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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Reabilitação e reinserção social

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Estão interligadas.

Embora se possam manifestar com resultados diferentes.

Será muito difícil existir reinserção, se não houver, antes, a reabilitação. A reabilitação será sempre a primeira etapa.

Se as pessoas tiverem passado essa etapa com sucesso, segue-se a reinserção. Que é mais difícil, e nem sempre acontece. Ainda que a taxa de reabilitação seja elevada, o mesmo poderá não vir a acontecer com a reinserção, muito por conta da desconfiança, do estigma, da falta de integração dessas pessoas.

E, então, pode-se dar o caso de a baixa taxa de reinserção, levá-las a retroceder, e voltar a reincidir, destruindo todo o processo de reabilitação pelo qual já tinham passado, e ultrapassado.

Se não se mudar a equação assistiremos, cada vez mais, a pessoas que preferem nem sequer passar por estas etapas, porque perdem a fé na aceitação da sociedade, ao seu esforço por se tornarem melhores, concluindo que não vale a pena e, portanto, mais vale continuarem à margem, da forma que lhes for mais vantajosa, e menos humilhante.

O papel mais difícil de desempenhar na vida

Pode ser uma imagem de criança, céu e texto

 

São dois, na verdade.

O papel de pai/ mãe. E o papel de filho(a).

 

Não é fácil ser filho(a).

Há que corresponder a demasiadas expectativas que, para si, foram criadas, pelos pais. Ao nível de exigência que lhes é imposto. 

Estão, muitas vezes, sujeitos a comparações com irmãos, colegas, amigos, filhos de amigos dos pais.

Estão, muitas vezes, condicionados pelos pais, pela função que exercem, pelo papel que têm na sociedade, e nos seus grupos.

E, como se isso não bastasse, ainda têm que lidar com os seus próprios problemas. 

Com a aceitação dos colegas e amigos, gerando sentimento de pertença a algo. Ou com a exclusão, se não se identificarem com o grupo.

Têm que aprender a viver num mundo que é só deles, e os pais pouco poderão fazer para tornar esse mundo melhor. Podem dar-lhes ferramentas. Mas não podem travar as suas lutas.

Podem até compreender. Mas não são eles que estão a viver.

E gera-se frustração, desilusão, impotência, solidão.

 

Não é fácil ser pai/ mãe.

Porque não há livro de instruções. Nem receita para esse papel.

Podemos dar tudo o que temos aos filhos. Todo o amor, toda a compreensão, todo o apoio, todo o carinho. Todo o nosso tempo. E, ainda assim, não ser suficiente. E, ainda assim, descobrirmos que tudo falhou.

Da mesma forma que, muitas vezes, falha com aqueles pais que não têm tempo para dedicar aos filhos, e os deixam entregues a si mesmos.

Porque, na verdade, é impossível conhecer os nossos filhos na totalidade.

Eles só nos mostram a parte do seu mundo que querem que nós vejamos. A outra, só eles sabem.

E nós, seja porque não conseguimos ver mesmo, porque fazemos por não ver, ou porque estamos demasiado ocupados a olhar para outro lado, estamos longe de perceber o lado não visível.

Criamos uma imagem dos filhos, e é com ela que vivemos. Não significa que seja verdadeira. Ou totalmente verdadeira.

E é algo que nunca iremos conseguir ver, se os nossos filhos não se sentirem à vontade para mostrar. Se não sentirem que o podem fazer. Se não acreditarem que vale a pena.

Por outro lado, eles são eles, e têm uma palavra a dizer sobre a sua vida. Sobre quem são. Sobre quem irão ser. Nem tudo está nas nossas mãos e, como tal, nem sempre há algo que possamos fazer.

Mais uma vez, gera-se frustração, desilusão, impotência, solidão.

 

Depois, há, por vezes, um grande desencontro de pensamentos e intenções entre estas duas gerações, que levam a que a relação, em vez de se fortalecer, enfraqueça e que ambos, em vez de se unirem, se afastem.

 

Os pais, adultos, com experiência, acham sempre que sabem o que é melhor para os filhos. Qual a melhor forma de os educar para que se tornem adultos "funcionais", integrados e aceites pela sociedade.

Os filhos, acham que os adultos não são capazes de os compreender e, como tal, não os conseguirão ajudar, estando entregues a si mesmos.

 

Os pais, tentam não se meter muito na vida dos filhos porque acham sempre que eles veem isso como uma intromissão, invasão de privacidade, e não gostam.

Os filhos, acham sempre que os pais não perguntam nada, porque não querem saber, porque andam demasiado ocupados para se preocuparem com eles.

