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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

A Rapariga Que Sobreviveu, de Leslie Wolfe

Bertrand.pt - A Rapariga que Sobreviveu

 

Como é possível que, a uma pessoa que se diz tão inteligente, que se gaba da sua inteligência e se considera, nesse campo (e em muitos outros) acima dos comuns mortais, tenha escapado um simples pormenor?

Algo que estava à vista de todos?

Algo ele tinha obrigação de saber?

 

Pois... 

Parece que afinal, até os mais inteligentes erram. E podem pagar um preço alto por esses erros.

Porque é um grande risco deixar para trás uma sobrevivente. Alguém que pode ter visto o crime. Alguém que pode desmarcar o assassino, e contar toda a verdade.

 

Ao longo dos últimos anos, porém, este serial killer tem continuado a cometer os seus crimes, impunemente, sem qualquer indício de que alguém saiba quem ele é, ou o possa denunciar. Isso fá-lo acreditar que o seu erro jamais lhe causará grandes danos.

 

O que ele não contava, era que o jogo pudesse virar.

Ao que parece, há uma médica que quer experimentar um novo programa para pessoas que perderam a memória. E Laura quer, mais do que nunca, lembrar-se do que aconteceu no dia em que a sua família foi impiedosamente assassinada, tendo ela sido a única que escapou, escondida num cesto da roupa suja, na casa de banho, às escuras, onde o assassino não se lembrou de procurar.

 

Apesar de a família, que a adoptou e criou como filha, achar que ela não deve remexer no passado, depois de ter levado tanto tempo a conseguir recuperar do trauma e viver em relativa normalidade, opinião partilhada pelo namorado, Laura quer avançar. Ela precisa disso.

 

Agora, ele corre perigo e só há uma solução: eliminar Laura, antes que ele o denuncie, caso o programa resulte, e ela se recorde de tudo.

Agora, não pode voltar a errar.

 

Mas Tess não poupará esforços para proteger Laura, tentar evitar o pior, e provar que o Homem de Família, um assassino no corredor da morte, a dias de ser executado, não foi o autor da morte da família de Laura, nem de outros dois crimes, que lhe foram imputados.

O que significa que, quem o fez, ainda anda à solta, poderá atacar a qualquer momento, e eliminar a única pessoa que o pode identificar.

 

Nesta corrida contra o tempo, em que Tess não tem, de todo (para variar) a vida facilitada, quem levará a melhor?

 

 

A Desaparecida

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Um casal e a sua filha, de 10 anos, estão a caminho de um acampamento, onde irão passar uns dias, por altura do Dia de Acção de Graças.

Já no acampamento, instalados, e enquanto a mulher se dirige à loja, o marido depara-se com uma campista sensual com quem fica à conversa, enquanto se prepara para ir à pesca com a filha.

Só que a filha, que tinha ficado na caravana, desapareceu.

 

O xerife é chamado de imediato, e começam as buscas por Taylor.

Todos são suspeitos.

O rapaz deficiente que por ali anda.

O dono da loja, que parece ter algo a esconder.

O casal de campistas vizinhos.

E, para piorar, há um fugitivo à solta, que pode estar a dirigir-se para aqueles lados.

 

A mulher é mais perspicaz. Mais atenta. Não quer ficar parada e insiste em procurar a filha. 

Repara em pormenores a que o marido não presta atenção.

E mete-se em sarilhos.

 

A relação entre ambos estava com problemas, que eram minimizados pela existência da filha mas, agora que ela desapareceu, tudo começa a desmoronar.

A determinado momento, Wendy tenta o suicídio. E o marido, diz-lhe que está na altura de aceitarem que a filha não vai voltar.

 

A verdade é que, para além do desaparecimento de Taylor, outras pessoas estão a ser assassinadas.

Vem-se a descobrir que o dono da loja, e responsável pelo acampamento, era pedófilo, e poderia estar ligado a uma rede. 

E parece que Justin também tem algo a esconder.

 

Só quando estamos a chegar quase ao final do filme, e depois de termos suspeitado de muitas daquelas pessoas, é que o xerife descobre o que, realmente, aconteceu a Taylor.

E percebemos que fomos "enganados" ao longo de quase todo o filme!

À Beira do Colapso, de B. A. Paris

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Pequenos esquecimentos...

Pequenas confusões...

Pequenos mal entendidos...

São coisas normais que podem acontecer a qualquer um, não são?

