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Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Fomos roubados na praia de Carcavelos

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Será que posso voltar atrás no tempo, ao momento em que as férias ainda não tinham começado?

É que isto não está a correr nada bem. E ainda só estamos na primeira semana.

 

Depois de receber notícias não muito boas, relativamente a um problema de saúde (que falarei num outro post), tínhamos que ser roubados.

Ou, como o meu marido diz, furtados, porque não envolveu violência.

Para mim dá no mesmo: ficámos sem as coisas, e com o prejuízo.

 

Foi burrice e estupidez?

Foi!

Foi excesso de confiança?

Foi!

Foi ingenuidade?

Foi!

 

Foi um pouco de tudo.

Já sabemos a fama que a praia tem.

E, mesmo assim, fizemos tudo mal. 

Mas, que raio, sempre fomos às praias da Ericeira, Troia, Peniche e por aí fora, sem problemas, e sem medos.

Mesmo nesta praia de Carcavelos, ainda no outro dia lá tínhamos estado. E correu bem.

 

Mas, nesta quinta-feira, estava tudo contra nós.

A minha filha não estava com vontade nenhuma de ir à praia.

Mas eu insisti. Primeiro erro.

O tempo aqui em Mafra estava mais para outono, e Carcavelos era a praia mais próxima, com bom tempo.

 

Quando chegámos, a minha filha queria ir mais para a frente no areal, para junto das pessoas, e mais perto do mar.

Mas eu achei que aí estaria mais frio, e acabámos por ficar mais atrás, e mais isolados. Segundo erro.

 

Colocámos protector solar, tapámos as mochilas com as toalhas, e fomos ao banho. Terceiro e decisivo erro.

 

Quando voltámos, uns minutos depois, a mochila da minha filha tinha desaparecido.

Logo a dela, da pessoa que nem sequer queria ir, e que tinha avisado para não ficarmos ali.

Portanto, ficou sem mochila, sem telemóvel, sem os óculos, sem os fones, sem o casaco, sem a toalha da praia, sem uns objectos sem qualquer valor para o ladrão, mas com valor sentimental para ela, e só não ficou sem roupa para vestir, porque tinha posto o vestido dela no meu saco.

Podiam ter levado a mochila do meu marido. Era velha, e só tinha comida dentro. Mas não.

E podemo-nos dar por felizes de não terem levado tudo.

 

Nessa tarde, houve pelo menos 3 vítimas deste "trabalho de verão".

Quando chegámos à PSP, estavam dois homens a apresentar queixa. Tinham sido roubados, e acabaram por encontrar a mochila na estrada, mas sem nada. 

Depois de apresentarmos queixa, fomos correr a praia, os estacionamentos, os caixotes do lixo, a estrada, para ver se tinham largado a nossa mochila em qualquer lado, depois de levarem o que queriam.

Mas não tivemos sorte.

 

Apenas encontrámos uma mochila num caixote do lixo, com um casaco dentro, que mais tarde fomos entregar na PSP, no momento em que outra das vítimas apresentava queixa, precisamente, o dono da mochila que tínhamos encontrado. Esse homem, nem as chaves do carro tinha.

 

Claro que me culpo por toda esta situação, mesmo sabendo que o único culpado foi o ladrão.

Mas fui eu que insisti.

Fui eu que quis contrariar aquilo que era suposto.

Não queria que nada estragasse as férias. E, no fim, ficámos com elas estragadas.

 

Sim, eu sei que eram só bens materiais. E que, felizmente, não nos aconteceu nada.

Mas a tristeza da minha filha era evidente.

Ela, que não queria ir, foi a única prejudicada. A que ficou a perder.

E, agora, ficou com medo de ir à praia, seja ela qual for, e voltar a perder as suas coisas.

 

Mesmo que ela diga que agora é seguir em frente, e que não vale a pena estar remoer no assunto, não me esqueço.

O telemóvel e os óculos, compram-se novos. É uma despesa que não estávamos à espera, que nos arrasa com o orçamento, mas é o preço a pagar. E mesmo assim, não conseguimos iguais. Que era o que ela gostava.

Mas tudo o resto, provavelmente, nunca vamos conseguir recuperar. São objectos com muitos anos, e que já não existem.

 

Sabe-se lá o que o ladrão fez com elas, se deitou para o lixo o que não interessava, se deixou em algum sítio para ser encontrado, se alguém encontrará e, se sim, se se dará ao trabalho de ir entregar à PSP. São muitos "ses", e muito pouca a probabilidade de vir a aparecer o que quer que seja.

 

Sei que não há nada a fazer.

Mas estou mesmo triste com tudo isto.

E vamos ver o que o resto das férias nos reserva...

 

 

 

 

Da guerra...

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A guerra…

Procurei, calmamente, escapar dela.

Eu.

A minha família.

Os meus amigos.

E todos aqueles que aqui estavam, tranquilamente, a viver a sua vida.

 

Não a antevi. Não a percebi.

Para falar a verdade, nem sequer a concebi. Não a imaginei.

E, no entanto, parece que ela estava implícita.

