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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

O Culpado

Cartaz do Filme

 

O "Culpado" é um filme dinamarquês, que utiliza reduzidos recursos, para criar e mostrar uma história que nos prende ao ecrã, sem sair de uma sala de atendimento de chamadas, e apenas com a personagem principal e mais duas ou três secundárias, alguns telefones e um computador.

 

Asger é um polícia que, afastado das ruas enquanto está a ser investigado por um suposto crime de legítima defesa, cumpre serviço como operador de uma central de emergências, um trabalho que se nota que ele faz por obrigação, e que o deixa entediado.

Por sorte, aquele será o último dia ali, e o seu turno está quase, quase a terminar.

 

Depois das chamadas da praxe, que até nem são assim tão urgentes, Asger atende uma chamada misteriosa de uma mulher que diz ter sido raptada.

A partir deste momento, e fazendo jus ao seu trabalho como polícia, Asger irá fazer de tudo para ajudar aquela mulher, numa corrida contra o tempo, em que só se poderá fazer valer dos telefones que tem ali, dos seus conhecimentos, de uma aparente calma e perfil para lidar com a situação, embora, por vezes, piorando as coisas, e de um amigo que está nas ruas.

 

 

Tendo por única base as conversas telefónicas que vamos ouvindo, entre os vários intervenientes, e Asger, tudo o resto fica por conta da nossa imaginação.

E a verdade é que conseguimos "visualizar" na nossa mente, cada uma das cenas que o filme não mostra.

 

Conseguimos ver a mulher, ao lado do suposto raptor, a ligar para a emergência como se estivesse a falar com a sua filha, e sempre com o risco de o homem lhe tirar o telemóvel das mãos, ou perceber com quem ela, realmente, está a falar.

 

Conseguimos perceber a frustração de uma pessoa que quer ajudar e não o consegue fazer sozinho, com tão pouca informação, as chamadas a serem constamente cortadas, e os meios exteriores a não se mostrarem muito mais eficientes, com o pouco que têm a que se agarrar.

 

Conseguimos visualizar a filha menor, que ficou sozinha em casa com o irmão bebé, depois de o pai ter arrastado a mãe pelos cabelos, e com uma faca na mão, para fora de casa, dizendo apenas que em breve voltaria, e que a menina não deveria entrar no quarto do irmão.

Conseguimos sentir o pânico, o medo da miúda.

Conseguimos vê-la em choque, com as mãos cheias de sangue, mas ainda com o discernimento de ligar para a central, a informar que estão a tocar à campainha, e saber se deve ou pode abrir a porta.

 

O suposto raptor, ex-marido e pai dos miúdos, tem cadastro, tendo sido condenado por violação. Agora, estás prestes a cometer, quem sabe, outra loucura, e nem Asger parece conseguir demovê-lo, mesmo quando o acusa de ter matado o próprio filho, e de querer agora fazer o mesmo à ex-mulher, Iben.

É fácil para nós, estarmos solidários com aquela mulher, e condenar aquele homem. Também o foi para Asger.

 

Mas nem tudo é o que parece...

E, mais uma vez, Asger vai ter que se vestir de toda a sua experiência, incluindo pessoal, para evitar uma tragédia que, ao longo de todo o filme, apontou para um sentido quando, na verdade, toda a história estava a ser vista pelo ângulo errado.

Quem é, afinal, o verdadeiro culpado?

 

 

Fractured - o filme

 
O que estamos dispostos a fazer para salvar a nossa família?
Até onde estamos dispostos a ir, e a sacrificarmo-nos, para recuperá-la?
Será que teremos forças para lutar contra tudo e contra todos, quando todos parecem estar contra nós, a fazer-nos passar por desequilibrados, para nos descredibilizar, e evitar que desmarcaremos os seus macabros segredos?
 
É por algo assim que Ray, uma das personagens principais deste filme, irá passar.
A nós, que estamos a assistir, resta-nos perceber qual a verdadeira realidade, e quem, ali serão os verdadeiros loucos.
 
 
 
 
Ray viaja com a sua mulher, Joanne, e a filha de ambos, Peri, de regresso a casa, depois de um almoço do Dia da Acção de Graças, que não correu da melhor forma.
 
