte, quando ataca humanos, é por estes estarem no seu território, por uma questão de instinto, sobrevivência, defesa do seu território, protecção. Ou então, quando os humanos tentam mudar a sua natureza, tentando domesticá-los, trazendos para fora do seu habitat, prendendo-os. Até podem conseguir. E um desses animais a que apelidamos de "selvagens" até pode ser bastante meigo para os humanos, e conviver bem entre eles. Mas o risco está presente. Pode não se manifestar, mas está presente.

 

Assim, no que respeita aos animais em geral, a pergunta que coloco é:

Existem animais perigosos, ou animais de raça/ espécie potencialmente perigosa?

É que um animal de raça/ espécie potencialmente perigosa, quando bem educado e treinado, ou devido à sua própria personalidade, pode ser um animal perfeitamente sociável e meigo.

Por outro lado, um animal aparentemente inofensivo, pode virar, de um momento para o outro, uma fera e atacar, sem sabermos bem porquê.

Mas também o próprio ser humano é assim. Quantas vezes não temos conhecimento de actos bárbaros praticados por pessoas de quem nunca suspeitaríamos, e que considerávamos "boas pessoas". Sim, por vezes o bandido é aquele homem de família exemplar, e não o ladrão da esquina, de quem todos suspeitaríamos. 

 

O que acontece, na maioria das vezes, é que o potencial está lá, seja em que animal/ raça/ espécie for, existindo raças/ espécies com maior potencial que outras, e pode permanecer sempre adormecido, sem se dar por ele, ou ser despoletado pelo próprio instinto, por acicatamento, por factores externos à sua personalidade, pelos que o educam e rodeiam, ou por quem lhes tenta fazer mal.

Será, talvez, aí que a "mão humana" entra: na forma como lida, educa e incita ou mantém adormecido esse potencial. E isso dependerá, muitas vezes, do carácter e personalidade do próprio dono, da forma como ele próprio age, da forma como cumpre ou não as regras de segurança para com os demais.

E o que é certo é que não faltam exemplos de animais potencialmente perigosos, que foram capazes de atitudes que muitos humanos nunca teriam, e que já salvaram muitas vidas humanas. E ainda dizem que os perigosos são eles...

 

 

A Hora do Lobo

 

O grande segredo que esconde a Natureza é o equilíbrio – a base da vida, e de tudo o que nos rodeia. Quando ele se perde, quando ele se quebra, quando ele destabiliza, tudo à nossa volta muda, nada será igual, e teremos que lidar com as consequências.  

 

 

 

 

Ali, os lobos, predadores, alimentavam-se das gazelas, suas presas. Esperavam o momento mais adequado, com calma, e atacavam, não lhes dando hipótese de fuga.

Dizia Chen Zhen, um jovem professor enviado para as estepes mongóis, tal como a maioria dos humanos - “os lobos são maus”.

Respondeu-lhe o Bilig, o líder da estepe “Não são os lobos que são maus, são as gazelas que o são. Porque comem toda a vegetação, não deixando alimento para as restantes espécies, e gastando os solos”.

Logo em seguida, ao ver uma gazela ainda viva, no meio de um cemitério de gazelas para ali atraídas pelos lobos (também chamado de frigorífico dos lobos), Bilig ordena que a deixem partir livremente.

E Chen Zhen, perante a afirmação anterior, volta a questionar: “se as gazelas são más, porque deixou esta partir?”.

“Porque os lobos caçaram demasiadas. Se ficarmos com tudo e não controlarmos as gazelas que sobram, depressa os lobos ficarão com fome, e virar-se-ão para as nossas ovelhas”, respondeu Bilig!

Lá está, embora nos pareça cruel a caça dos lobos às gazelas, faz tudo parte do equilíbrio que tem que ser mantido na Natureza.

 

 

 

Também deveríamos saber que, por mais que queiramos, não se deve contrariar a natureza. Por mais que tentemos, ela acabará sempre por fazer-se valer.