Nas entrelinhas que não vi.

Nas letras pequeninas que ignorei.

 

Falava-se disso, é certo.

Mas acontecer mesmo, não acreditava.

Não queria acreditar.

Até ao dia em que aconteceu.

E percebi que era real.

 

A guerra…

Procurei, racionalmente, contorná-la.

Tentei esconder-me. Mas não o consegui fazer.

Arrisquei enfrentá-la. Afinal, sou forte.

Mas ela fintou-me.

E avisou-me do que me esperava, se continuasse.

 

A guerra…

Procurei, seguramente, afastar-me dela.

Deixando tudo para trás.

Anos de vida. De lutas. De conquistas.

Tudo o que tinha construído. Alcançado.

Não havia tempo.

 

A guerra…

Procurei, apressadamente, salvar-me. E aos meus.

Com o receio, a angústia, e a tristeza a inundar-me.

Com a sensação de perda. De fracasso. De luto.

De lágrimas nos olhos. O coração, nas mãos, apertado.

E uma dor no peito, impossível de descrever.

 

A guerra…

Porque é que, simplesmente, não nos deixam?

Porque é que, simplesmente, não nos respeitam?

Porquê, nós?

Sempre os mesmos.

Os que ficam. Os que partem. Os que já nada podem fazer.

 

A guerra…

Procurei, desesperadamente, fugir dela.

Mas, por mais que fuja, ela persegue-me.

Nenhum lugar é seguro.

Mesmo que assim o creia.

Sinto que não passa de uma ilusão.

 

Mesmo quando me dizem que está tudo bem.

Que estou em segurança, e já não corro perigo.

Sinto que, a qualquer momento, uma bomba pode rebentar.

Um míssil pode cair.

A morte me pode levar.

 

A guerra…

Procuro ter fé. Ter esperança.

Acreditar que o pior já passou.

Que já não corremos perigo.

Mas não passou.

Porque os traumas ficam para sempre.

 

Os traumas.

As marcas.

O medo.

A destruição à nossa volta.

O que se perdeu, e já não se recupera.

 

Perde-se a liberdade.

Perde-se a inocência das crianças.

Perde-se a alegria.

Perde-se a segurança.

Perde-se um povo.

 

A guerra…

Procuro, deste lado, acreditar que vai acabar.

Com um sentimento de gratidão.

Por ter tido a oportunidade de sobreviver.

Ou, quem sabe, desolação.

Por ter perdido os meus, pelo caminho.

 

Do outro lado, os que ficaram de livre vontade.

Para defender a nossa terra.

Ou foram obrigados a ficar.

Para lutar nesta guerra.

Com as armas que têm, e que não têm.

 

A guerra...

Espero, um dia, regressar.

À minha terra. Ao meu país. 

Ter tempo para recomeçar a vida, que ficou suspensa.

Até lá, resta rezar para que mais nenhum inocente sofra.

Nesta guerra que nunca quisémos. E nunca pedimos...

Agarrem a vida! Só se vive uma vez...

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Eu sei que, para muitas pessoas, a vida não é, de todo, fácil.

Há vidas muito complicadas, duras, problemáticas, que deitam as pessoas abaixo, de tal forma, que perdem a sua alegria e vontade de viver.

Pessoas que vivem em condições miseráveis.

Pessoas que passam fome.

Refugiados, que fogem da guerra, sem saber se escapam com vida.

Pessoas que têm, por única companhia, uma imensa solidão.

 

E tantas outras situações.

Pelas quais nunca passámos. Que nunca experienciámos.

Mas não é dessas pessoas que quero falar neste post.

Embora, apesar de tudo, algumas delas, tenham ainda a coragem de ter esperança, de querer viver.

 

Quero falar das pessoas que se deixam ir abaixo à mínima dificuldade.

Que, como se costuma dizer, "entregam os pontos".

Que se deixam ficar caídas no chão, em vez de tentarem voltar a levantar-se, e seguir caminho.

Que acham que a vida é eterna, e há todo o tempo do mundo para vivê-la, deixando-a em banho-maria. 

Que fazem dos problemas, problemas ainda maiores do que, na verdade, são.

E acham que já não há solução possível.

 

Cada um com as suas experiências, não desvalorizando nenhuma delas, nem minimizando os sentimentos de cada pessoa, há situações que, quando comparadas com outras, não justificam essa vontade de desistir, de as pessoas se darem por vencidas, e deixarem de lutar.

 

Não faço a mínima ideia do que viemos cá fazer a este mundo.

Mas, por algum motivo, fomos cá postos. Foi-nos dada uma vida e, de certa forma, foi-nos dito "vive".

Assim, sem preparação. Sem pré-aviso.

Da mesma forma que, um dia, acontecerá o mesmo, quando já não fizermos cá falta, ou o nosso tempo esgotar.

 

Então, se cá estamos, porque não viver esta vida enquanto nos for permitido?

Valerá a pena aborrecermo-nos com coisas mínimas? Chatearmo-nos? 

Valerá a pena deixar de se fazer o melhor, por se achar que não leva a lado nenhum?

