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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Ler um livro como se fosse a primeira vez

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Por vezes, acontece.

Começamos a ler um livro, com a ideia de que nunca o lemos antes, até que uma frase, um excerto, uma página, nos faz recordar que aquela história não é estranha.

Outras, sabemos que já o lemos mas, ainda assim, embrenhamo-nos nele, como se fosse a primeira vez, com um novo olhar, uma nova perspectiva, num outro tempo.

 

O que nunca me tinha acontecido, era ler um livro do início ao fim, e continuar convencida de que nunca o tinha lido na vida.

Aliás, quando me deparei com esta história, até fiquei surpreendida por existir, porque, tecnicamente, eu só conhecia os dois primeiros livros da trilogia.

 

Ontem, terminada a leitura, fui procurar a imagem do mesmo, para juntar ao post que iria escrever no blog. Como o título era brasileiro, fui pesquisar pela autora, e tentar encontrar a correspondência em português.

De "Ainda Sou Eu", passei a "O Meu Coração Entre Dois Mundos".

Só por curiosidade, lembrei-me de pesquisar nos meus posts, as resenhas que tinha feito, dos livros da autora Jojo Moyes.

E percebi que, na verdade, eu já tinha lido o dito livro, em 2018, e escrito sobre ele!

 

Como é possível?

É que nada me soou a conhecido. Não me lembrei de uma única cena, uma única palavra, de uma única personagem (tirando o facto de as conhecer dos livros anteriores).

Simplesmente, varreu-se-me da memória.

 

No entanto, como seria de esperar, voltei a adorar a história.

E a mensagem é intemporal: devemos ser, simplesmente, quem somos, e não quem os outros querem que sejamos. Se gostarem de nós, aceitam-nos como somos. Se nos querem mudar, ou moldar, não vale a pena manter essas pessoas na nossa vida.

 

 

 

 

Desilusão

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Todos dizem que a melhor forma de não nos desiludirmos, é não esperarmos muito das pessoas.

Não criar muitas expectativas.

Mas há momentos em que já não se trata disso.

Em que a desilusão já não resulta de qualquer expectativa que pudessemos ter, mas de surpresa, por nos estar a ser mostrado um lado que desconhecíamos. Que diz muito sobre a pessoa que o mostra. E que não gostamos.

 

Não tem de vir, necessariamente, de conflitos, de discussões, de palavras ditas no calor do momento, de atitudes parvas. Pode vir quando não estamos a contar.

Numa simples conversa. 

 

Mas, por vezes, causa mais dano.

Porque não se limita a ferir. Não cicatriza, e deixa marca.

Simplesmente, mata.

Uma parte daquilo que sentimos morre com essa desilusão.

E não volta a ressuscitar...

Se soubermos, de antemão, como vai ser toda a nossa vida...

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Onde fica a espontaneidade?

Se já soubermos o que vai acontecer?

E como vamos reagir?

 

Como nos deixamos surpreender pela vida, se a supresa for previamente revelada?

Onde fica a alegria?

O encanto?

A magia?

 

Como vivemos, a partir do momento em que já sabemos o que nos espera?

Fingindo não saber?

 

Aquilo que, num primeiro momento, pode parecer uma grande vantagem poderá, na prática, revelar-se um empecilho para a felicidade, para as relações com os outros, e consigo próprios, e tornar-se um desencanto, em vez de um dom.

 

 

Sou uma "desmancha-surpresas"!

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Para o bem, e para o mal!

É mais forte que eu.

 

Até posso gostar de ser surpreendida, mas detesto ser apanhada de surpresa!

E, quando me cheira a surpresa a caminho, não consigo evitar esmiuçar tudo, até descobrir.

Depois, também me é difícil fingir que não sei de nada, e reagir bem.

 

Na semana passada o meu marido veio com uma conversa que me deixou logo as antenas em alerta:

"Ah e tal, amanhã temos que ir a um sitio a hora de almoço... Ou então um pouco antes de almoço."

Muito vago, muito evasivo.

Perguntei onde tínhamos que ir. Respondeu apenas o nome da localidade.

Perguntei o que íamos fazer. Respondeu que íamos buscar uma coisa.