Isto vale, igualmente, para os animais que, muitas vezes, por curiosidade ou porque queremos fazer a diferença, teimamos em domesticar. Só estaremos a ir contra a ordem natural das coisas. E a destruir a alma, o orgulho e a dignidade desse animal.

O lobo é um predador por natureza, precisa de correr, de caçar, de lutar, de sobreviver, de ganhar uma luta. Se tudo lhe for dado de bandeja, se tudo for feito para o proteger, ele nunca será um verdadeiro lobo. Mas também nunca será um cão…

Chen Zhen, levado pelo fascínio pelos lobos, e contra todos, decide criar um lobo bebé como se fosse um cachorrinho. Mas este lobo, embora não tenha os instintos totalmente desenvolvidos, como se tivesse crescido livre, guarda-os consigo, e vai mostrá-los quando a oportunidade surge.

 

 

 

Outra das lições a tirar deste filme é que a natureza é como um boomerang. Cada vez que o lançarmos, podemos ter a certeza de que ele um dia irá voltar para as nossas mãos. O que trouxer, dependerá daquilo que pretendemos fazer quando o lançámos. Mas é bom que saibamos que, para cada acção que intentarmos contra a Natureza e o seu equilíbrio, seremos nós quem irá pagar por ela.

 

Por último, posso dizer-vos que este filme me fez sentir muitas emoções ao mesmo tempo, muito por culpa dos incríveis lobos.

Há gente que mata por matar, por prazer, por obrigação, por necessidade, por veneração…e o filme tem cenas mesmo muito chocantes e violentas. À excepção de Chen Zhen, Bilig e mais uma ou outra personagem, pode-se dizer que os animais são seres muito mais dignos que os humanos que aqui mostram. E continuamos a ter muito para aprender com eles!  

 

 

Sobre o filme:

Ano de 1967. A China é governada por Mao Tsé-tung (1893-1976), que implementou a Revolução Cultural e mudou radicalmente a vida do seu povo. Chen Zhen é um jovem estudante de Pequim que é enviado para uma zona rural da Mongólia para educar uma tribo de pastores nómadas. Ali vai descobrir uma ligação antiga entre os pastores, o seu gado e os lobos selvagens que vagueiam pelas estepes. Para os mongóis, o lobo é uma criatura quase mítica que é parte integrante da sua comunidade e os liga à natureza. Fascinado pela profunda ligação entre as alcateias e os seres humanos que ali habitam, o rapaz decide salvar uma cria e domesticá-la. Porém, quando o Governo cria uma nova lei que obriga a população a usar de todos os meios para eliminar os lobos da região, o equilíbrio entre a tribo e a terra onde vivem é ameaçado…
 
Com assinatura do realizador francês Jean-Jacques Annaud ("O Nome da Rosa", "Sete Anos no Tibete", "O Urso", "Dois Irmãos"), um drama de aventura que se baseia no "best-seller" semiautobiográfico com o mesmo nome escrito, em 2004, por Jiang Rong (pseudónimo de Lü Jiamin). Para o filme, Annaud, que já antes trabalhara com animais, adquiriu uma dúzia de crias de lobo amestradas durante vários anos por um treinador canadiano.

 

 

 

 

Um outro olhar sobre o Jardim Zoológico

 

Que eu me lembre, nos meus 37 anos, devo ter ido umas 3 ou 4 vezes ao Jardim Zoológico de Lisboa (nunca fui a nenhum outro, nem outro espaço do género).

A primeira vez foi na minha infância, e pouco me lembro.

A segunda, quando a minha filha tinha uns 3/4 anos, e foi uma tarde para esquecer, porque a menina estava com a birra, não queria ver nada, não queria andar e fazia "trombinhas" para a máquina fotográfica sempre que lhe queríamos tirar uma fotografia (o que nos rimos agora as duas quando eu lhe conto isto)!

 

 

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Nessa altura, o objectivo era ir até lá passear e ver os animais. Como muitas pessoas, também ficávamos aborrecidos quando não os conseguíamos ver, ou sempre que um determinado espaço estava encerrado para manutenção.

