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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

A indiferença do ser humano para com os que o rodeiam

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Estava, no outro dia, no carro, com o meu marido, a descer a rua do meu trabalho, quando vejo um senhor que costumava encontrar algumas vezes, quando ia levar a minha filha à escola.

O senhor tem dificuldades de visão. Não sei se será totalmente cego, mas vê muito pouco, e anda sempre com a sua companheira bengala branca, para saber, literalmente, onde pôr os pés.

 

Nesse dia, o senhor estava à beira da estrada, por sinal movimentada, e ora dava um passo à frente, iniciando a travessia para o outro lado da mesma, ora dava um passo atrás, provavelmente alertado pelo som dos carros que desciam a rua. Ainda fez isto duas ou três vezes, até decidir que era mais seguro ficar no mesmo sítio.

 

Dizia o meu marido que é triste, ninguém ajudar o senhor a atravessar a estrada.

É verdade.

As pessoas, hoje em dia, e cada vez mais, com as devidas excepções, tendem a pensar mais em si próprias, na sua vida, nos seus problemas, que nos outros.

 

É incrível a indiferença do ser humano para com todos aqueles que o rodeiam, nas mais diversas situações.

Muitas vezes, olhamos mas fingimos que não vemos.

Ou estamos com demasiada pressa para prestar ajuda a quem dela precisa.

Algumas vezes, achamos que haverá alguém que tome a iniciativa e, como tal, não temos que nos preocupar.

Não raras vezes, até manifestamos, em pensamento, a intenção de agir, mas não passa mesmo do pensamento.

Outras, simplesmente, pensamos em nós mesmos.

 

 

A propósito, vi um vídeo esta semana, em que uma mulher, no comboio, deu o seu lugar a um senhor idoso, depois de os restantes passageiros olharem para ele de lado, ignorando-o, ficando ela de pé por várias horas. Só mais tarde, quando o revisor indicou à senhora um lugar vazio noutra carruagem, perceberam que a própria também tinha dificuldades de locomoção e, ainda assim, tinha feito aquilo que mais ninguém fez.

E, na realidade, já me deparei, por diversas ocasiões, com assentos livres, ou meramente ocupados por malas, mochilas ou qualquer outra coisa, e não deixarem ninguém sentar-se, ou afirmar que os lugares estavam guardados!

Ainda este verão, num dos dias em que íamos no autocarro, iam várias pessoas em pé, quando havia um lugar livre. Mas a pessoa que estava no assento ao lado, em nenhum momento, se chegou para o outro, ou deu passagem para alguém se sentar.

 

 

Infelizmente, a indiferença e inacção manifestam-se das mais variadas formas, e nas mais diversas situações, muitas vezes para com aqueles que mais precisavam que reparássemos neles.

Seja por preguiça, por egoísmo, por desprezo ou, simplesmente, porque esperamos que alguém faça aquilo que, a nós, não nos apetece muito...

 

 

 

Portugal é um país onde tudo é permitido?

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Dizem que Portugal é um país de brandos costumes, onde as regras e as leis pouco se cumprem, onde os infractores, na maioria das vezes, ficam impunes.

Também dizem que somos um povo acolhedor, que sabe receber bem, quem vem de fora.

 

 

Não sei se será por isso que alguns estrangeiros deduzem que podem chegar cá e fazer tudo o que lhes apetecer, porque nós aceitamos na boa, sem stress.

Sabendo nós como são rígidos outros países, no que respeita ao cumprimento de determinadas regras de convivência em sociedade, na exigência de determinados comportamentos, para com os outros, para com os espaços públicos, para com o ambiente, não se percebe como, chegando a Portugal, não agem de igual forma.

Talvez, para eles, o seu próprio país seja uma espécie de "escola", onde todos têm que ser bem comportados, e Portugal o "recreio", onde podem descontrair e descompensar.

