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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Cartas (um tesouro cada vez mais raro)

 

Dizem que um gesto vale mais que mil palavras.

Mas quando não nos é possível ver os gestos, só nos restam as palavras.

E que poder têm as palavras!

Tanto para quem as escreve, como para quem as lê.

É verdade que as cartas estão a cair cada vez mais em desuso. Agora temos outras formas de comunicação, mais eficientes, mais rápidas e mais modernas.

Mas uma carta é sempre uma carta...

Seja ela de amor, de saudade, de alegria, de tristeza, de notícias, de mistério, de aventura, de amizade, extensa ou breve, uma carta é um tesouro raro, carregado de sentimentos e emoções. É sempre uma parte de nós para alguém. Ou de alguém para nós.

É algo de muito íntimo, pessoal e intemporal. 

Quem nunca escreveu uma carta para algum parente distante? Para a amiga da infância? Para o rapaz que gostava? Quem nunca guardou as cartas que lhe foram escritas?

 

 

Tesouro escondido

 

Por vezes, na nossa vida, encontramos um tesouro!

Um tesouro que para nós é muito valioso, que nos faz sentir bem e felizes. Não falo de um tesouro material, mas de algo mais precioso e importante para cada um de nós.

Durante os primeiros tempos dedicamo-nos, com todas as nossas energias, à nossa riqueza.

Mas, sem estarmos à espera, surgem novos acontecimentos na nossa vida, e temos que direcionar os nossos sentidos no que se revela prioritário.

Colocamos, então, o nosso tesouro bem guardado no baú.

Acontece que, quando várias situações se vão sucedendo, atiramos com elas para o mesmo baú. Uma atrás da outra, vão enchendo a nossa arca. Quando damos por isso, temos um baú atulhado e nem sabemos onde está o nosso tesouro!

Está connosco, é verdade. Continua onde nós o deixámos, é certo. Mas, com tantas coisas por cima, torna-se difícil vê-lo ou chegar até ele.   

Não nos esquecemos dele, simplesmente a correria e os problemas do dia-a-dia, que aparecem sem aviso, desviam a nossa atenção.

Só quando temos um tempo para nós, em que podemos fazer uma pausa, nos encorajamos a revirar o nosso baú, em busca do tesouro que, sem querer, escondemos debaixo de tudo o resto.

E, nessa altura, percebemos que ainda produz o mesmo efeito em nós, tal como nos primeiros tempos em que o encontrámos!

O melhor presente...

...É aquele que é dado com amor e carinho! 

 

Aproximamo-nos da época natalícia, e inevitavelmente, daquela altura do ano em que a maioria das pessoas começa a fazer contas ao orçamento, e uma lista infindável de prendas a oferecer a familiares, amigos e conhecidos.

Triplicam os anúncios apelativos ao consumo de determinados produtos típicos, e surgem as já tradicionais mega campanhas com descontos em hipermercados e lojas.

Quando se fala em Natal, é como se, automaticamente, se acionasse o botão - prendas!

E, embora de há uns anos para cá, tenha havido uma sensibilização crescente para trocarmos as prendas compradas numa qualquer loja, por outras feitas por nós próprios, na prática isso não acontece.

Eu, por exemplo, sempre gostei de oferecer às pessoas que fazem parte da minha vida, presentes que as fizessem felizes e que lhes fossem de alguma forma úteis. E dentro das minhas possibilidades, se pudesse satisfazer todos os desejos, era uma alegria!

Com a minha filha, além de lhe comprar roupa que ela bem precisa todos os anos (e que ela põe imediatamente para o lado na esperança de o próximo presente ser mais interessante), ainda tento comprar-lhe algumas daquelas coisas que ela pede ao Pai Natal!

Que por sinal, ao fim de meia dúzia de dias estão para lá amontoadas no caixote dos brinquedos.

No meu tempo, não era assim. Os meus pais não eram ricos, nem tinham muito dinheiro para prendas de Natal. Davam-me aquilo que podiam.

E, tirando uma boneca Barbie - o meu sonho de criança que nunca se tornou real, era feliz!

Porquê, porque tinha presentes únicos, alguns que ainda hoje guardo com muito amor.

Foi do meu pai que recebi uma casinha de bonecas feita em madeira, com as sobras da fábrica onde ele trabalhava. Foi do meu pai que recebi um pequeno baú, também em madeira, onde guardava os autocolantes dos bolicaos, as cartas da minha professora da primária, e mais umas coisitas. E lembro-me que, numa fase muito complicada das suas vidas, o meu pai me ofereceu de presente um pedacito de madeira trabalhado para pôr na minha mesa de cabeceira com a inscrição "Parabéns Marta"!

Ainda hoje lhes agradeço por todos esses presentes que, para a maioria das pessoas não têm valor, para para mim são um pequeno tesouro - foram dados com todo o amor que tinham. E não é esse o mais valioso de todos os presentes? 

 

 

 

 

  

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