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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Squid Game: a série de que toda a gente fala!

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Nos últimos tempos, não se fala de outra coisa senão nesta série da Netflix!

Do que tenho lido, só comentários positivos.

Há até quem acredite que será um sucesso ainda maior que La Casa de Papel.

 

A mim, não me inspirou muito quando vi o trailer.

A minha filha já viu. O meu marido começou a ver. 

Tinha a ideia de ser uma série de terror. Ao meu marido, só o ouvia rir, e até lhe perguntei se era uma comédia!

Acabei por ver o resto do primeiro episódio. E assistimos ao segundo.

Não sei se era por estar com sono, cansada, ou se é mesmo da série, mas achei que lhe faltava acção. Que estava a ser muito parada.

Entretanto, a acção vai aumentando, mas nem por isso a considero uma série fenomenal, como a têm pintado até aqui.

 

No fundo, o que se retira de Squid Game é:

- quando as pessoas não têm nada a perder, arriscam tudo, até a própria vida

- vale tudo por dinheiro

- num jogo onde só um pode vencer, depressa os amigos se tornam inimigos

- os que têm o poder na mão, tornam as pessoas meros peões no seu jogo

- pode-se medir o grau de desespero quando, perante a hipótese de liberdade, as pessoas voltam a querer jogar, independentemente das consequências

- há quem se divirta à custa de mortes gratuitas, sofrimento, miséria dos outros

 

Ainda assim, porque nem todas as pessoas são iguais, haja quem ainda se preocupe com os demais. Quem ponha os companheiros acima de um prémio. Quem arrisque a vida, para salvar a dos outros.

Quem pouco tem, mas ainda tenta dar esse pouco aos outros. Quem não se deixa comprar. Quem se mantém fiel à sua humildade e simplicidade, apesar de tudo o que passou.

 

 

Existe algum fio condutor na nossa vida?

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"Há algum fio condutor na nossa vida ou ela é um emaranhado de acontecimentos sem sentido e sem relação entre si?"

 

A minha filha anda a dar religião, na disciplina de filosofia e, às tantas, leu algures no manual esta questão, perguntando a minha opinião. 

A primeira imagem que me veio à mente, ao ler a questão, foi a do algodão doce: também ele tem um "fio condutor" - a vareta - mas, ao mesmo tempo, o que o caracteriza é o "emaranhado de fios de açúcar", que se vão juntando uns aos outros e formando o conteúdo.

 

Acredito que existe um fio condutor, que nos guia, a partir do momento em que nascemos, e até morrermos.

Esse fio condutor pode traduzir-se na sociedade em que estamos inseridos, através das regras, conduta, deveres e direitos, responsabilidades. Sem elas, cada um faria o que lhe desse na real gana, e viveríamos numa espécie de anarquia.

Traduz-se na família, nos valores que nos transmitem, no seu apoio e orientação, no seu suporte e alicerce.

Traduz-se nos planos que traçamos, nos objectivos que nos propomos concretizar, nas metas que ambicionamos alcançar.

De alguma forma, consciente ou inconscientemente, há algo a que estamos "presos", ligados, e que nos mantém no trilho que aparentemente escolhemos, ou nos foi destinado.

 

No entanto, isso não significa que, a esse fio condutor, não se possam ir juntando acontecimentos, experiências, vivências, que nos acrescentam enquanto seres humanos.

Ainda que alguns façam sentido, e outros nem tanto.

Ainda que alguns tenham relação entre si, e outros, nenhuma.

Mal de nós se nos limitássemos a seguir o fio condutor da nossa vida, sem absorver mais nada. Sem complementar, sem viver o inesperado, sem ser surpreendido.

Somos eternos seres em construção, e haverá sempre espaço para mais, ainda que não estejamos a contar com isso, ou não o tenhamos previsto.

 

E, da mesma forma que, quanto mais fios se forem juntando à vareta, maior o algodão doce, também quanto mais acrescentarmos à nossa vida, mais rica ela se tornará. E melhor nos saberá vivê-la!

Até mesmo nas dificuldades e momentos menos bons, que dispensaríamos de bom grado.

 

 

 

Quando existe um orgulho recíproco entre pais e filhos

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Os pais são o principal exemplo para os filhos. A sua referência.

Muitas vezes, os seus ídolos, as pessoas que mais admiram.

Como tal, é normal que, até pela educação que lhes é dada, por esses pais, os filhos tenham vários comportamentos e atitudes semelhantes aos pais.