 

 

Por vezes, até me pergunto se, por exemplo, os sinais e regras de trânsito em Portugal serão diferentes dos outros países? E, já agora, as boas maneiras?

Ainda ontem vinha uma família de estrangeiros numa rua em sentido proíbido, como se nada fosse.

No outro dia, na fila para o autocarro, puseram-se à frente de quem já lá estava, como se fosse algo absolutamente normal, até que lhes chamaram a atenção de que aquilo era uma fila por ordem de chegada, e tinham que ir para trás.

Nas esplanadas, é vê-los à vontade, com os pés em cima das cadeiras, como se estivessem no sofá, nas suas casas.

 

 

Será, Portugal, um país onde tudo é permitido?

The Society

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Imaginem que, de um momento para o outro, os nossos filhos se viam sozinhos, no sítio onde vivem, mas sem qualquer adulto presente, e sem qualquer forma de sair desse local.

Imaginem que não conseguiam contactar com ninguém, e não faziam a mínima ideia do que tinha acontecido, nem onde estariam os pais, a família, as autoridades, ninguém.

Apenas adolescentes, sozinhos, sem saber o que fazer...

O que acham que resultaria daí?

 

 

Provavelmente, ficariam assustados.

Depois, aproveitavam a liberdade temporária para fazer o que mais queriam, sem reclamações ou proibições.

Em seguida, começariam a sentir falta de quem fazia tudo por eles, saudades dos pais.

E, com os mantimentos em casa a acabar, haveria uma correria aos supermercados e um açabarcamento de tudo aquilo que pudessem, para sobreviver.

Começaria a haver insegurança, instabilidade, o "salve-se quem puder", e o "cada um por si".

Até que alguém tome as rédeas da situação, e comece a impor ordem, regras, alguma forma de as coisas funcionarem como for possível, sem haver muitos mortos e feridos, sem a coexistência em tais circunstãncias descambar num verdadeiro caos...

 

 

Mas, quem teria autoridade para tal?

Quem teria o direito de se assumir como líder perante os restantes?

Quem assumiria a responsabilidade de guiar, gerir, ditar a vida de todos, de tomar decisões e pedir a colaboração dos restantes?

Existe sempre quem queira o poder para si, mas não saiba o que fazer com ele, e se deixe manipular. Existe sempre quem queira o poder para si, para o usar em nome dos seus próprios interesses e, muitas vezes, para o mal.

Há quem não o queira, mas o mesmo lhe venha parar às mãos. E há quem o herde, e tenha que geri-lo para o bem de todos, apesar das constantes críticas, oposição, revolta.

 

 

A ideia seria criar uma espécie de democracia. Mas, quanto tempo leva a democracia a tornar-se uma ditadura? Principalmente, quando se vive um clima de insatisfação, de descontentamento, de aparente resignação e concordância, mas com o desejo de que tudo seja diferente, agarrando-se a promessas de melhor vida e melhores soluções?

 

 

Conseguiriam os nossos filhos aguentar-se? Viver desta forma? Passar a fazer tudo aquilo que, antes, tinham quem fizesse por eles, quem decidisse por eles, quem os guiasse e orientasse? Estariam dispostos a cumprir regras, a seguir ordens, a partilhar, a contribuir, a pensar no colectivo, e não no individual?

Quanto tempo levaria a desafiarem-se, a atropelarem-se, a agredirem-se, a matarem-se uns aos outros?

 

 

É isto que acontece em The Society, com os adolescentes de West Ham, que ali vivem, a terem que, sozinhos, criar uma sociedade que lhes permita sobreviver, até que consigam perceber o que se passou, onde estão, o que aconteceu a todos os adultos, e se é possível voltar tudo ao normal, antes de morrerem.

É preciso garantir a segurança de todos, racionar os recursos, distribuir funções, manter-se ocupados e distraídos da tristeza e receio que sentem ao se verem totalmente abandonados e entregues à sua sorte.

