Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Os homens também trabalham nas limpezas?!

Imagem relacionada

 

Já tenho visto homens a limpar janelas de prédios ou montras de estabelecimentos, mas foi a primeira vez que vi um homem a fazer limpezas num serviço público onde, até então, sempre tinha visto mulheres.

E porque não?

É um trabalho digno, como qualquer outro, e os homens podem limpar tão bem ou mais que as mulheres, sem medo de deitar mãos a um balde, uma vassoura ou uma esfregona.

Fiquei positivamente surpreendida embora, a situação em si, talvez indique que, hoje em dia, quer sejam homens ou mulheres, as pessoas têm que se agarrar a qualquer trabalho que as faça ganhar dinheiro suficiente para sobreviverem, mesmo que sejam limpezas, algo do qual quase todas fogem.

 

Quando as pessoas só olham para o seu próprio umbigo...

Resultado de imagem para olhar para o seu umbigo

 

... e a consideração só funciona num sentido.

 

Não se passou comigo, mas com alguém muito próximo, e fico parva com tamanho descaramento, falta de noção e atrevimento de certas pessoas que, mesmo não sendo chefes, julgam que podem mandar e, não sendo deuses, julgam que tudo deve girar à sua volta e de acordo com os seus interesses, e que todos têm a obrigação de estar ali sempre à sua disposição.

 

Mas quem tem culpa, nem são essas ditas pessoas. São aqueles que, podendo, nada fazem para impedir ou travar situações como estas. São aqueles que lhes permitem ter as costas quentes, fazer a vida negra aos colegas, e ficar sempre bem na fotografia e a rir-se, no final.

Porque, como é óbvio, enquanto essas pessoas puderem fazer o que fazem e continuarem a sair impunes, enquanto os outros se vêem "obrigados" a sair, quer pelo mau ambiente, quer porque foram ameaçados, quer porque conseguiram correr com eles, de forma desleal, continuarão a agir da mesma forma, sabendo que nada lhes acontecerá.

 

Deve haver consideração pelos colegas, sim. Sobretudo, se a necessidade se justificar por motivos de força maior. Mas sempre com a noção de que é um favor que se faz, e não uma obrigação. Com a noção de que também as outras pessoas têm a sua vida, e nem sempre é possível alterar.

 

Na situação em questão, existe um funcionário, mais antigo no posto, cuja mulher está a fazer tratamentos contra o cancro e, como tal, de forma a acompanhá-la, tem muitas vezes que sair mais cedo, necessitando que os restantes colegas assegurem o trabalho.

Até aí, tudo bem. Desde que não haja inconveniente da outra parte, nem cause transtorno, uma pessoa compreende.

Que esse mesmo funcionário tenha que faltar de manhã, para ir tratar de assuntos pessoais e, ainda assim, tenha que sair mais cedo à tarde, para acompanhamento ao cônjuge, já começa a parecer abuso.

Que o dito funcionário exija que o colega, que fez o favor de o ir substituir de manhã, ainda assim tenha que o render mais cedo, à tarde, já é uma total falta de respeito e de consideração, de alguém que só olha para o seu próprio umbigo, sem se preocupar minimamente com os outros.

 

O meu marido, que trabalhou ali naquele posto das 17 às 21h, e que depois foi entrar noutro serviço, das 0 às 9 da manhã, em vez de vir para casa dormir, teve que ir substituir o dito colega, das 10 às 12h, a pedido do supervisor, tendo ficado acordado com este que, nesse dia, em vez de entrar às 17h, como habitual, entraria às 19h.

 

Mas o colega que, além de ter entrado mais tarde, também teve que sair mais cedo, queria que o meu marido entrasse à mesma hora de sempre. E ficou furioso quando isso não aconteceu. 

Para além de não perceber que as pessoas têm que descansar, que o meu marido ainda teria que apanhar transportes para casa, almoçar, dormir um pouco, e voltar a apanhar transportes, para mais uma noite de trabalho, nem sequer deu o braço a torcer, admitindo que o meu marido lhe tinha feito um favor ao substituí-lo de manhã. Para ele, o favor foi ao supervisor, não a ele!

E, como o meu marido não foi à hora que ele queria, mas àquela que tinha combinado com o supervisor, ligou-lhe umas 10 vezes, aos gritos, a reclamar, a dizer que o meu marido não tinha consideração nenhuma por ele, reclamações que voltou a repetir pessoalmente, quando o meu marido o foi render.

Para além disso, ainda veio com ameaças ao género "ou fazes aquilo que eu quero ou, se te armas em esperto, faço-te a folha".