Percebe-se que não estão bem. Para além de discutirem, Joanne dá a entender que a relação deles está condenada. A situação só não piora porque Ray concentra-se na filha, e se acalma.
 
Numa pequena paragem, numa estação de serviço, enquanto Ray está distraído a limpar o carro, e Joanne foi à procura de algo que Peri deixou na casa de banho, Peri afasta-se e, quando dá por isso, tem um cão a assustá-la e encurralá-la, muito perto de uma cratera feita por causa de uma obra de construção civil.
 
 
 
 
Sem que Ray consiga chegar a tempo de evitar o pior, Peri acaba mesmo por cair. Enquanto Ray tem apenas um ferimento na cabeça, Peri parece ter fracturado o braço, por isso, acabam por seguir para o hospital mais próximo. E é aí que tudo irá acontecer.
 
Após um tempo excessivo de espera e uma burocracia sem fim e, aparentemente, despropositada para a situação, Peri é finalmente vista por um médico e aconselhada a fazer uma TAC, por prevenção.
 
Enquanto Joanne acompanha a filha, Ray aguarda na sala de espera, acabando por adormecer. Quando acorda, várias horas depois, e pergunta aos funcionários do hospital pela mulher e filha, é informado de que nenhuma delas esteve naquele hospital, naquele dia.
 
 
 
 
 
 
 
 
Enquanto Ray pensa que lhe estão a esconder a família, e que algo de muito errado se passa naquele hospital, com a conivência de todos, auxiliares e médicos, provavelmente relacionado com tráfico de órgãos, a opinião dos especialistas é a de que Ray está a ter alucinações e a confundir a realidade, provavelmente devido à pancada na cabeça.
 
Já a psiquiatra de serviço, tem uma outra opinião, que configura um cenário ainda mais sinistro, e uma posição ainda mais delicada para Ray.
 
Estarão todos a tentar fazê-lo passar por louco, para desacreditá-lo? Ou estará ele a viver numa outra realidade, sem se dar conta?
Onde estão, de facto, Joanne e Peri, e o que realmente lhes terá acontecido?

Bird Box - Às Cegas

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Já tinha ouvido falar do filme Bird Box, mas não prestei grande atenção.

Volta e meia, recebo sugestões da Netflix e, provavelmente, este filme, por lá designado “Às Cegas”, estava entre elas, mas não dei importância, nem associei como sendo o mesmo.

No fim-de-semana, o meu marido pôs o filme. E eu, que andava a arrumar roupa e fui apanhando partes do início, acabei sentada no sofá a vê-lo!

 

 

A história

O filme conta a história de Malorie (Sandra Bullock), num cenário apocalíptico, onde quem quer manter a integridade mental tem que estar fechado em casa, com as janelas e portas tapadas, e de manter os olhos vendados, sempre que sai à rua.

Tudo devido a uns seres misteriosos, as “criaturas” que provocam reações perigosas, levando quem as vê a cometer loucuras, normalmente, suicídio.

Malorie está grávida. Quando regressa de carro com a irmã, depois de uma ida ao obstetra para uma ecografia, percebe que o caos está a atingir aquele local. No meio do pânico geral das pessoas nas ruas e do próprio acidente provocado pela irmã, que já foi contagiada, Malorie acaba por se barricar numa casa com outros sobreviventes.

Cinco anos mais tarde, e numa tentativa de salvação e de dar uma vida melhor aos filhos, os três terão que embarcar numa missão praticamente impossível, da qual não se sabe se algum deles sobreviverá, ou conseguirá chegar ao destino.

 

 

 

Houve três questões que o filme me levantou.

A primeira é a que dá o mote ao nome do filme, e a toda a história – conseguirá o ser humano fazer toda a sua vida “às cegas”? O quão difícil é resistir à tentação de tirar a venda, sobretudo quando estamos numa situação de perigo, e de pura sobrevivência que, ao mesmo tempo, depende de termos, precisamente, uma venda que não nos deixa ver nada, para o bem e para o mal?

Lembrei-me de imediato de outro filme “Um Lugar Silencioso”, que ainda não vi (mas está na lista à espera de tempo), em que a sobrevivência daquelas pessoas depende do silêncio. O que será pior: não poder emitir um único som que seja, ou não poder ver?