 

Os pais, ainda que os filhos não se abram com eles, acham sempre que sabem como os filhos se sentem, porque são seus filhos.
 
Os filhos, ainda que não digam o que sentem, acham sempre que os pais deveriam sabê-lo, pelo simples facto de serem pais.
 
 
Os pais, acham sempre que, quando tudo dá errado com os filhos, é culpa é sua. Ainda que não saibam bem qual. Ou dos filhos, quando se querem descartar dela.
 
Da mesma forma, os filhos culpam-se sempre. Ou culpam os pais, só porque acham que tem que haver um culpado.
Quando, na verdade, nem sempre existe culpa, mas apenas um acumular de situações que não se poderiam prever, condicionadas por um ambiente que, também ele não era o mais favorável, e decorridas no meio de uma sociedade que, também ela, não oferece soluções adequadas. 
 
 
Seria bom que "achassem" menos, e conversassem mais...
Poderia não tornar as relações perfeitas, mas evitaria muitos mal entendidos.
Poderia não mudar o rumo das suas vidas, mas tornaria tudo muito mais claro.
Ou poderia, de facto, fazer a diferença.
 
 
Ser pai/ mãe, e ser filho(a) são os papéis mais difíceis de desempenhar porque não há guião. 
Não há uma mesma forma de o fazer. Não há um padrão a seguir.
Cada pai/ mãe, e cada filho(a) são diferentes, e isso pode gerar os mais diversos cenários, à medida que os seus papéis vão sendo desempenhados.
Vai sempre haver erros, de ambas as partes.
Vai sempre haver coisas que ambas farão bem.
 
Mas é quase como uma aposta.
Temos tantas hipóteses de falhar, como apenas de nos aproximar, ou de acertar na chave vencedora.
Mas não é por isso que deixamos de apostar. E de tentar, semana após semana.
Da mesma forma que nunca deixamos de ser pais, ou filhos, ainda que nem sempre isso resulte da forma que esperámos, ou desejámos.
 
 
 
 

Sonhos que fazem reflectir

Polarização e Asno de Buridan

 

Sem saber o que fazer, vendo cada um com uma ideia diferente e a puxar para o seu lado, ela foi pedir conselhos à única pessoa que, na sua opinião, poderia ajudá-la.

Depois de explicar o que se passava, o seu conselheiro limitou-se a mostrar-lhe duas imagens: a primeira, de duas silhuetas abraçadas, e a segunda, as mesmas silhuetas de mãos dadas.

O que significam estas imagens? - perguntou ela.

Amor e União. É tudo o que a sociedade precisa. - respondeu o conselheiro.

No dia em que as pessoas pararem de agir umas contra as outras, a favor de si próprios, e passarem a ajudar-se mutuamente, tudo será melhor para todos. 

No dia em que parerem de enveredar por guerras perdidas e desgastantes, e se unirem, tudo resultará de forma diferente.

É esse o segredo para uma sociedade funcional...

Retrato antagónico de uma sociedade pandémica

(em alguns casos exagerado, mas nem por isso menos real)

Sociedade: o que é, tipos, sociedade X comunidade - Brasil Escola

 

Antes: Vai tudo correr bem.

Agora: Nada vai ficar bem.

 

Antes: Finalmente vou poder ficar em casa.

Agora: Estou farto(a) de estar em casa.

 

Antes: Finalmente vou alimentar-me mais saudavelmente com refeições caseiras.

Agora: Engordei na quarentena à custa de tanto fazer e comer bolos!

 

Antes: Vai ser tão bom estar sozinho(a).

Agora: Estou farto(a) de estar sozinho(a).

 

Antes: Agora temos desculpa para para não ver quem não queremos.

Agora: Só queremos ver gente!

 

Antes: Vai tu passear o cão que estou cansado(a)

Agora: Deixa-te estar, que eu levo o cão à rua!

 

Antes: Detesto fazer exercício físico. 

Agora: Acho que vou correr, ou fazer uma caminhada.

 

Antes: Vou ter mais tempo.

Agora: Tenho ainda menos tempo.

 

Antes: Vou poder descansar mais.

Agora: Estou de rastos.

 

Antes: É tão bom estarmos todos juntos em casa.

Agora: Já não nos aguentamos uns aos outros!

 

Antes: Não preciso de comprar nada.

Agora: Preciso de comprar isto, e aquilo...

 

Antes: Teletrabalho é o melhor que há.

Agora: Deixem-me voltar ao trabalho presencial!

 

Antes: O ser humano vai-se tornar melhor.

Agora: O ser humano ficou ainda pior.

 

Antes: A poluição reduziu e a natureza sai a ganhar.

Agora: É só máscaras e luvas no chão.

