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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

"Alguém Está A Mentir", de Rachel Amphlett

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Se é verdade que se pode viver aprisionado, ainda que em liberdade, também é verdade que, muitas vezes, ainda que dela privados, nos podemos sentir mais livres.

E se uma tragédia tem o efeito de nos "encarcerar", enredar e prender na sua teia, quem sabe, uma outra, não quebra as correntes que nos prendem, e nos liberta, definitivamente... 

 

No âmbito da parceria com a editora Alma dos Livros, tive oportunidade de ler este thriller, da autora Rachel Amphlett.

E se, pela sinopse, estão à espera de algo ao género dos filmes "Saw", ou "Escape Room", esqueçam. A trama, embora tenha o seu ponto de partida, precisamente, numa escape room, não passa por aí. 

Longe da mecânica, ou eventual erro de funcionamento, deste tipo de experiência, a história por detrás da misteriosa morte de Simon, um dos membros do grupo de amigos que se encontrava naquela sala, leva-nos para outro caminho. Fora daquelas paredes. Até ao fundo da amizade que une aquelas cinco pessoas - Lisa, Bec, Hayley, David e Simon - e que, ao mesmo tempo, parece afastá-las cada vez mais. 

 

Uma coisa é certa: todos alegam inocência, mas todos se sentem culpados. Porquê? De quê?

Todos parecem ter algo a esconder. Algo sobre o qual não querem falar.

Todos estão nervosos, e a agir de forma estranha, desde aquele dia...

O dia em que celebravam o aniversário de Lisa. Provavelmente, o último desta, que não tinha muito mais tempo de vida. O dia em que Simon morreu. E em que Lisa recebeu o transplante de rim (precisamente, de Simon), que a salvou da morte...

Ela foi a maior beneficiada mas...

À medida que vamos avançando na leitura, percebemos que todos tinham motivos para tirá-lo das suas vidas.

E se, no caso de Lisa, ela não se lembra de nada do que aconteceu naquele dia, o mesmo não se poderá dizer dos restantes.

 

A investigação à morte de Simon será, assim, o gatilho que porá a descoberto a fragilidade daquelas amizades, os segredos que escondem uns dos outros, a desconfiança que paira entre eles. 

 

É um livro que, sem grandes floreados e reviravoltas ainda assim, consegue enredar, e agarrar o leitor, logo nas primeiras páginas, numa história bem construída, fazendo-o suspeitar de tudo e todos, à medida que cada um deles tenta narrar os acontecimentos do seu ponto de vista, e lança a suspeita sobre si, ou sobre os restantes amigos.

Será que os nossos amigos confiam em nós e nos contam tudo sobre si. Será que podemos confiar neles, para lhes contar tudo sobre nós? Saberão eles guardar um segredo? Conseguiremos, nós mesmos, fazê-lo? E que preço pagaremos por isso?

 

Alguém está a mentir. Quem? Um deles, vários, todos eles? Mas não seremos, no fundo, todos nós mentirosos, em algum momento da nossa vida?

Uma obra que nos induz a uma leitura voraz e ininterrupta até à última página e que, sem dúvida, recomendo!

 

 

Sinopse
 

"Bec, David, Hayley, Simon e Lisa são amigos desde sempre. No aniversário de Lisa, decidem organizar uma aventura especial e emocionante - o desafio de se evadirem de uma escape room. Aquilo que pensavam que viria a ser uma aventura perfeita tornar-se-ia o maior pesadelo das suas vidas.
Lisa acorda no hospital com uma terrível sensação de angústia e vazio. As suas últimas memórias são de estar naquela escape room a comemorar o seu aniversário com os amigos. Porém, descobre agora que um deles está morto - e que lhe salvou a vida - e os restantes parecem querer evitá-la.
Sem se lembrar do que aconteceu, Lisa está determinada a descobrir a verdade, mas, quanto mais se questiona, mais confusa fica. É então que mergulha nas profundezas do passado do resto dos sobreviventes e se depara com revelações aterradoras.
À medida que recupera, Lisa desvenda um rasto de segredos bem guardados, rumores perturbadores e mentiras desconcertantes. Alguém está a fazer tudo para encobrir a verdade."

