Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"Pela noite dentro - Contos e Outros Escritos", de José da Xã

1000029990cópia.jpg 

 

Comecei a ler este livro e foi, quase, como voltar atrás no tempo.

A uma outra vida, da qual pouco sabia, a não ser por algumas histórias que o meu pai foi contando e, recentemente, pela leitura do seu livro.

A uma outra realidade, de há muitas décadas.

A um Alentejo (no caso do meu pai), onde a única coisa que esperava os jovens era a vida no campo. Com tudo o que tem de bom. E de mau.

A dureza, o trabalho árduo, a pouca instrução académica, uma certa pobreza.

A vergonha, disfarçada pela dignidade. 

A míngua, disfarçada pela simplicidade.

Os modos, por vezes algo abrutalhados, relevados pela sinceridade, simpatia e hospitalidade.

A coscuvilhice, perdoada pela união e entreajuda entre vizinhos. Afinal, todos se conhecem. Para o bem, e para o mal. Todos sabem da vida um dos outros. Todos falam uns dos outros. Mas, quando é preciso, estão lá.

O retrato de um povo que, embora trabalhe de sol a sol, e esteja dependente daquilo que a terra lhes dá, também é capaz de levar a vida com uma curiosa calma, satisfazendo-se com pouco, e dando valor às pequenas coisas.

Destaco a descrição, em muitos destes contos, da força das mulheres. Da sua capacidade de resiliência, e de como conseguem ultrapassar as dificuldades.

E a lealdade dos animais, para com os humanos com quem criam laços, e de alguns humanos, para com os seus animais, que consideram amigos ou, mesmo, família.

 

E "Os Felícios"?!

O que me diverti com eles!

De repente, o leitor salta do campo, para a cidade. De outros tempos, para a realidade actual.

A era das tecnologias, onde impera o vício das redes sociais. Os olhos permanentemente colados a um ecrã de telemóvel.

Os Felícios são uma crítica social. Uma espécie de sátira ao que observamos, em algumas famílias e na dinânimica entre cada um dos membros dessas famílias, hoje em dia.

O retrato dos jovens de hoje: dos seus interesses, das suas prioridades. E o dos adultos, por vezes tão ou mais imaturos que os jovens.

Ainda assim, é possível perceber que os Felícios preservam, apesar de tudo, o espírito de união de uma verdadeira família, que é coisa que se vê cada vez menos.

Acredito que "Os Felícios", e os seus caricatos episódios dariam, por si só, um livro autónomo e muito divertido!

 

Obrigada, José, pelo miminho, e pela oportunidade de ler estas histórias!

Parabéns à Olga pela ilustração da capa!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leitura em contexto escolar: prazer ou castigo?

A leitura faz você feliz: 10 boas razões para ler mais - greenMe

 

É certo que, com todas as novas tecnologias, redes sociais e outros entretenimentos mais cativantes, os jovens, e até mesmo os adultos, tendem a ler cada vez menos, deixando a leitura para um quinto ou sexto plano.

Se estiverem a estudar, aí sim, terão que, forçosamente, dedicar algum tempo à literatura, mesmo que não queiram.

Sempre assim foi. E esse era um dos motivos para, ao contrário do que seria a intenção, começarmos desde logo a "odiar" livros.

Porque eram leituras que não compreendíamos. Que  não nos diziam nada. Que eram aborrecidas e maçantes.

A ideia de fomentar a leitura nos mais novos não se tornava um prazer, mas antes um castigo.

 

Em pleno século XXI, continua tudo igual.

No ano passado, a minha filha tinha que escolher, de entre uma lista, um livro para ler, e fazer uma apresentação sobre ele.

Os melhorzitos, 5 ou 6, já tinham sido escolhidos. E tudo o resto não tinha o mínimo interesse. 

Em acordo com a professora, conseguiu fazer o trabalho sobre um livro que não estava na lista, mas que estava dentro dos mesmos temas e contexto.