Mais complicado ainda é, quando envolve crianças, seres curiosos e mais frágeis por natureza, cheios de sonhos, expectativas, energia. Como dizer a uma criança que, sob circunstância alguma, deve tirar a venda dos olhos, e esperar que ela compreenda, aceite e obedeça?

 

 

A segunda, com a confiança e o instinto de sobrevivência no meio do caos, a forma como agimos de formas diferentes, consoante o lado em que estamos.

Por um lado, estando do lado do perigo, e nos queremos salvar, o que mais desejamos, em relação àqueles que nos podem ajudar, é que confiem em nós, que abram uma excepção, que nos deixem entrar.

Mas, quando estamos do lado de dentro, vamos querer abrir a porta a outros? Vamos arriscar salvar outras pessoas, pondo-nos em perigo? Até que ponto, caso deixemos mesmo entrar, será essa pessoa confiável?

Como saber se nos estão a dizer a verdade, ou a fingir?

 

 

A terceira questão prende-se com a maternidade, a sobrevivência, e a escolha entre um filho de sangue, e um “filho adoptado” por força das circunstâncias.

A um determinado momento, é colocado o dilema de alguém ter que tirar a venda, para que seja possível atravessar os rápidos de forma mais segura, sem acidentes. Uma das crianças terá que o fazer. O “Rapaz”, como é chamado pela mãe, é o seu filho biológico. A “Miúda”, filha de uma das sobreviventes iniciais, é apenas uma miúda que ela protegeu e cuidou durante 5 anos, juntamente com o filho, após a morte da mãe dela.

Parece uma escolha óbvia sobre qual deles será o infeliz contemplado. Tão óbvia, dada a questão do sangue, e a forma dura como, por vezes, a mãe fala para ela, que a “Miúda” se antecipa, e se oferece para tirar a venda, sacrificando a vida.

Terá Malorie coragem para aceitar esta oferta, condenando à morte uma criança que não é sua, para se  salvar a si e ao próprio filho?

 

 

E, se conseguirem mesmo chegar ao local que lhes foi indicado, o que será que os espera? 

 

 

 

 

 

 

Curiosidades:

O filme é baseado no livro Bird Box, escrito por Josh Malerman, lançado em 2015. A obra do romancista teve grande sucesso e ganhou diversos prémios antes de se tornar filme. E porquê Bird Box? Porque os pássaros têm um papel especial nesta história!

 

Os actores tiveram que passar a maior parte do tempo das gravações com os olhos vendados, para que as suas prestações parecessem o mais reais possível.

 

 

 

Agora, em jeito de adivinha, e sabendo do que se trata a história, qual seria, para vocês, o local mais indicado, ou mais óbvio, para recomeçar uma nova vida e se protegerem destas "criaturas"?

 

Pesquisa obsessiva

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O filme começa, e digo ao meu marido: "olha, ia dizer que aquilo era a imagem do ambiente de trabalho do pc". Era mesmo! Parecia que estávamos no pc, mas na tv.

 

 

Uma família, contituída por pai, mãe e filha, aparenta ter tudo para ser uma família feliz.

A mãe, tira fotos e guarda vídeos das fases mais importantes da vida da filha, que guarda em pastas, no computador. Faz lembrar alguém?!

A filha vai crescendo. A mãe acaba por falecer de cancro. E a família feliz desfaz-se.

 

 

Num dia como outro qualquer, Margot avisa o pai que vai passar a noite a fazer um trabalho de biologia em casa das amigas, e que não espere por ela, porque será uma directa. Parece querer despachar o pai, não dar grandes explicações.

No entanto, a meio da noite, liga várias vezes ao pai, que não atende. Tenta através de ligação pelo facebook, sem sucesso.

E, no dia seguinte, o telemóvel dela está desligado, e ele não consegue falar com a filha que, fica a saber, faltou nesse dia às aulas, e há seis meses que não vai às aulas de piano, para as quais o pai lhe deixa dinheiro todos os meses.

 

 

É a partir desse momento que o pai de Margot dá início a uma pesquisa obsessiva através da internet, para descobrir onde ou com quem ela poderá estar, ou o que lhe poderá ter acontecido.