 

 

Edição: 10-2020

Editor: Alma dos Livros

Idioma: Português

Páginas: 272

Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Policial e Thriller

 

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A Noite Em Que o Verão Acabou, de João Tordo

Bertrand.pt - A Noite em que o Verão Acabou

 

Tinha este livro na minha lista de livros a comprar há imenso tempo.

Foi ficando para trás. Veio no Natal.

Foi a minha estreia com o autor. Esperavam-me mais de 600 páginas, e digamos que o início não estava muito promissor. Imaginei que demoraria várias semanas a lê-lo. Não foi o caso.

Terminei-o esta manhã.

 

Com três personagens principais, Laura, Pedro e Levi, este livro mostra aquela que está um pouco à frente, que tenta tirar o proveito da vida, e do momento, sem se envolver demasiado; aquela que parece ter ficado, para sempre, estagnada num verão da adolescência e vive de memórias, sonhos e desejos não concretizados; e aquela que, alheia às outras duas, parece ser uma criança difícil e problemática, com uma imaginação demasiado sombria e, mais tarde, uma jovem assassina.

 

Uma típica família portuguesa, unida, honesta, numerosa, humilde.

E uma família americana, descontraída, moderna, gente rica e poderosa, a fachada de família perfeita, a caminho de se desfazer de vez.

Um amor da adolescência, que nunca chegou a ser vivido, mas que permaneceu presente na mente de Pedro, condicionando a sua vida e o seu percurso, enquanto Laura seguiu a sua vida.

A vontade de se tornar escritor, ir atrás do seu autor de eleição e, pelo caminho, quem sabe, cruzar-se com Laura. E a constatação de que, provavelmente, fracassaria em todas essas metas, porque as tentava alcançar pelos motivos, e da forma, errados.

 

De repente, na relativa normalidade da sua vida de estudante, Pedro recebe um telefonema de Laura, pedindo ajuda. O pai de Laura tinha sido assassinado. A irmã mais nova, Levi, estava a ser acusada de ter matado o pai de ambas.

A partir daqui, nenhum deles terá, durante muitos e longos anos, sossego ou paz, por conta de um crime que não conseguem desvendar, e um passado que não sabem como investigar, quando falta a maioria das peças.

Existem muitos interesses em jogo. Dinheiro também. E a necessidade urgente de se culpar alguém faz de Levi a única suspeita credível, até porque foi encontrada com a arma do crime na mão, e assinou a confissão, acabando mesmo por ser condenada e passar, os anos seguintes, a cumprir a pena.

Nem mesmo a morte do sócio do pai, no mesmo dia, foi suficiente para relacionar os casos, ou aprofundar a investigação.

 

A história poderia ter ficado por aí. Provavelmente, teria ficado.

10 anos se passaram.

Novamente afastados. Novas vidas a serem vividas.

Até que alguém decide fazer um documentário sobre a inocência de Levi, e "leva" todos ao local do crime, de novo.

Só que, desta vez, alguém quer que a história toda se saiba, e tanto Laura como Pedro, com a ajuda do jornalista Nolasco, e de uns quantos testemunhos que conseguem obter, chegam à verdade que é muito mais obscura, e complexa, do que poderíamos imaginar.

 

Poderão agora, cada um deles, libertar-se do passado?

Recomeçar, sem esse peso nos ombros, e na mente?

Valerá a pena tornar a verdade pública?

E quem o poderá fazer?

A Sereia de Brighton, de Dorothy Koomson

Bertrand.pt - A Sereia de Brighton

 

É o segundo livro que leio, desta autora.

Não o conhecia, até que alguém aqui no Sapo, falou sobre ele, e me despertou a curiosidade em lê-lo.

Não fazia ideia do que esperar, mas foi uma boa decisão tê-lo pedido como prenda de Natal!

