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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Tornado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois de muito adiar esta leitura, não resisti mais e tive mesmo que o tirar da estante!

E o que posso dizer é que este último livro da Sandra Brown não me desiludiu!

Sim, tem tudo aquilo que os outros também têm: a protagonista feminina, o "bad boy" por quem ela se apaixona e que até se pode revelar boa pessoa, um crime, muitos suspeitos (uns mais óbvios que outros), muito mistério, um assassino à solta e um desfecho que ninguém esperava.

Mas nem por isso deixou de ser uma história brilhante, como só ela sabe escrever, e de me fazer ansiar pelo próximo!

Cada história é diferente e cada uma prende o leitor de uma forma especial.

Esta última teve origem no assassinato de uma jovem adolescente no dia em que um violento tornado varreu toda a região, e que dezoito anos mais tarde deu origem a um livro com esse mesmo nome, e que é também o título do livro da Sandra Brown.

O que é curioso porque ler os livros da Sandra Brown é como ser apanhada por um tornado, andar a girar dentro dele e, no fim da leitura, voltar de novo a pousar os pés na terra, ainda meio "atordoados" com o final da aventura.

A diferença é que as personagens da história querem esquecer esse tornado que mudou para sempre as suas vidas, e nós, leitores, ansiamos pela chegada da próxima tempestade!

Qual é a tempestade de hoje?

 

Depois de alguém ter aborrecido, e bem, a "menina Stephanie", fazendo-a descarregar toda a sua fúria em cima de nós, no passado fim de semana, e quando já pensávamos que tudo voltaria ao normal, após uma segunda-feira de aparentes tréguas, heis que volta o mau tempo.

Vento forte, chuva, queda de neve e agitação marítima marcam presença nesta terça-feira. Evoluímos de avisos vermelhos e laranjas para amarelos mas, mesmo assim, este tempo não convida ninguém a sair à rua.

Infelizmente, para muitos, não há outra opção. E para quem não anda de transportes, é melhor preparar as capas, as galochas, e uma reserva de guarda-chuvas porque, à semelhança de outros dias de temporal, serão muitos os que se irão partir, voar, despedaçar e parar ao caixote do lixo mais próximo.

Quem será que enfureceram desta vez? 

A Stephanie lá fora...

 

...e eu cá dentro!

Aqui na vila, a fúria da Stephanie fez-se sentir desde manhã, com mais vento que chuva.

As palmeiras ameaçavam perder a rama. 

As antenas ameaçavam voar.

No quintal da frente, tudo o que andava à solta batia contra o portão.

O cenário não era nada animador. Tão depressa clareava como escurecia. E o vento continuava a soprar com força, sem tréguas. 

A tampa da minha caixa de correio, tive que colar com fita isoladora, para não partir!

E foi o único momento em que saí à rua!

O resto do dia foi passado em casa. E foi o melhor que eu fiz!

 

Tempestade

 

"Depois da tempestade, vem a bonança." - costumam dizer. E depois da bonança? Nova tempestade...

 

Depois de a tempestade parar, as nuvens negras se dissiparem e o sol voltar a brilhar, renasce a esperança!

Esperança de que o sol tenha vindo para ficar, e que o mau tempo seja esquecido.

Mas, subitamente, o sol desaparece, as nuvens voltam ainda mais negras e o temporal abate-se de novo, com maior intensidade. A esperança desvanece-se...

A vida é, muitas vezes, injusta connosco. E nós somos, muitas vezes, injustos com os outros. Quando entramos numa relação, entramos para o bem e para o mal. Se assumimos um compromisso, baseado em amizade, respeito, cumplicidade e amor, assumimo-lo para os bons e para os maus momentos. Mas se, a cada contrariedade, se puser em causa a relação, então começa a ser difícil acreditar nela. Se, a cada momento mais complicado da qual ninguém tem culpa, nos atiram as culpas para cima, é difícil não nos sentirmos injustiçados. Se, em vez de haver apoio e compreensão, há acusações, é difícil não ficar triste. Se a pessoa que está ao nosso lado não se sente bem na relação nem está feliz, e começa a procurar compensar nos amigos e fora de casa, aquilo que lhe falta, é impossível não sentir frustração.

 

Claro que eu já sou conhecida pelo meu pessimismo, mas por vezes é impossível mandá-lo embora.

Chego a casa, e estou dividida entre ajudar a minha filha para a ficha de Língua Portuguesa do dia seguinte, o jantar dela, enxugar e arrumar loiça, quando o meu marido me chama. Ainda lá vou rapidamente tirar-lhe uma dúvida, e volto para a cozinha. Começo a comer um iogurte, em pé, enquanto continuo as tarefas. Em seguida, volta a chamar-me. Digo-lhe que não posso, que depois vou. Ele insiste. Peço-lhe que espere um bocadinho. Um bocadinho que se tornou bem grande, mas caramba, eu estava ocupada e com uma coisa mais importante que criar ou gerir um blog. Ficou aborrecido porque, na opinião dele, o ignorei, o desprezei, porque não lhe dei atenção. Mas se era assim tão importante e não podia esperar (não era o caso), por que raio não se levantou do sofá e foi ter comigo? E se não era urgente, podia ter esperado até eu me sentar no sofá.

Não lhe dou a atenção que ele precisa? É verdade, nem sempre posso. Mas por essa ordem de ideias a minha filha tinha muitos mais motivos para reclamar comigo, afinal, na maior parte dos dias, só consigo fazê-lo por breves instantes, quando tenho tempo para o fazer. E até a Tica, que farta-se de miar porque quer que eu me sente para vir para o colo, porque quer brincar, porque quer mimos...E eu? Tenho dias em que nem sei o qe é comer calmamente sentada à mesa.

Se fico triste com isso? É óbvio que sim! Todos nós precisamos de atenção, mimos, carinho. Somos humanos (embora muitas vezes tenhamos que ser máquinas) e temos sentimentos. E compreendo perfeitamente que ele fique aborrecido com esta falta de tempo, tal como eu fico. Mas esta é a nossa vida - com momentos em que temos tempo, e outros que nem por isso. Se nos vamos chatear um com o outro cada vez que não pudermos ter atenção, então a nossa relação vai ser feita de discussões, em vez de apoio e compreensão. E isso não fará bem a nenhum de nós...

 

 

 

Finalmente!

 

Finalmente a minha filha regressou à escola!

Ainda sarapintada, é verdade, e com algumas restrições - não pode fazer desporto, nem correr, nem andar muito a pé.

Ainda com consultas regulares de vigilância.

Aterrando de paraquedas em território um pouco estranho, sem muita preparação e num momento em que todos, incluindo ela, serão postos à prova.

Mas já é bom! É uma óptima notícia! E estou muito feliz!

No entanto, não consigo deixar de sentir aquela nostalgia, típica de começo de ano lectivo, em que os nossos filhos regressam à escola, depois das longas férias que passaram connosco. Com a diferença de que, neste caso, não estivemos de férias nem tão pouco nos divertimos.

É incrível como a vida segue e o tempo não pára. Depois de mais de um mês em que tudo se alterou, voltamos à rotina sem direito a pausas para assimilar e recuperar de tudo o que aconteceu! Sem folgas para fraquejar, para comemorar, para baixar os braços...para nada!

Costumo dizer que eu sou como algo que permanece de pé durante toda a tempestade e, só então depois de ela passar, quando já nada o fazia prever, caio!

Neste caso, nem para isso tive tempo! É que agora que o sismo, e respectivas réplicas, já não ameaçam destruir mais nada, há que lutar para manter o que ficou intacto, e recuperar o que foi perdido.

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