 

Antes: Ai, estou com uma dorzinha, é melhor ir ao médico.

Agora: Estou cheio(a) de dores, mas aguento-me. Não convém ir ao médico.

 

Antes: Devíamos confinar.

Agora: Já está na hora de desconfinar.

 

Antes: Não quero levar vacina nenhuma.

Agora: Quando é que chega a minha vez de ser vacinado(a)?

Bridgerton - a série: já estreou!

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Estreou no dia 25, e foi um belo presente de Natal para todos os fãs da história desta família, de que já antes falei aqui, e que conheci através dos livros da autora Julia Quinn.

Embora não me recorde de grande parte dos romances, algumas personagens são inesquecíveis, como Lady Danbury e Lady Whistledown que, volto a afirmar, são duas mulheres sem papas na língua, inteligentes, perspicazes, astutas, muito à frente no seu tempo.

Uma delas é presença assídua nos grandes eventos das temporadas londrinas, para deleite de uns, e receio de outros, que a temem pela sua absoluta sinceridade e frontalidade.

Já a outra, é um mistério que todos querem descobrir. Temo que, na série, não tenham atribuído esse papel à mesma personagem que o foi nos livros. 

 

Basicamente, conhecemos a sociedade londrina do século XIX, onde as mulheres eram criadas para o único propósito de casar e procriar garantindo, de preferência, um herdeiro para os títulos da família.

Quando chegasse o momento, eram apresentadas à Rainha, numa cerimónia e, a partir de então, frequentavam os bailes e festas da "temporada" onde era suposto arranjarem marido, de entre os homens disponíveis, que as pretendiam cortejar.

Assim, era possível encontrar mulheres entusiasmadas com os seus pretendentes, outras resignadas e satisfeitas com o seu destino, outras contrariadas e revoltadas, por não serem livres de escolher a sua própria vida, e o homem com quem queriam casar ou, até mesmo, por não poderem ser mulheres solteiras sem o olhar reprovador de toda a sociedade, onde só os homens tinham poder.

 

As mulheres, essas eram "pertença" dos pais, ou dos irmãos mais velhos, que decidiam por elas, até transferirem esse poder para os futuros maridos.

Nos bailes, dava-se valor à beleza, à ostentação, ao saber estar. Feliz a mulher que conseguia ter os seus cartões de dança preenchidos pelos vários pretendentes que com elas quisessem partilhar uma dança, assim pensavam as mães, que queriam ver as suas filhas bem casadas à "primeira temporada". 

Poder-se-ia até dizer que as mães eram umas verdadeiras "caçadoras" de maridos para as filhas, sobretudo se houvesse jovens solteiros com títulos vistosos como duques ou condes.

Já os homens, por norma, fugiam a sete pés deste compromisso que é o casamento, e a sua missão era tentar passar despercebidos ou esconder-se destas mães.

 

Nesta primeira temporada da série, Daphne é uma das mulheres "atirada para a arena" que ditará o seu destino. 

Mas Daphe não é como as outras jovens. Aliás, ela é uma Bridgerton, e isso diz tudo!

Nenhum membro da família Bridgerton é igual aos restantes, nem aquilo que seria de esperar. Todos têm a sua personalidade especial, uns mais vincada que outra, e é por isso que as suas histórias nos cativam, nos fazem rir, nos emocionam, e nos fazem sentir a diferença, num mundo tão igual e sem sal.

Acima de tudo, são uma família unida. E essa união também vai ajudar cada um deles a encontrar, apesar do que dita a sociedade, o amor, tão menosprezado e desvalorizado, quando se fala em casamento.

 

E Simon, o duque que foge das caçadoras de maridos.

No entanto, desengane-se quem pense que, por ser duque, Simon teve uma vida fácil.

Mais do que a cor da pele, foi um outro problema o que levou o seu pai a renegá-lo, ainda em criança.

Foi Lady Danbury que o ajudou a criar, e a tornar-se o adulto que hoje é.

Só que, esse adulto, fez uma promessa no leito de morte do pai, e não pretende quebrá-la.

 

Conseguirá Daphne amolecer o coração de Simon, e fazê-lo mudar de ideias?

Conseguirá Simon resistir ao amor que sente por Daphne, por puro orgulho?

 

Se gostam de séries de época, recomendo!

Até agora, só não achei muita lógica ao facto de colocarem músicas do nosso tempo, de pleno século XXI, como músicas de baile do século XIX, ainda que em modo clássico.

E da nova abordagem à personagem Anthony que, na série, está totalmente diferente do homem que conhecemos dos livros, para pior.

De resto, e após um primeiro episódio algo morno, garanto que os seguintes valem a pena!