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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

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As telenovelas agora são séries?!

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Acho que, de tanto os portugueses se queixarem da quantidade exagerada de telenovelas que passam nos canais portugueses, esses canais decidiram mudar o nome, de telenovelas, para séries!

 

 

E, se virmos bem, algumas delas mais parecem séries em fim. Agora, até as fazem render, dividindo-as por várias temporadas.

Parece que, da parte da SIC, a ideia é mesmo substituir as novelas, apostando nas séries, que irão ser exibidas no segundo horário da noite, até setembro, quando está prevista a estreia de duas telenovelas.

 

 

Mas, na prática, não será mais do mesmo?

Ou será que o nosso conceito de série, como o conhecemos até aqui, está ultrapassado e fora de moda?

À Conversa com Sara Rodi

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Por certo já ouviram falar da convidada de hoje. 

Escreveu o seu primeiro livro aos 6 anos, e desde então nunca mais parou!

Para além da escrita, dedica-se também ao guionismo, tendo participado na escrita de diversas telenovelas e séries, entre as quais o recente sucesso da TVI "Massa Fresca".

E, para quem não sabe, escreveu também o último livro da colecção "As Gémeas", dando continuidade ao trabalho da autora Enid Blyton e de Pamela Cox.

Falo-vos, como já devem ter percebido, de Sara Rodi, a quem desde já agradeço pela disponibilidade para aceitar este desafio!

 

 

 

 

Sara, começo por lhe perguntar quem é a Sara Rodi?

Mulher, mãe, apaixonada pela escrita, gosta de pensar que usa as palavras para transformar o mundo num lugar melhor, às vezes inquietando, às vezes apaziguando. Às vezes falha, às vezes acerta, mas maravilha-se quase todos os dias com aquilo que, nas derrotas ou nas vitórias, a vida lhe ensina.

 

Como é que surgiu a sua paixão pela escrita?

Aos 6 anos a minha mãe ajudou-me a fazer um pequeno livro a partir de um sonho que eu tive, e foi uma experiência extraordinária. Percebi que, de repente, as minhas ideias podiam ser partilhadas com os outros sem que eu tivesse de as contar (eu sempre falei muito rápido e de forma atabalhoada). Escritas, as palavras ganhavam a verdadeira intenção que eu queria dar-lhes. Eram mais verdadeiras, escritas, mesmo que contassem não-verdades. Escrever tornou-se a minha forma predileta de comunicar, através de histórias (e nunca mais deixei de as escrever e de as partilhar), mas também cartas. Os meus amigos recebiam tantas cartas minhas...

 

Quais são as suas principais referências a nível literário?

Leio muitos autores com estilos diferentes, mas marcou-me muito, na juventude (e continua a marcar-me), Fernando Pessoa, na poesia, e Saramago, na prosa. Gosto muito de autores portugueses, e acho que temos uma nova geração muito interessante. Não é por acaso que autores como Afonso Cruz, Valter Hugo-Mãe ou José Luís Peixoto estão a fazer tanto sucesso além-fronteiras.

 

Que estilos mais gosta de escrever?

Gosto muito de contar histórias a adultos e a crianças. Os primeiros livros que publiquei, aos 22 anos, eram para adultos, e creio que o romance continua a ser o estilo que mexe mais comigo, talvez porque obrigue a uma maior entrega. Tudo vem de dentro, é muito orgânico. A literatura infanto-juvenil surgiu por acaso, com a inspiração diferente que os meus filhos trouxeram à minha vida. Divirto-me muito a tentar desbravar o seu território, transmitir-lhes o que acho importante, mas também aprendendo muito com as suas visões do mundo. As crianças são, realmente, inspiradoras.

 

 

 

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A maternidade fê-la render-se à literatura infanto-juvenil. Foi também o que a levou a aceitar o convite para dar continuidade à coleção “As Gémeas”, escrevendo o 10º livro?

Foi um convite muito especial, porque eu cresci a ler Enid Blyton, e nomeadamente a coleção “As Gémeas”. Dar-lhe continuidade, seguindo o estilo e os temas de uma autora tão importante, foi uma grande responsabilidade e um enorme privilégio. Os meus três rapazes não leem esta coleção, que é mais dirigida às pequenas leitores, mas estou confiante de que a minha filha, daqui a dois ou três anos, comece a lê-la, e se divirta tanto como eu me diverti, na minha infância.

 

Para além da escrita, a Sara enveredou também pela área do guionismo, participando na escrita de várias telenovelas e séries. Há alguma que a tenha marcado mais?

Marcou-me muito a primeira (“Ganância”, SIC), pela novidade. Na altura tinha 22 anos e não via telenovelas há muito tempo. Foi uma grande escola, onde conheci aquele que considero um grande mestre: o Francisco Nicholson. Também me marcou muito o arranque dos “Morangos com Açúcar” (temporadas I, II e III), porque era um produto novo, e eu pertencia a uma equipa jovem e a fervilhar de ideias. E, claro, a “Massa Fresca”, porque foi uma história que pude definir desde o início, com todos os ingredientes que me faziam sentido. Pela equipa de escrita que partilhou comigo esta aventura, pela entrega de toda a equipa técnica e pelo talento e carisma dos atores. E, por último, pelo feedback dos espetadores. Nas escolas dos meus filhos toda a gente via a série e fui sempre recebendo muito feedback de jovens, pais e professores, o que foi uma grande mais-valia para o projeto.