 

Acho que, pela primeira vez, assim tão explicitamente, li uma história em que as protagonistas são negras, tal como a primeira mulher assassinada, que deu o nome à história e que ficou conhecida, à falta de conhecimento sobre a sua identidade,  como a "sereia de Brighton".

A trama alterna entre a actualidade, e os acontecimentos ocorridos ao longo do tempo, desde há 25 anos atrás, numa noite em que duas adolescentes, Nell e Jude, que não deveriam andar na rua àquela hora, dão de caras com um cadáver, na praia.

Após comunicarem às autoridades o sucedido, as duas adolescentes que, à partida, poderiam ser consideradas como testemunhas, são tratadas como culpadas, como "galderiazinhas", pela polícia, que as tenta intimidar e fazê-las confessar o que quer que estejam a esconder.

 

Racismo, violência física e psicológica, discriminação, bullying, abuso de autoridade. Tudo isto ocorre a partir de então, com Nell e toda a sua família, destruindo-lhes a vida.

Entretanto, Jude desaparece misteriosamente. Vão surgindo muitas outras mulheres assassinadas, mas nenhuma delas é Jude. O que lhe terá acontecido?

 

No ano em que se celebra o 25º aniversário sobre a morte da "sereia de Brighton", Nell está entre a espada e a parede, com o tempo contado para descobrir o que realmente aconteceu, sob pena de a vida da sua família, entretanto refeita, poder vir a desmoronar-se novamente.

Por outro lado, há quem não queira ver o mistério resolvido, e esteja disposto a tudo para que Nell fracasse nessa missão, eliminando todos os que, de alguma forma, puderem contribuir para a descoberta da verdade.

 

Uma história cheia de surpresas, de segredos, de mistério, numa contagem decrescente para a grande revelação, se chegar a acontecer...

 

Mais uma vez, este enredo prova que até as pessoas mais próximas de nós podem esconder-nos segredos, e que nunca chegamos a conhecer, verdadeiramente, algumas delas.

 

 

 

 

 

 

"A Rapariga Fatal", de Lesley Wolfe

A Rapariga Fatal, Leslie Wolfe - Livro - Bertrand

 

Qualquer que seja o motivo que leva um serial killer a escolher as suas vítimas, de uma coisa podemos estar certos: qualquer pessoa pode encaixar no "perfil" de um destes assassinos, independentemente daquilo que é, ou não é, daquilo que faz, ou não faz, das decisões que toma, ou teima em não tomar.

Porque nunca sabemos a sua motivação e, por isso, nunca podemos saber se somos potenciais vítimas, ou se estamos a salvo do seu alvo.

Assim, qualquer um(a) pode ser escolhido(a). Mesmo que pareça não fazer qualquer sentido.

 

Quando as vítimas encaram a sua nova realidade, e a morte certa e iminente, sabem que não têm como controlar o "fim da linha".

Mas podem sempre escolher resignar-se a ela, ou oferecer-lhe alguma resistência, mantendo a dignidade, mesmo na hora da sua morte.

Sarah é daquelas que se resignou à sua sorte... Katherine, nem por isso. Pode até morrer, mas não vai fazer o que aqueles monstros querem.

 

Não podemos controlamos as pessoas com quem nos envolvemos. Mas podemos escolher, a partir do momento em que as conhecemos verdadeiramente, fechar os olhos e ignorar, ou fazer aquilo que sabemos que tem que ser feito.

O problema é que, entretanto, mais vítimas podem sofrer, perder as suas vidas, juntar-se à lista de homicídios por resolver.

 

Lisa, Sarah, Katherine, Stacey e Melissa. 

O que têm em comum estas mulheres?

Porque foram escolhidas?

Quantas delas conseguirão sobreviver à tortura e à morte?

 

Tess Winnett vai, através da sua cama no hospital, onde está a recuperar da última "marca de guerra" com a qual o serviço a brindou, tentar desvendar o mistério em torno de uma dupla de serial killers  que anda a eliminar um determinado tipo de mulheres, em que um é apenas violador, e o outro apenas o assassino, mas que trabalham em conjunto e se complementam entre si.