 

Algum stress, receio, instabilidade emocional, quando se sabe que uma amiga foi assassinada bem perto da nossa casa, e que o assassino continua à solta, é normal, não é?

 

Ficar em pânico quando se recebe chamadas anónimas constantes, sem que ninguém fale, é normal, não é?

 

Cass achava que sim, até perceber que poderia estar a mostrar sinais da mesma doença de que a mãe sofreu - demência.

Ela já tinha reparado em pequenos incidentes, mas atribuíu-os à falta de descanso, que seria brevemente compensado, com as férias que iria gozar.

Mas depois...

 

Depois, veio aquela noite de tempestade, em que ela conduziu numa estrada deserta e perigosa, sem rede, viu por ali um carro parado, com uma mulher lá dentro e, apesar da hesitação, de uma breve paragem, não arriscou sair do carro, não se fosse dar o caso de ser um esquema para a atacar e, não vendo sinais da outra parte de que precisasse de ajuda, achou mais seguro seguir para casa.

 

A partir do momento em que soube que essa mulher que ela tinha visto, que até conhecia e com quem tinha travado uma amizade recente, tinha sido assassinada nessa mesma noite, Cass nunca mais foi a mesma.

A culpa, a tristeza e o medo de que o assassino a tivesse visto, juntamente com a dúvida que que pudesse ter herdado a doença da mãe, levaram Cass a um tal estado, que todos à sua volta se mostraram preocupados.

O que é real, e o que é imaginação? 

Estará ela assim tão louca, a ponto de já não saber fazer as coisas mais simples? De não se lembrar das coisas que faz? Das decisões que toma? Dos compromissos que assume?

Onde fica a linha que separa aquilo que faz sentido, da paranoia?

 

Quem está do seu lado, e quem está contra ela?

Quem a apoia, e quem deseja o seu mal?

E se, afinal, ela não estiver a perder a sua sanidade mental, mas haja alguém a fazer de tudo para assim o parecer, ou levá-la a acreditar que está?

 

Confesso que, a determinado ponto, começa a ser exagerado tudo aquilo que está a acontecer a Cass, e tão constantemente.

Ninguém se engana assim tantas vezes. Ninguém se esquece assim tanto, ou perde a noção daquilo que faz.

Ou será que sim?

 

Esta é uma história que nos põe, automaticamente, a pensar em situações tão básicas pelas quais passamos, como aquela vez em que jurávamos que tinhamos deixado o carro num determinado sítio do estacionamento e, depois, andamos à procura dele que nem loucos. Ou quando jurávamos que tínhamos deixado algo num determinado sítio, e depois aparece noutro.

Há coisas que parecem não ter explicação. Ou até têm...

 

Desde que li, em tempos, que os crimes têm sempre um de três motivos para ocorrerem - inveja, sexo, dinheiro - ou, até, a junção de mais do que um, que tenho vindo a constatar que, nestas últimas histórias, bate certo. 

 

Matthew é um marido perfeito, compreensivo, condescendente, mas Cass não sabe quanto tempo mais ele vai aguentar estar casado com ela, com tudo o que está a acontecer, e que afecta o seu casamento.

Rachel é a amiga que todas desejariam ter. Está lá para minimizar as coisas, dar-lhe força e animá-la. Mas já anda a perder a paciência.

John, um colega de trabalho que esteve, em tempos, interessado em Cass, também parece preocupar-se com ela, e ela sente-se bem quando está com ele.

Já aquele homem da empresa de alarmes, ou o vizinho que se acabou de mudar para o bairro, não lhe inspiram confiança, e parecem muito suspeitos.

 

Mas a pergunta que se coloca, no meio de tudo isto, é: Quem matou Jane, e porquê?

E, sabendo essa resposta, saberemos de que forma tudo está, ou não, relacionado com a súbita manifestação de demência de Cass que poderá, em último caso, levá-la ao inevitável internamento, sem nunca de lá mais sair, ou algo pior...

 

No fim, fica a dica:

Confia, desconfiando...

Acredita, confirmando...

Aceita, questionando...

 

Só assim saberemos quem é o nosso amigo, e o nosso inimigo.

Só assim conseguiremos munir-nos para uma luta desigual, da qual só poderemos sair vencedores ou vencidos.

E porque só assim se descobrirá a verdade.