Ao longo do filme, tudo parece mostrar que David e Margot não têm uma boa relação, desde a morte da mãe, e que ele não conhece, de todo, a filha.

Com a ajuda de uma detective premiada, David terá que aceder a todas a redes sociais da filha, e até às pastas da falecida mulher, para conseguir contactos, pistas, informações.

 

 

E as descobertas que vai fazendo, podem-se revelar duras, surpreendentes, inesperadas, e até trágicas, prevendo-se aquele desfecho que ninguém quer, mas já todos esperam. 

A não ser que nada o que estamos a ver seja mesmo assim, tal como o estamos a ver!

 

 

Do refúgio nas redes sociais, à procura de alguém com quem se possam identificar, passando pelo roubo de identidade (bem a propósito d'A Rede), o filme mostra o mundo e a forma como as pessoas vivem a sua vida na actualidade, dando importância a coisas e situações muitas vezes superficiais, mas desvalorizando aquilo que mais importa.

No entanto, essas mesmas redes sociais acabam por ter um papel determinante na resolução deste mistério.

 

 

Achei fantásticos os programas que por ali tinha o pai da Margot, para encontrar números de telefone e até saber mais sobre alguém, com base numa simples imagem pesquisada no Google. Por aqui, não sei se já chegámos a esse nível.

 

 

A resposta à pergunta "O que aconteceu com Margot?" só a saberemos mesmo no final mas, se estivermos atentos, mas mesmo muito atentos, podemos descobrir quem está por detrás do que quer que seja que lhe tenha acontecido, antes desse momento. E garanto-vos que está muito bem pensado!

Perto de Casa, de Cara Hunter

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Um família como tantas outras celebra, naquele dia, o aniversário da sua filha Daisy, com uma grande festa no seu jardim, tendo por convidados as colegas de escola e amigas da menina, e respectivos pais, e os vizinhos.

Tudo corria aparentemente bem, até ao momento em que percebem que Daisy desapareceu. Terá saído sozinha? Ou alguém a levou? E se alguém a levou, quem poderá ter sido?

A polícia começa a fazer o seu trabalho e tenta reconstituir todos os passos de Daisy no dia do desaparecimento, recuando, a determinada altura, aos dias e semanas anteriores.

 

 

Ao mesmo tempo que se percebe que nem Sharon, a mãe, é a mulher e mãe perfeita que aparenta, nem Barry, o pai, é o típico pai de família, chegado aos filhos que se poderia pensar, tal como Leo, o irmão, que parece saber mais do que conta e esconder algum segredo, compreendemos que também a amizade de Daisy com as amigas não estava no seu melhor.

À medida que se vai desenrolando o fio da meada, vão surgindo surpresas atrás de surpresas, que podem explicar e justificar muita coisa.

Daisy parecia ser molestada pelo pai, vítima de ciúmes e inveja doentios por parte da mãe, ser odiada por algumas amigas, e encontrar-se clandestinamente com um rapaz ligado a redes de pedofilia e pornografia.

Todos eles tinham motivos. Nem sempre as famílias desestruturadas e problemáticas têm de ter, obrigatoriamente, no seu seio, alguém capaz de cometer os crimes mais hediondos. Por outro lado, até das famílias mais perfeitas pode surgir o mau da história.

 

 

O que a autora diz na capa do livro é verdade. 

Alguém levou Daisy. Alguém que todos conhecem.

Se, num primeiro momento, tudo aponta na direcção do pai, ou até do irmão, para depois de desviar para o rapaz misterioso com quem Daisy se encontrava, mais tarde, parece haver cada vez mais certeza de que realmente foi o pai, até ao momento em que as provas passam a apontar, sem sombra de dúvidas, para a mãe, que acaba por ser condenada.

 

 

Mas, será que Sharon assassinou mesmo a sua filha?

Será que Daisy está sequer morta?

Depois de tanto suspense, fiquei boqueaberta com o final da história, que é mesmo o ponto mais alto.

Estava mesmo ali à nossa frente a resposta! Mas, de tão insignificante ou indiferente, passou completamente ao lado!  

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