 

Não satisfeita, perguntei se a coisa não tinha nome. E se o sítio não tinha nome.

Arranjou uma desculpa que era para ir para ir buscar um disco para o pc, para aumentar a memória. Para eu não desconfiar, mencionou o nome de uma loja de lá.

 

Não resultou muito, porque tudo aquilo me soava estranho.

A loja fechava antes da hora a que, supostamente, ele tinha combinado lá ir. 

Depois, para conseguir mais memória para o pc, o normal seria comprar um cartão de memória. Podia comprá-lo cá.

Ainda que, eventualmente, fosse possível instalar um disco qualquer num portátil, não deveria ser feito na hora.

Fiquei a matutar naquilo.

 

Mais tarde, para acabar com as dúvidas, disse-lhe que era melhor almoçarmos primeiro, antes de irmos, não fosse aquilo demorar. 

Se ele dissesse que tudo bem, dava-me por vencida.

Mas se ele dissesse que não era preciso, então confirmavam-se as minhas suspeitas de que aquilo era tanga.

 

Como eu esperava, ele respondeu que não era preciso almoçar antes.

E eu atirei "Pois não, porque não vais buscar coisa nenhuma. É para irmos almoçar fora!"

 

E pronto, lá estraguei a surpresa, que acabou por não acontecer porque eu disse que, se fosse para ir, íamos os 3, e a minha filha só estava connosco no domingo.

Só que, ao domingo, o restaurante está fechado.

Por isso, ficou o almoço adiado.

E a surpresa arruinada!

 

 

 

Festival da Canção: E a escolhida foi "Saudade, Saudade", da Maro

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Está escolhida a representante de Portugal no Festival da Canção, que este ano se realiza em Turim:

"Saudade, Saudade", da Maro!

 

Se foi surpresa?

Em certa parte, sim.

Tudo apontava para uma disputa entre Syro e Aurea. Eventualmente, FF. E até Pongo & Tristany pareciam embalados nas sondagens. 

É verdade que também lá estava a Maro, mas...

 

O que é que "Saudade, Saudade" tem, que faltou às restantes?

Muito se tem falado desta música, desde a semifinal.

Se, por um lado, a melodia é bonita, a letra, cantada entre inglês e português, não era nada de extraordinário.

Se, por um lado, tinha aquela palavra tão nossa "Saudade", por outro, pode-se dizer que, de uma forma geral, era só mesmo essa parte que se percebia da música.

A Maro parece que canta para si, é difícil entender o que diz.

Mas, nesta final, ela fez-se acompanhar de um coro, e deu toda uma outra vida à música.

Atrevo-me a dizer que foi o coro que a salvou,  e contribuiu largamente para a vitória!

As suas companheiras ouviam-se melhor que ela, e viveram mais a actuação que a própria intérprete.

Ainda assim, com prós e contras, a mim foi a única que me tocou desde o início. E, ao que parece, conquistou júri e público, com votação máxima de ambos. O pleno!

Deixando para trás os grandes favoritos. Nomes bem mais conhecidos, e com grandes carreiras musicais.

 

Agora a pergunta é: o que irá acontecer em Turim?

Um coisa é certa: há algumas coisas que têm que ser melhoradas, até à apresentação em Turim, nomeadamente, a dicção da Maro. E a confiança em palco.

Não sei se será logo despachada na semifinal, mas...

Acredito que se pode tornar uma espécie de hino, entre todos os participantes! Já estou a imaginar os restantes concorrentes a cantar "Saudade, Saudade"! E a bater palmas!

Aliás, se virem o vídeo abaixo, em que todos os finalistas se juntaram à Maro e cantaram com ela, perceberão que, quanto mais pessoas a cantarem, melhor ela resulta.

 

 

 

Por outro lado, depois de um ano em que ganhou uma música de rock, talvez este ano a escolha penda para uma música mais calma.

E, dado o momento que estamos a viver, tendo já alguns refugiados se identificado com a música, é possível que também o mundo nela se reveja.

 

Se tem alguma hipótese de passar à final, e até mesmo ganhar?

A esperança é sempre a última a morrer!

Talvez o consiga. Talvez não.

Mas, a mim, já me conquistou!

 

 

Imagem: RTP - Festival da Canção