Porque não usarmos todas as armas, e ferramentas, ao nosso dispôr? Porque não esgotar todas as hipóteses e possibilidades?

Agarrem a vida!

Só se vive uma vez.

Por isso, façam dessa vida, uma vida memorável, e inesquecível, no bom sentido, sempre que o conseguirem!

 

 

 

 

 

80 anos de vida, 6 meses sem ti...

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Janeiro de 2022 é um mês com sabor agridoce.

Neste último dia do mês, 31 de Janeiro, seria dia de celebrarmos os teus 80 anos, se ainda estivesses neste mundo.

Não estás.

Assim, em vez disso, é o dia em que faz, precisamente, 6 meses, que partiste.

 

Seis meses se passaram num ápice.

Parece que ainda há tão pouco tempo estavas cá.

Ao mesmo tempo, parece que há tanto tempo te foste.

Como nunca tinha pensado muito na tua morte, nem no que aconteceria depois dela, não fazia ideia de como seriam estes meses sem ti.

Li, no outro dia, esta frase "Não te sei dizer se algum dia a dor e o vazio passam. O que te posso garantir é que há uma força que nos empurra para a frente.", e faz sentido.

Acredito que parte dessa força que me empurra seja o foco em quem cá ficou, e que precisa agora de apoio.

Parte dessa força, é a própria vida a continuar, e eu ter que a acompanhar, a um ritmo que não deixa grande espaço para pensamentos mais negativos.

Outra parte, o facto de nada ter ficado por dizer, ou fazer. 

 

Sinceramente, pensei que fosse pior.

Passaram-se os anos do pai. 

Passaram-se os aniversários dos teus filhos, de uma das tuas netas, e do teu genro.

Passou-se o Natal, e chegou um Ano Novo.

Seriam, certamente, ocasiões para me custar mais a tua ausência.

Mas, ao contrário de outras pessoas, não é nesses momentos que mais sinto a tua falta.

 

É, antes, em situações ou momentos mais banais, mais simples, mais rotineiros.

Como aquele em que já não te posso dizer que este é o primeiro ano em que a tua neta vai votar, porque fez 18 anos.

Como aquele em que já não vou à papelaria, todas as quintas-feiras, comprar a "nossa revista".

Ou aquele em que já não podes ver que o pai comeu aquele bacalhau espiritual com camarão (e adorou), que também tu já tinhas provado uma vez.

E tantos outros.

 

Hoje, estaríamos a cantar-te os parabéns, nesta data tão especial!

Hoje, cantar-te-emos os parabéns, porque continuaremos a celebrar-te, e brindaremos a ti.

Porque, qualquer que seja a forma, ainda continuas connosco: no pensamento, no coração, e na vida!

Somos parte da Natureza...

(e agimos como ela)

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Porque é que não está sempre sol?

Porque a chuva também faz falta. 

Sem sol, não haveria chuva. E, sem chuva, não haveria sol.

Porque é que não nos sentimos sempre felizes?

Porque a tristeza também faz falta.

Sem felicidade, não haveria tristeza. E, sem tristeza, não haveria felicidade.

 

Podemos viver vários momentos felizes mas a verdade é que as outras emoções, tal como as gotas que se evaporam e formam as nuvens, também se vão acumulando e, quando percebemos, é necessário descarregá-las, tal como a chuva que cai. 

Um céu não está permanentemente coberto de nuvens, sem que o sol volte a espreitar. Da mesma forma, também não nos sentimos sempre tristes, em baixo, deprimidos, sem que a alegria nos volte a contagiar, e levar a melhor.

 

Um vulcão pode estar inactivo durante anos e anos. No entanto, volta e meia, ele entra em erupção. Da mesma forma que nós podemos manter a nossa calma e tranquilidade mas, um dia, podemos explodir.

Tal como o vento, mais suave, ou mais furioso, também nós, por vezes, nos mostramos mais ou menos agitados e, uma vez ou outra, levamos tudo à nossa frente. Ou somos levados.

Por vezes, tal como os trovões, levantamos a voz, discutimos, e as nossas palavras podem cair como raios, nos outros, ou as dos outros, em nós.

Mas, com a mesma rapidez com que acontece, também passa.

Não sem, claro, deixar a marca da sua passagem, do seu efeito.

Umas, mais vincadas e profundas que outras.

 

Também nós, à semelhança de um terramoto, estremecemos, trememos, abanamos o nosso mundo e o dos outros, por vezes, abrindo fendas que poderão não voltar a fechar.

Ou, tal como um tsunami, quantas vezes sentimos que nos vamos afundar naquela imensidade e força da água, contra a qual parecemos impotentes?

Mas, se sobrevivermos, cada um de nós aprende a reconstruir-se. 

 

Podemos estar mais murchos em determinadas alturas, sem ânimo, sem "vida", como as plantas que secam. Mas, noutras, algo nos faz ganhar de novo a vivacidade, arrebitar, voltar a dar e mostrar o melhor de nós.

 

No fundo, somos parte da Natureza. 

E, por isso, agimos como ela.