 

Já não é a primeira vez que esse colega tem este tipo de comportamento.

Quem trabalha no local, diz que já outros colegas dele saíram daquele posto, por conta do mau ambiente, perseguição, implicância ou porque arranjou forma de o cliente não os querer lá.

Agora, parece que está a fazer o mesmo tanto ao meu marido, como à outra colega.

A chica-espertice vai ao ponto de, apesar de estar a sair mais cedo constantemente, pôr na folha de horas o horário completo como trabalhado, e nem o supervisor estar a par dessas saídas.

 

Neste momento, o supervisor já está informado mas, como já aconteceu antes, apesar de tudo, se alguém tiver que sair dali, não será ele. Sabemos para quem sobra porque, infelizmente, mesmo sem poderes para tal, ele age como se mandasse naquilo tudo, sem ninguém dizer ou fazer nada.

 

É triste quando as pessoas não conseguem ver mais do que o seu próprio umbigo, e reclamam de uma consideração que, elas próprias, não têm com os outros, nem parecem conhecer o seu significado.

De que servem os nossos ideais se não nos permitirem dar uso a eles?

Resultado de imagem para ideais

 

Quando alguém escolhe uma determinada profissão, como polícia, advogado, investigador, juíz, médico ou outra qualquer que esteja, de alguma forma, directa ou indirectamente, relacionada com o sentido de justiça e verdade, escolhe-a, porque acredita que pode lutar por esses ideais e dar o seu contributo.

 

É para isso que trabalha e dedica a sua vida, sabendo que está a fazer o que é certo, o que é correcto. Mas, muitas vezes, os nossos ideais de nada nos servem. 

Muits vezes, ficamos de pés e mãos atadas, porque existem forças mais importantes que os nossos ideais. Para as quais, esses ideais, servem para pisar por cima e pôr no lixo.

 

O que fazer, então, nesses momentos em que percebemos que, para manter o nosso trabalho e fazer aquilo que gostamos, temos que ignorar o que está bem diante dos nossos olhos, e compactuar com o oposto daquilo pelo qual lutamos?

Quando de nada adianta saber a verdade, se a nossa vida depende de a ocultarmos ou não?

Quando o nosso trabalho deixar de nos dar prazer, para apenas nos causar angústia, vergonha, impotência?

Quando não podemos dar uso aos nossos ideais, e somos obrigados a fechá-los numa gaveta?

 

 

Para alguns, para quem a situação se torna insustentável, a resposta é simples...

Sair!

 

 

 

(inspirado na série La Victima Número 8, da Netflix)

Aquele momento em que...

Imagem relacionada

 

... achamos que está tudo pronto e organizado e, quando vamos ver, falta qualquer coisa, temos que fazer de novo e o tempo está em contagem descrescente!

 

 

No dia anterior preparei tudo. Só faltava registar e imprimir no dia seguinte. Coisa rápida. 

Seria algo simples, feito com calma e com tempo.

No dia seguinte, percebo que não encontro os ficheiros, ou encontro, mas afinal ficou um gravado em cima de outro, e agora falta um deles.

Já não tenho assim tanto tempo. A coisa começa a complicar. A pressão a aumentar.

É preciso repetir trabalho e, já se sabe que, com pressa, pode sair ainda mais asneira.

 

 

No final, depois de tudo concluído, descobri aquilo que não encontrei na altura! 

Será a autodesresponsabilização uma atitude cobarde?

Resultado de imagem para auto desresponsabilização

 

Muitas vezes, quando nos fazem determinadas propostas, que obrigariam a que assumíssemos uma maior responsabilidade, declinamos, porque achamos que não nos podemos comprometer, sob pena de não conseguir cumprir.

Será essa uma atitude cobarde, de quem tem medo de assumir as rédeas, qualquer que venha a ser o resultado, de quem tem medo de não estar à altura, de quem não acredita que é capaz?

 

 

Quando delegamos nos outros, tarefas que até poderíamos facilmente cumprir, estaremos nós a agir como cobardes, que preferem assistir a alguma distância, do que pôr a mão na massa? 

De quem, simplesmente, não se quer dar a esse trabalho? 

 

 

Ou será, em muitos casos, uma atitude sensata e consciente?

Uma atitude de aceitação dos limites das nossas capacidades?

Uma atitude responsável que evitará futuros dissabores?

Uma atitude de autopreservação do nosso bem estar e saúde física e mental?

 

 

E implicará a nossa auto desresponsabilização, automaticamente, uma delegação de responsabilidades no próximo?

 

 

  • Blogs Portugal

  • BP