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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Quando, para não falhar aos outros, falhamos a nós mesmos...

Palabras en japonés | Arte manga, Dibujos anime manga, Dibujos de anime 

 

Ao longo da vida, são vários aqueles com quem contamos, e que contam connosco, nas mais diversas ocasiões.

E existem situações em que essa necessidade se faz sentir mais.

Faz parte do ser humano.

Da mesma forma que gostamos que estejam lá para nós, também nos sentimos no dever de estar lá para os outros.

 

Por isso, para não falhar com aquele, abdicamos de algo. Para não desapontar aqueloutro, mais alguma coisa fica para trás. E porque alguém está a contar connosco, "roubamos" mais um bocadinho a nós.

 

O problema surge quando, para não falharmos aos outros, acabamos por falhar a nós mesmos.

Quando queremos tanto não defraudar ninguém, que acabamos por dispender todo o nosso tempo, e toda a nossa energia, com os outros, não sobrando nada a que nos agarrarmos quando, finalmente, pensamos em nós.

 

Se não o fizermos, ficamos a remoer e a sentir alguma culpa porque, afinal, ainda que não nos tenham pedido nada, sabemos que podemos fazer a diferença.

Se o fizermos, ficamos frustrados porque, em prol dos outros, nos esquecemos de nós. 

 

Esquecemo-nos de que também temos que olhar para, e por, nós.

Que, por muito que não queiramos ser egoístas, também não nos devemos colocar em último plano.

Como se não tivessemos qualquer importância. Temos!

Como se tudo aquilo que sentimos, e precisamos, fosse insignificante. Não é!

 

E, por vezes, temos que nos convencer de que não temos superpoderes.

Que não conseguimos chegar a todos, o tempo todo.

Que, se calhar, naquele dia, a pessoa que mais precisa, somos mesmo nós... 

 

 

Iminência...

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Tudo está calmo.

Tudo está normal.

Tudo está como deveria estar.

Ainda assim...

 

Sinto que é só uma questão de tempo.

Sinto o turbilhão a querer formar-se.

Sinto os sinais.

 

Sinto a vontade... A ânsia... 

A iminência do que está por vir...

Por um fio...

 

Apenas à espera do tiro de partida.

À espera que a comporta se abra.

À espera da fagulha que servirá de rastilho.

 

E, no entanto, pode não passar de um falso alarme.

Como um meteorito, que se desviou da rota, sem causar danos.

Ou um tsunami, que não se chegou a formar, mantendo as ondas serenas.

 

Talvez, no fim, tudo tenha sido, apenas, a iminência de algo que não se chegou a materializar.

E a vida segue.

Como sempre.

Sem ocorrências a registar.

Normal. 

Como deveria ser...

 

 

 

O "tempo certo" existe?

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Certamente já ouvimos, ao longo da nossa vida, a expressão "tempo certo".

Ah e tal, "tudo tem um tempo certo para acontecer". Como se tivessemos que ficar à espera que esse "tempo certo" chegasse, para podermos viver, para podermos ser felizes, para que as coisas aconteçam.

Ou, então, "não era o tempo certo". Como se tivéssemos adiantados, ou atrasados, em relação ao momento em que as coisas deveriam acontecer.

 

Depois, há ainda quem vá mais longe, e estipule qual é o "tempo certo" para determinadas situações, como se fosse uma regra universal, na qual nos devemos basear para reger a nossa vida, as nossas acções, os nossos sentimentos. 

E ai de quem se atrever a ignorá-lo. As críticas não tardam a cair em cima. Ora porque é cedo demais. Ora porque já é tempo demais.

 

Mas, afinal, o "tempo certo" existe?

O "tempo certo" é o nosso tempo.

Aquele de que precisamos.

Aquele em que queremos agir.

Aquele que escolhemos.

E não tem de, nem deverá, ser igual ao dos outros, porque cada pessoa é diferente, e o tempo de cada uma é, por isso mesmo, também diferente.

 

 

Burocracias

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Todos queremos fugir delas, mas nem sempre as podemos evitar.

E esta semana tem sido de burocracias. Necessárias, é certo.  Mas que dispensaria de bom grado.

 

- Tratar com a agência do subsídio de funeral e percentagem da reforma da minha mãe

- Abrir uma nova conta, só em nome do meu pai, para receber o dito subsídio e pensão

- Passar pelo centro de saúde, para comunicar à médica de família o óbito e deixar um agradecimento

- Ligar para as instituições de apoio domiciliário a que tínhamos ficado de dar resposta, para informar que não será mais necessário

- Marcar com o hospital o levantamento do espólio da minha mãe, o que fizemos ontem, mas só veio metade, pelo que lá teremos que ir novamente

- Fazer reclamação no hospital, das duas médicas que, da primeira vez, a enviaram para casa, embora saiba que não vai produzir qualquer efeito, mas não poderia deixar de fazer

- Ligar para a protecção civil, para ver o que era preciso para devolver a cama, que não chegou a ser utilizada

- Começar a reunir a documentação para participação às Finanças do óbito e relação de bens

 

Há coisas que terão que ficar para as férias.

É tempo de regresso ao trabalho e os poucos dias a que temos direito não dão para tudo.

 

No entanto, no meio de todas estas burocracias, surgiu a ideia.

Se aquilo que de melhor faço, por esta altura, é escrever, porque não fazê-lo também, em forma de homenagem?

E, assim, estou a tentar dar forma a um livro, intitulado "Memórias de uma eterna guerreira", porque foi isso que a minha mãe foi a vida toda - uma guerreira!