E isso acaba por incluir as mesmas qualidades, e os mesmos defeitos que, quando colocados frente a frente, chocam.

Sobretudo quando essas características são influenciadas por gerações diferentes, e pela sociedade em que cada uma dessas gerações se insere.

 

 

Todos sabemos que, muitas vezes, as discussões entre pais e filhos surgem mais pelas semelhanças entre ambos, do que pelas diferenças.

Se pais e filhos são determinados, vão querer levar a sua avante, achando que a sua forma é a melhor. Se pais e filhos são teimosos, cada um vai puxar para o seu lado a razão. E por aí fora.

 

 

No outro dia, num filme que vi, mãe e filha tinham ideais muito semelhantes mas, ainda assim, elas chocavam uma com a outra.

Porquê?

Porque aquilo que, na geração da mãe, era tido como coragem e determinação, numa época em que esses comportamentos não eram muito aceitáveis, hoje, apenas representa algo banal, aceitável e, como tal, ineficaz, sendo necessário enveredar por outro tipo de acções, que causem impacto e levem à mudança, na geração actual.

A mãe ainda não se tinha apercebido que, de certa forma, a filha queria seguir o mesmo caminho da mãe, mas com as ferramentas que existem agora à sua disposição, e que são mais úteis que as da mãe.

Por outro lado, a filha encarava cada refutação, cada questão, cada confrontação da mãe, como um ataque, como manifestação de superioridade, revoltando-se, e sentindo-se inferiorizada ou desvalorizada.

Quando, na verdade, a mãe apenas o fazia para que ela pudesse mostrar a sua opinião, debater, expôr as suas ideias e formas de ver o mesmo problema, tal como, anteriormente, a sua própria mãe tinha feito com ela.

 

 

É nessa partilha, nesse debate, que se quer saudável, que surge aquilo que nos enche o coração: o orgulho recíproco!

É nesses momentos que percebemos que os nossos filhos cresceram numa outra época, e devem dar uso às ferramentas que têm ao dispor, bem melhores que as nossas, que já estão obsoletas.

E, quando os vemos em acção, não conseguimos esconder o orgulho que sentimos por ver como cresceram, e como fazem bom uso daquilo que lhes transmitimos, mas lhe dão, ao mesmo tempo, o seu próprio cunho.

Por outro lado, os filhos não esquecem aquilo que os pais são, o que defendem, aquilo pelo qual lutam e, se por vezes, lhes tentam mostrar um outro lado, uma outra visão, não é porque estejam do contra, ou porque não gostem daquilo que somos ou fazemos, mas porque têm orgulho nesses pais, e querem que eles continuem a ser aquilo que sempre foram, e lhes transmitiram.

Carta aberta de uma mãe a todos os professores

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"Exmos.(as) Srs.(as) Professores(as),

 

Não entendam esta minha missiva como desrespeito pelo vosso trabalho enquanto professores nem, tão pouco, desconsideração pela disciplina que leccionam, ou pela importância da mesma no percurso escolar da minha filha, vossa aluna, e no seu futuro.

No entanto, permitam-me manifestar, desta forma, a minha opinião que, certamente, enquanto pais que são ou virão a ser, compreenderão.

 

Que futuro terá uma criança/ adolescente que passa os dias no estabelecimento de ensino e, quando chega a casa, vê o seu tempo de lazer ocupado com trabalhos de casa, interrompidos apenas pelo lanche, pelo banho e pelo jantar?

Que vê os seus fins-de-semana preenchidos com trabalhos de casa de várias disciplinas, a que muitas vezes se juntam trabalhos de grupo e o estudo extra para os testes da semana seguinte, apenas interrompidos pelas refeições, pelo banho, e pelas breves pausas que, por entre o estudo, aproveitam para pegar no telemóvel e aceder às redes sociais, ou ouvir um pouco de música?

 

Sei que, certamente, haverão pais que sofrem desse mesmo problema, e vêem a sua vida reduzida a trabalho e tarefas domésticas. A que, muitas vezes, ainda se junta a ajuda aos filhos nos estudos.

Sei que vocês, como professores e pais, também terão o vosso tempo ocupado e limitado, sem muito tempo para a vossa vida familiar, com muita pena vossa e, provavelmente, com queixas por parte dos vossos filhos.

 

Mas sabem uma coisa? 

Sinto falta de passar tempo de qualidade com a minha filha!