 

Um dos suspeitos é fácil de desvendar.

Mas confesso que me enganei com o segundo.

E, tal como Tess na cama de hospital, também nós, deste lado, sentimos o tempo a escassear, a frustração de não haver quaisquer pistas concretas ou suspeitos credíveis, e mais uma vítima mortal a surgir a qualquer momento, sem que ninguém as consiga salvar daquele inferno.

 

Paralelamente à caça a esta dupla de criminosos, temos histórias de mulheres, trabalhadoras, mães, mulheres que estão cansadas daquilo em que as suas vidas se tornaram, do rumo que as suas relações tomaram, da forma como a maternidade as transformou, e do quão fácil é refugiar-se de tudo isso, nas mais diversas distracções ou dependências.

E parece que há alguém neste mundo decidido a condená-las pelas suas decisões e comportamento, e a mostrar a todos, até mesmo depois de mortas, a "espécie" de mulheres que elas são, e porque mereceram aquele castigo. 

 

Quem será a próxima?

Conseguirá Tess, juntamente com os colegas, evitar o pior?

"A Desordem Que Deixas", na Netflix

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Ninguém é perfeito.

Toda a gente comete erros.

Uns, mais do que outros.

Uns, maiores que outros.

Uns, pagam mais caro por eles, que outros.

E alguns, pagam pelos erros dos outros...

 

Que erro terá cometido Viruca, a professora de Literatura que, aparentemente, se suicidou, depois de vários problemas com os alunos, dos mexericos sobre si entre os seus colegas, e de uma relação conturbada com o seu ex-marido?

 

Que erros cometeu, ou poderá vir a cometer, Raquel, a professora que veio substituir Viruca, que a possam levar pelo mesmo caminho que a sua antecessora?

 

Numa história em que o antes e o depois nos são mostrados quase paralelamente, como se estivéssemos a assistir ao passado e ao presente, em simultâneo, com as personagens principais a cruzar-se e a percorrer o mesmo caminho, e a dar os mesmos passos, tudo e todos são suspeitos, e podem levar até a pessoa mais mentalmente sã, à loucura.

Sobretudo, quando há segredos a esconder, que não devem vir à tona.

E numa cidade em que, como afirma Roi, a determinado momento, "todos se conhecem, e todos se protegem".

 

O que não deve Raquel descobrir?

O que a liga, no presente, ao passado de Viruca?

Poderá Viruca ter sido assassinada? 

Quem a conheceu, afirma que ela não era mulher de se suicidar. Mas como é que, de facto, sabemos isso sobre alguém, com quem apenas trocamos meia dúzia de palavras?

Certo é que, suicídio ou homicídio, Viruca deixou a vida de todos numa autêntica desordem. E Raquel, acabada de chegar, não parece ter escapado à mesma, com a sua vida, já complicada, a tornar-se ainda mais desastrosa, à medida que os dias passam, e ela se envolve mais no mistério de Viruca, que agora a afecta directamente.

 

São vários os elos de ligação entre ambas.

Os alunos Iago, Roi e Nerea são os principais. Aqueles que mais conflitos pareciam ter com a antiga professora e que, agora, provocam com a actual.

Também Mauro, o ex-marido de Viruca, pode ajudar a chegar à verdade embora, ele próprio, possa não estar totalmente inocente. 

E até as pessoas que lhe estão mais próximas, podem estar envolvidas, e a mentir-lhe.

Em quem confiar? De quem desconfiar?

 

Ao início, poderíamos pensar que Raquel é uma mulher mais frágil do que Viruca, que não saberá como lidar com os alunos, com o fantasma da mulher que foi substituir, nem com a sua relação com o marido.

Mas talvez ela seja mais forte do que parece. E talvez ela precise de encontrar a verdade de uma história que não é a dela, para refazer, ela própria, a sua história. 

E, quem sabe, ajudar no recomeço das histórias, daqueles que a rodeiam...

 

Uma excelente série, com grandes interpretações, que recomendo!