 

Este ano, a professora de português enviou-lhes uma lista para um trabalho semelhante.

Praticamente, as mesmas obras do ano passado. Muita poesia. Livros que nem eu, ávida leitora, tenho interesse ou vontade de pegar neles. Quanto mais jovens de 17 ou 18 anos, que não fazem da leitura um hábito.

O que vai acontecer é escolherem um livro, por falta de opções, já contrariados, fazerem o trabalho sem o mínimo interesse, não perceberem nada do que leram e jurarem que, quando não forem mais obrigados, não voltam a pegar num livro!

 

De todos, só um sobressaiu. O primeiro da lista. "O Vendedor de Passados", do autor José Eduardo Agualusa.

Disse-lhe para escolher esse. Vamos ver se tem sorte.

Do progresso e das novas tecnologias

Imagem relacionada

 

O progresso, e a tecnologia, só podem ser encarados como negativos se, à medida que acompanharmos a actualidade e a modernização, adquirindo novas competências, nos esquecermos de tudo aquilo que adquirimos até aí, e as competências consideradas, agora, obsoletas, forem totalmente apagadas da nossa memória.

 

É isso que vemos hoje acontecer.

O progresso é necessário e positivo. 

Se não fosse ele, tudo continuaria como há milhares de anos atrás. Teríamos ficado na idade da pedra. Seríamos seres primitivos.

Com a evolução, fomos fazendo descobertas, criando invenções, inovando, melhorando as técnicas, utilizando tudo o que pudessemos a nosso favor, melhorando a nossa vida.

 

O que acontece é que, como se tivessemos pouco espaço na memória e não coubesse lá tudo dentro, por cada competência nova que adquirimos, eliminamos uma antiga, como se já não nos fizesse falta.

E, às tantas, se alguma coisa na actualidade falha, não temos como voltar atrás e recuperar as competências antigas, que nos desenrasquem e sejam úteis nesse momento.

A Linguagem Secreta das Irmãs - Luanne Rice

Resultado de imagem para a linguagem secreta das irmãs

 

Mais um livro que tinha por lá guardado há algum tempo, e que li nestes últimos dias.

Foi a minha estreia também com esta autora, e posso-vos dizer que gostei muito, embora o título não me pareça o mais apropriado para a história.

É que, baseada no título, estava à espera de ver uma forma muito própria e especial destas duas irmãs se comunicarem, quando mais ninguém conseguia, mas não é isso que acontece, nem é tanto sobre isso que se foca o enredo, embora a relação forte e única entre irmãs esteja presente.

 

Ruth Ann - Roo, e Mathilda Mae - Tilly, são duas irmãs com uma diferença de dois anos de idade, sendo Roo a mais velha e, para muitos, a mais bonita, a mais talentosa, a mais especial, aquela que possui "poesia de vida"!

Tinha um futuro promissor à sua frente, estando a preparar-se para se candidatar à universidade no próximo ano lectivo. Enquanto isso, ia completando o seu portfólio de fotografias, que adorava tirar, e cujas imagens conseguia captar como ninguém.

Tilly era a irmã mais nova. Ambas tinham uma relação especial, e eram muito amigas, embora Tilly sentisse, por vezes, alguns ciúmes da irmã e, de certa forma, um sentimento de inferioridade, por não ter tantas qualidades e talento como Roo.

Naquele dia, Tilly estava à espera da irmã. Roo tinha ficado de ir buscá-la mas, pela primeira vez na sua vida, Roo estava atrasada. Tinha feito várias paragens pelo caminho, para fotografar.

Tilly estava possessa e enviou mensagem atrás de mensagem para o telemóvel da irmã, a demonstrar isso mesmo. Roo, que tinha por lema nunca enviar mensagens enquanto conduzia, mas vendo que a irmã não sossegava, quebrou as regras, e enviou-lhe uma simples mensagem a dizer que estava a 5 minutos.