 

 

 

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Recentemente, presenteou o público infanto-juvenil português com uma nova série “Massa Fresca”. Estava à espera do sucesso que a mesma tem vindo a alcançar?

Acho que ninguém estava à espera. Os jovens tinham-se divorciado da televisão, e não seria nada fácil trazê-los de volta, ainda para mais num horário que estava “morto”, na TVI. Tínhamos as nossas armas (os temas, as músicas, as redes sociais...) mas nunca pensámos que a adesão fosse tão grande, desde o primeiro momento. Foi uma verdadeira loucura, no melhor sentido possível.

 

 

 

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Depois da banda sonora, chegou a vez dos livros da série, escrito em parceria com Susana Tavares. Como foi esta experiência?

Um livro é algo que permanece, resiste melhor ao tempo do que um produto televisivo. É algo que os leitores podem ler a qualquer momento, em qualquer parte (se bem que a televisão também vai sendo isso, cada vez mais). A TVI, juntamente com a Oficina do Livro, desafiaram-nos a transportar a história para três volumes, e o desafio foi obviamente aceite. Saiu agora também por estes dias um Diário da Massa Fresca, com informações sobre a série, mas também desafios de escrita e de autoconhecimento. Eu sempre escrevi diários, que ainda guardo religiosamente, e acho que são uma excelente companhia e até terapia, nos piores momentos.

 

Existem diferenças entre estes livros e o guião original da série?

Os livros são muito centrados na história da Maria e da família Elias. Muitos plots não puderam ser transpostos para os livros, onde o número de caracteres era muito limitado. Está neles a estrutura dorsal da “Massa Fresca”.

 

Que feedback tem recebido por parte do público?

Da série o feedback foi diário, quer nas redes sociais, quer à porta das escolas dos meus filhos e nas suas atividades. A minha família e os meus sobrinhos, de sangue e emprestados, também me ligavam muitas vezes a fazer os seus comentários. Isso serviu-me muitas vezes de motivação, quando ela, à custa do cansaço, me faltava. Entretanto a série acabou e continuo a receber muitas mensagens de jovens, rapazes e raparigas, a dizerem o quanto a série mexeu com eles, o que não me pode deixar mais comovida. Ainda não consegui responder a toda a gente, mas hei-de lá chegar...

 

Haverá uma segunda temporada de “Massa Fresca”?

Por enquanto não está pensada, a TVI já tinha outras apostas programadas. Eu sou como a Maria, confio na vida, por isso vamos ver o que o futuro nos reserva...

 

Muito obrigada, Sara!

 

A produção nacional está de parabéns!

 

Desde que me lembro, sempre ouvi dizer que os portugueses, por mais que tentassem, nunca iriam conseguir fazer telenovelas ao nível das telenovelas brasileiras.

Desde que me lembro de ver telenovelas, a verdade é que a minha preferência ia no sentido da opinião geral.

De há uns anos para cá, a produção nacional tem investido em novos talentos, aproveitado o valor dos actores experientes, tem apostado na mudança, na inovação, na diferença, e o resultado foi notório.

Hoje, as telenovelas portuguesas são vistas e apreciadas por um público muito mais vasto, e aproximam-se cada vez mais da qualidade das brasileiras (por vezes, até, melhor que estas).

Em 2011, "Laços de Sangue" venceu o Emmy Internacional de melhor telenovela, atribuído pela Academia Nacional de Artes e Ciências Televisivas, que premeia produções feitas fora dos Estados Unidos. 

Este ano, e pela primeira vez, duas telenovelas produzidas em Portugal foram finalistas na gala do New York Festival's World’s Best TV & Films, que decorreu em Las Vegas, e que contou com produções de cerca de 50 países. 

"Coração d'Ouro" e "Mar Salgado" foram as candidatas escolhidas, e responsáveis por este enorme passo na história das telenovelas portuguesas embora, na minha opinião, tenha havido outras que merecessem tanto, ou ainda mais, essa distinção e oportunidade, nos últimos tempos.

Dedicado a ambas as indústrias de televisão e cinema, os prémios New York Festival's World’s Best TV & Films premiaram os melhores projetos internacionais encontrando-se, entre os nomeados, candidatos de todo o mundo.

Na categoria Telenovela, a medalha de ouro foi atribuída à novela "Coração D’ Ouro", enquanto que "Mar Salgado" ficou-se pelo bronze. Os EUA foram o país responsável pela conquista da medalha de prata, concedida à telenovela "Bajo El Mismo Cielo", exibida pelo canal Telemundo.

A SIC e a SP Televisão estão, assim, de parabéns pela conquista destes dois prémios! 

 
 
 
Imagem espalhafactos.com

 

 

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