Não, simplesmente, estarmos as duas na mesma casa, cada uma ocupada com as suas tarefas, ou as duas às voltas com livros, cadernos e matéria. Mas de estarmos as duas, sem preocupações, sem pressas, sem o relógio a contar o tempo que temos para conviver, no meio de tudo o resto.

 

Tenho saudades dos tempos em que a escola ficava na escola, e a casa era para a família. 

Para uma ida ao cinema, ao teatro ou ao circo, para um passeio num sábado ou domingo, ou até para uma festa de aniversário, tenho que andar a ver no calendário, o melhor dia, em que ela não tenha nada para fazer ou estudar. Passam-se meses, sem que o consigamos fazer. Valem-nos as férias escolares, apenas, e o escasso período de pausa entre fornadas de testes.

 

E, então, pergunto-me:

Não será, por vezes, mais produtivo e educativo, um programa familiar onde possam aprender algo, conviver com a natureza, aprender valores que não vêm nos livros, do que dias a fio encerrados em casa, agarrados a matéria que nem percebe para que lhes servirá?

Não será preferível trocar os nervos, as dificuldades da matéria, o stress dos testes, a correria, as maratonas de estudo, por momentos divertidos e alegres com aqueles que mais os amam?

Não deveria valer uma boa acção, ou um bonito gesto, mais do que uma nota num teste ou na pauta final?

Não deveria um sorriso no rosto, a paz, a tranquilidade, valer mais que o receio de um mau resultado e que as lágrimas por algo que não conseguem perceber, ou não correu bem?

 

Ensinar não tem que ser uma coisa má, deveria ser algo que encarariam com recetividade e curiosidade.

Mas era preciso que o ensino não fosse algo que quisessem enfiar à força na cabeça dos alunos, como quem tem um prazo para enfiar uma infinidade de coisas em algum sítio, dê por onde der, não permitindo que os estudantes apreendam, no seu tempo, aquilo que estão a receber.

O ensino deveria ser o complemento da vida familiar, e não o seu substituto, a tempo integral.

 

E, acreditem, por vezes, tenho vontade de a deixar livre, para aproveitar as coisas boas que a vida tem para lhe oferecer, sem ter que pensar em mais nada. Tenho vontade de obrigá-la a trocar os livros por uma sessão de riso, com as nossas patetices, por umas horas de brincadeira, por uns momentos de solidariedade para com quem mais precisa, por tempo para se divertir com as amigas, por tempo para, simplesmente, não fazer nada!

 

Sinto falta da minha filha, apesar de estar com ela todos os dias!

Como tenho a certeza que vocês, professores, enquanto pais, também sentirão, relativamente aos vossos filhos, ou familiares com quem deixam de passar tempo por conta do vosso trabalho.

 

Grata pelo tempo dispendido na leitura desta missiva que, tenho a certeza, reflete o pensamento e sentimento de muitos pais deste país."

 

 

Não sei até que ponto enviar uma carta destas aos professores da minha filha seria considerado caso grave de internamento! Mas o que aqui está escrito é a mais pura verdade.

E por aí, há alguém que se reveja?

Sobre a incoerência

 

Uma das coisas com que me vou deparando cada vez mais nesta vida, é com a incoerência. Principalmente, de algumas pessoas.

 

- Pessoas que se afirmam crentes e católicas, que não perdem uma missa, e depois, cá fora, na sua vida quotidiana, agem de forma totalmente contrária aquilo que era suposto;

 

- Pessoas que enchem o peito para se gabar de serem isto e aquilo, de serem diferentes dos outros, mas depois mostram gestos que as contradizem;

 

- Pessoas que criticam os demais por porem questões pessoais e interesses acima de uma causa mais nobre, mas depois fazem exactamente o mesmo que aqueles que criticaram;

 

- Pessoas que dizem gostar muito isto ou daquilo, que querem fazer de uma actividade a sua vida, mas quando surge o momento propício para colocar em prática, têm atitudes que em nada condizem com essa paixão tão grande que afirmam sentir;

 

E isto são apenas alguns exemplos. Poderia dar muitos mais.

 

Em contrapartida, do outro lado da balança, e porque ainda há gente coerente neste mundo, encontro muitas pessoas que preferem as acções às palavras. Que não precisam de falar muito para fazer valer os seus princípios. Que não precisam de apregoar aos quatro ventos o que fazem ou irão fazer, porque os seus gestos falam por si!