 

 

Sinopse
 

"Cass vive momentos difíceis desde o dia em que viu aquela mulher dentro de um carro estacionado no bosque. Agora sabe que a mulher foi assassinada e que ela nada fez para ajudar. Tenta afastar o caso da sua mente, mas o que poderia ela ter feito? Se tivesse parado, teria provavelmente acabado também por ser uma vítima.
Mas, desde então, Cass anda perturbada, esquece-se das coisas mais básicas: Onde deixou o carro? Tomou a medicação? Qual o código do alarme de casa? Consumida por um profundo sentimento de culpa, a única coisa que não consegue esquecer é a imagem daquela mulher dentro do carro. e há ainda as chamadas telefónicas anónimas e a sensação de que alguém anda a observá-la. Mas quem poderá estar por detrás disso?"

 

 

 

 

Deixa-me Mentir, de Clare Mackintosh

Bertrand.pt - Deixa-me Mentir

 

Porque é que as pessoas mentem?

Para se protegerem? Para protegerem outros?

Por hábito? Por necessidade?

O que leva alguém a mentir, e a mexer com a vida daquees que lhes são próximos, com essas mentiras?

 

Como o próprio título indica, alguém mentiu nesta história. Ou mente.

Mas há, também, alguém que sabe a verdade.

E pessoas que, neste momento, estão entre uma verdade que não deve ser descoberta e as pode prejudicar ainda mais, e uma mentira que, embora assente a sua poeira, não convence e não deixa seguir em frente.

Há quem prefira conviver com a mentira. Há quem busque eternamente a verdade. Há quem queira deixar o passado no passado. E quem queira remexer nele, até porque ele acaba por vir parar ao presente, e pode ditar o futuro.

 

Assim, quem mente. E quem diz a verdade?

A arte de contar uma história, através das personagens, na primeira pessoa, sem as revelar, é algo que nem todos conseguem. Clare Mackintosh conseguiu. 

E passei quase toda a história a achar que estava a ler uma pessoa quando, na verdade, era outra.

 

Anna perdeu os pais. Ambos se suicidaram, deixando-a por sua conta.

Embora fosse difícil, para Anna, imaginar motivos para os pais o fazerem, tudo levava a crer que assim tivesse acontecido e, como tal, a investigação depressa foi concluída.

No entanto, no aniversário da morte da sua mãe, Anna recebe um postal misterioso que lhe sugere que as mortes podem não ter sido um suicídio.

Se não foi suicídio, significa que poderá ter sido homicídio. E, se o foi, há que voltar a abrir a investigação.

Mas com base em quê? Num simples postal?

 

A verdade é que uma série de outras ocorrências fazem Murray, um polícia reformado a quem Anna recorre, tentar juntar as peças e chegar a alguma conclusão, sem saber bem o que pensar, e por onde começar a investigar. E, quando parecia que Murray estava a fazer progressos e chegar à verdade, é Anna que pede para ele parar por ali, e esquecer tudo. O que terá feito Anna mudar, subitamente, de ideia?

 

Paralelamente à intriga principal, temos a história do casal Murray e Sarah. Uma relação de vários anos, pontuados por momentos complicados, por conta da doença de Sarah - uma perturbação mental - que a leva a querer, por vontade própria, ser internada, durante períodos em que a perturbação se manifesta de forma mais acentuada, mas também por momentos românticos e divertidos, quando está melhor.

Sarah dá, até, uma mãozinha na investigação do marido. Até ao dia em que acontece aquilo que não era suposto acontecer...

 

E se as coincidências existem, devo dizer que esta foi uma delas. 

Depois de ter comentado esta frase com o meu marido, e escrito sobre ela no blog e no facebook, qual o meu espanto quando, quase no final do livro, me deparo com ela, ali escarrapachada na página "Espera o melhor. Prepara-te para o pior." 

 

Este é um livro que aborda um outro lado do alcoolismo e da violência doméstica. Aquele de que quase não se fala. Que fica, muitas vezes, esquecido como se não existisse.

É um livro que fala de relações "forçadas" pelas circunstâncias, às quais nem sempre se tem coragem para pôr um fim, mas que não assentam em bases sólidas, e estão condenadas a não dar certo.

E de circunstâncias difíceis que, nem por isso, esmorecem o verdadeiro amor, dure ele o tempo que durar.

 

Percebi agora que é o terceiro livro que leio desta autora. E, se pelo que referi dos anteriores, já era uma autora a recomendar, depois da leitura deste, só posso dizer que não se irão arrepender de o ler, porque vale mesmo a pena!