Foi uma mensagem curta, mas suficiente para a distrair da sua condução, para a fazer perder o controlo do carro e, ao tentar evitar o atropelamento de uma senhora idosa e do seu cão, capotar e cair pela ribanceira, direito ao rio.

Este será o primeiro tema abordado pela autora. Porque continuamos a ver constantemente pessoas a falarem ao telemóvel, enquanto conduzem, bem como a ler ou enviar mensagens, apesar de saberem os riscos que correm.

 

Na sequência do acidente, a vida de Roo irá mudar para sempre. Aparentemente em coma, os médicos descobrirão, mais tarde, que ela está consciente, mas sofre de Síndrome de Encarceramento, uma doença neurológica rara, em que ocorre paralisia de todos os músculos do corpo, com exceção dos músculos que controlam o movimento dos olhos ou das pálpebras.

Nesta doença, o paciente fica preso dentro do seu próprio corpo, sem conseguir movimentar ou comunicar, porém mantém-se consciente e intelectualmente ativo.

Não existe cura para esta doença, apenas alguns tratamentos que podem atenuar os sintomas, e tecnologias que podem ajudar as vítimas a comunicarem com as outras pessoas. 

Roo fica, assim, com os seus sonhos totalmente destruídos. Como se isso não bastasse, vai perceber a proximidade entre o seu namorado, com quem tinha intenção de terminar, e da sua irmã e melhor amiga, e isso vai abalar a relação entre as irmãs.

 

Serão elas capazes de ultrapassar estes percalços? Conseguirá Tilly viver com a culpa pelo acidente da irmã? Conseguirá Roo perdoá-la? Haverá culpados?

Conseguirá Roo aceitar o seu problema e a nova vida que a espera? Haverá no meio de tudo isto, alguma chance para o amor?

 

Eu recomendo este livro!

 

 

E deixo-vos aqui algumas histórias reais de pessoas que foram vítimas desta doença:

Martin Pistorius

Kate Allatt

Christine Waddell

Richard Marsh

 

 

 

 

 

O dia de uma criança sem internet

Resultado de imagem para crianças e internet

 

 

 

As crianças (e muitos adultos também) estão cada vez mais dependentes das novas tecnologias, sobretudo da internet!

Acordam já a pensar em ir ao PC, estão sempre à espera de um tempo livre para lá estarem e, com sorte, é a última coisa que fazem antes de irem para a cama!

E quando não é no PC, é no tablet, ou no telemóvel. Até mesmo nos intervalos de escassos 5 ou 10 minutos entre aulas.

Se lhes tirarmos a internet, ficam perdidas - "E, agora, o que é que fazemos?"

 

transferir (4).jpg

 

 

A não ser que tenhamos um programa muito empolgante que as faça sair de casa, não é fácil distraí-las.

 

Fazer uma caminhada e aproveitar o bom tempo? Não, estão cansadas!  

Fazer uns desenhos bonitos para depois colorir? Ainda começam mas, ao fim de pouco tempo, queixam-se que já lhes dói a mão.

Ver um filme animado na televisão? Não há nada que gostem!

Jogar um dos vários jogos à disposição? Fartam-se ao fim de 10 ou 15 minutos!

 

Ficam aborrecidas, sem nada que lhes agrade, com que se entretenham. E acabam por chatear a cabeça aos pais. Porque aquilo que lhes apetece fazer, em alternativa, nem sempre agrada aos pais.

Mas, a partir do momento em que estão autorizadas a ir à internet, é vê-las entretidas horas a fio, ora a ver ou escrever em blogs, ora a ver vídeos que outras crianças e adolescentes gravam sobre tudo o que possamos imaginar (e até de coisas que nem imaginamos), ora a jogar, ou qualquer outra actividade que as cative!  

E o que é que os pais vão dizer se, muitas vezes, eles próprios passam o seu tempo livre da mesma maneira?!

 transferir (6).jpg