 

 

Vai ser a oportunidade para alguns, de se tornarem melhores pessoas, de se descobrirem e perceberem quem são e o que querem da vida, de crescerem... Mas também vai mostrar como as pessoas podem perder o seu carácter, mediante as circunstâncias, e agir de uma forma que nunca esperaríamos.

No fundo, não muito diferente da sociedade em que vivemos.

E quando quem não deve, assume o poder, pode-se esperar tudo...

Agarra-te à Vida, Não ao Cabelo

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Vi o trailer deste filme no facebook, e despertou-me o interesse. 

Pelo trailer, pensei que a protagonista fosse sofrer de cancro, e começasse a perder o cabelo devido à quimioterapia, mas não podia estar mais enganada.

Aqui neste filme, o problema não é físico, é psicológico. O que pode ser tanto, ou mais limitador, na vida de uma pessoa.

 

 

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Desde criança que a mãe de Vi lhe incutiu a necessidade de manter o seu cabelo sempre liso, para evitar a discriminação ou piadas, devido às características do seu cabelo, por ser negra.

Isso implicava que, enquanto todas as outras crianças se divertissem, Vi evitasse tudo o que poderia prejudicar a aparência do seu cabelo.

Mas, o que poderia ser um mero gesto de vaidade, acaba por se tornar uma obsessão, ao ponto de Vi limitar e viver a sua vida em função de um cabelo sempre perfeito, agindo como um robot, e não como humana que é.

 

 

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O dia do seu aniversário acaba por ser o ponto de partida para a libertar desse peso dos padrões de beleza que carrega dentro de si.

Vi tinha, aparentemente, o emprego perfeito, a vida perfeita, o namorado perfeito, o cabelo perfeito. E tudo parecia encaminhado para o grande momento - o jantar em que, supostamente, iria ser pedida em casamento.

Depois de a chuva lhe arruinar o penteado, e de um percalço no salão, Vi acaba por aparecer no jantar com extensões, depois de um escândalo, por achar que, mais uma vez, tinha que estar perfeita para o pedido de casamento que esperava.

Só que o namorado oferece-lhe uma medalha, e uma cachorrinha, em vez de um anel de noivado e, no meio da discussão, em que o namorado a acusa de não saber viver, de só pensar nas aparências e nem sequer aproveitar os momentos, parecendo artificial, e não natural, acabam por terminar a relação.

 

 

 

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Vi muda então o seu visual, e decide ir divertir-se com as amigas, e engatar o primeiro homem que lhe aparecer.

Claro que as coisas, mais uma vez, não correm como o esperado, e Vi acaba por tomar uma atitude radical: rapar o cabelo, que só lhe trouxe tristeza e infelicidade.

 

 

 

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A viver uma fase de descoberta, e a habituar-se ao novo look, Vi acaba por viver os melhores momentos da sua vida, e aproveitá-la como nunca tinha feito até aí, ao lado de alguém que aprecia muito mais do que o lado superficial das pessoas.

Este é um filme onde se vê as mulheres a sujeitarem-se aos padrões impostos pela sociedade, e pelas suas próprias inseguranças, agarrando-se a futilidades, esquecendo-se do seu próprio valor, em vez de se agarrarem à vida, que é tão efémera, e merece ser vivida em toda a sua plenitude.

É também um filme que mostra a hipocrisia, e como nunca devemos mudar só para agradar a alguém, se não for isso também o que queremos.

E através do qual percebemos que, muitas vezes, por mais que uma pessoa nos ame e nos queira bem, temos tendência a recair com aqueles que nos magoam, e não nos amam de verdade, sobretudo, quando o aspecto físico fala mais alto.

 

Conseguirá Vi perceber a tempo o quão errada está, e evitar cometer os mesmos erros duas vezes, ou será que a aceitação de todos à sua volta, e da sociedade em geral, falará mais alto, impedindo-a de se agarrar à vida?

 

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