"Alguém Está A Mentir", de Rachel Amphlett

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Se é verdade que se pode viver aprisionado, ainda que em liberdade, também é verdade que, muitas vezes, ainda que dela privados, nos podemos sentir mais livres.

E se uma tragédia tem o efeito de nos "encarcerar", enredar e prender na sua teia, quem sabe, uma outra, não quebra as correntes que nos prendem, e nos liberta, definitivamente... 

 

No âmbito da parceria com a editora Alma dos Livros, tive oportunidade de ler este thriller, da autora Rachel Amphlett.

E se, pela sinopse, estão à espera de algo ao género dos filmes "Saw", ou "Escape Room", esqueçam. A trama, embora tenha o seu ponto de partida, precisamente, numa escape room, não passa por aí. 

Longe da mecânica, ou eventual erro de funcionamento, deste tipo de experiência, a história por detrás da misteriosa morte de Simon, um dos membros do grupo de amigos que se encontrava naquela sala, leva-nos para outro caminho. Fora daquelas paredes. Até ao fundo da amizade que une aquelas cinco pessoas - Lisa, Bec, Hayley, David e Simon - e que, ao mesmo tempo, parece afastá-las cada vez mais. 

 

Uma coisa é certa: todos alegam inocência, mas todos se sentem culpados. Porquê? De quê?

Todos parecem ter algo a esconder. Algo sobre o qual não querem falar.

Todos estão nervosos, e a agir de forma estranha, desde aquele dia...

O dia em que celebravam o aniversário de Lisa. Provavelmente, o último desta, que não tinha muito mais tempo de vida. O dia em que Simon morreu. E em que Lisa recebeu o transplante de rim (precisamente, de Simon), que a salvou da morte...

Ela foi a maior beneficiada mas...

À medida que vamos avançando na leitura, percebemos que todos tinham motivos para tirá-lo das suas vidas.

E se, no caso de Lisa, ela não se lembra de nada do que aconteceu naquele dia, o mesmo não se poderá dizer dos restantes.

 

A investigação à morte de Simon será, assim, o gatilho que porá a descoberto a fragilidade daquelas amizades, os segredos que escondem uns dos outros, a desconfiança que paira entre eles. 

 

É um livro que, sem grandes floreados e reviravoltas ainda assim, consegue enredar, e agarrar o leitor, logo nas primeiras páginas, numa história bem construída, fazendo-o suspeitar de tudo e todos, à medida que cada um deles tenta narrar os acontecimentos do seu ponto de vista, e lança a suspeita sobre si, ou sobre os restantes amigos.

Será que os nossos amigos confiam em nós e nos contam tudo sobre si. Será que podemos confiar neles, para lhes contar tudo sobre nós? Saberão eles guardar um segredo? Conseguiremos, nós mesmos, fazê-lo? E que preço pagaremos por isso?

 

Alguém está a mentir. Quem? Um deles, vários, todos eles? Mas não seremos, no fundo, todos nós mentirosos, em algum momento da nossa vida?

Uma obra que nos induz a uma leitura voraz e ininterrupta até à última página e que, sem dúvida, recomendo!

 

 

Sinopse
 

"Bec, David, Hayley, Simon e Lisa são amigos desde sempre. No aniversário de Lisa, decidem organizar uma aventura especial e emocionante - o desafio de se evadirem de uma escape room. Aquilo que pensavam que viria a ser uma aventura perfeita tornar-se-ia o maior pesadelo das suas vidas.
Lisa acorda no hospital com uma terrível sensação de angústia e vazio. As suas últimas memórias são de estar naquela escape room a comemorar o seu aniversário com os amigos. Porém, descobre agora que um deles está morto - e que lhe salvou a vida - e os restantes parecem querer evitá-la.
Sem se lembrar do que aconteceu, Lisa está determinada a descobrir a verdade, mas, quanto mais se questiona, mais confusa fica. É então que mergulha nas profundezas do passado do resto dos sobreviventes e se depara com revelações aterradoras.
À medida que recupera, Lisa desvenda um rasto de segredos bem guardados, rumores perturbadores e mentiras desconcertantes. Alguém está a fazer tudo para encobrir a verdade."

 

 

Edição: 10-2020

Editor: Alma dos Livros

Idioma: Português

Páginas: 272

Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Policial e Thriller

 

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