Era uma forma de passar um dia em família, a visitar animais que, de outra forma, nunca conseguiríamos ver em Portugal. 

 

 

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Recentemente, voltei lá, com o meu marido e a minha filha, e com um outro olhar sobre aquele mesmo espaço. Lembro-me, automaticamente, do filme "Madagáscar".

Haverá animais que, eventualmente, se poderão sentir bem ali, mas será que outros não preferiam estar no seu habitat natural?

A verdade é que, comparativamente a anos anteriores, o espaço está muito mais adaptado às necessidades dos animais, em termos de recriação dos habitats naturais, mas será isso o suficiente?

 

 

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A primeira questão que me coloco é: como é que todos aqueles animais ali chegaram ao Zoo? E com que objectivo?

Por certo, não será apenas pela vertente financeira. A verdade é que gerir um espaço como este, alimentar todos aqueles animais, cuidar da sua saúde e higiene e proporcionar as condições mínimas de habitabilidade no Zoo, deverão justificar os preços de bilheiteira actualmente praticados. 

 

Será somente pela vertente lúdica? Não me parece que seja, até porque os animais, embora muitas vezes encerrados em espaços próprios, não estão propriamente a fazer acrobacias o tempo todo para os visitantes, por obrigação. Ou brincam porque lhes apetece, e nós até achamos piada, ou fazem exibições programadas que, ainda assim, nem sempre acontecem se eles não estiverem "para aí virados".

 

 

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Será, então, uma junção destas duas vertentes, aliada a uma questão de preservação de determinadas espécies que, no seu habitat natural, arriscavam-se à extinção?

Terão muitos daqueles animais chegado ali por uma questão de segurança ou sobrevivência?

Estarão estes animais mais bem tratados e seguros neste tipo de espaços, que no seu habitat?

 

 

A segunda questão é o desapontamento de muitos adultos perante o pagamento de um bilhete tão caro, face à possibilidade de não ver alguns animais

Lamento, mas é mesmo assim. Já basta eles estarem ali, quanto mais ainda estarem à disposição de quem os visita! Os animais não têm culpa que cobrem para os visitar. E nem sempre estão com disposição para exibições, para aturar milhares de visitantes a querer que façam isto ou aquilo para ficar bem na fotografia, ou porque pagaram para isso, dia após dia, semana após semana. Nem nós, humanos, temos por vezes paciência, quanto mais os animais.

É normal que eles se escondam, que evitem a confusão, que não queiram dar um ar da sua graça, que queiram estar sossegados no seu canto.

 

 

 

 

Por último, e no caso específico da Baía dos Golfinhos, e do espectáculo das aves, a interação, cumplicidade, confiança e amizade entre os animais e os tratadores humanos

Imagino que, para se conseguir o resultado final que nos é mostrado em cada espectáculo, se perderam muitas horas de treino, de convivência, de pequenos progressos. 

É preciso uma grande cumplicidade e confiança que levam tempo a conquistar, e que permite que o público assista a todas aquelas acrobacias com que nos brindam a cada novo show.

A que custo isso é conseguido? 

Quero acreditar que tudo assenta numa base de confiança e amizade entre o tratador e o animal em causa, e respeitando os animais, e não treinados com recurso a métodos pouco recomendáveis.

Em último caso, à base de muitas recompensas!

Sim, porque se repararem bem, por cada manobra ou acrobacia que fazem, ganham um peixinho ou outro mimo. E, sem eles, não trabalham!

É preciso arcas ou sacolas com muito alimento em cada exibição, para os cativar e ter vontade de mostrar o que andaram a treinar.

 

 

 

 

 

A conclusão a que chego é que, ao mesmo tempo que continuo a considerar uma visita aconselhável e agradável para se fazer em família, acabo, talvez, por não desfrutar da mesma forma que antes, por haver uma dualidade de sensações contraditórias e, mesmo sem querer, a questionar tudo o que está por detrás daquilo que vemos!  

 

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