Segredos
(ouvi por aí)

"Os mortos não escondem segredos.
São os vivos que insistem em impedir que a verdade venha à tona!"
Desse lado, concordam?
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"Os mortos não escondem segredos.
São os vivos que insistem em impedir que a verdade venha à tona!"
Desse lado, concordam?

Senti-me uma total marioneta, quando terminei a leitura deste thriller.
Ou uma verdadeira bola de pingue pongue, arremessada da "verdade" de um, para a "verdade" de outro.
Num momento, completamente convencida de quem era o vilão da história e, noutro, convencida de que, afinal, tinha percebido tudo mal.
E a verdade é que nada era como eu estava a interpretar.
Devemos confiar no nosso instinto? Devemos ficar-nos pela primeira impressão que tivemos? Pelo primeiro julgamento que fizemos?
Se, para quem está de fora, é tão fácil acreditarmos naquilo que nos é servido de bandeja, porque tudo faz sentido, para quem vive a situação, na própria pele, torna-se ainda mais complicado discernir em quem deve confiar.
Há quem seja mestre em manipular a história a seu favor, transformando todas as evidências contra si, em argumentos a seu favor, e justificativos da sua narrativa.
Joanne vive com o marido e a filha recém-nascida numa bonita casa.
Embora ela se sinta cansada, e algo entediada, por passar os dias em casa, mostrando vontade de voltar a trabalhar, sob pena de enlouquecer, Joanne estava longe de imaginar o quão feliz era, e quão depressa essa felicidade poderia acabar.
A filha mais velha de Richard, com quem ele não falava desde o casamento, decide fazer as pazes com o pai, e conhecer a madrasta e a meia-irmã.
No entanto, mal chega a casa, Chloe mostra logo ao que veio. Fazer a vida negra a Joanne enquanto, perto do pai, finge ser um anjinho.
E consegue mesmo criar conflitos e pôr, várias vezes, o pai contra a mulher, a quem acusa de estar a ennlouquecer, e a ser injusta com a sua filha.
Já diz o ditado que "o pior cego é aquele que não quer ver".
Richard, parece recusar-se a ver.
Porquê?
Porque a verdade é assim tão abominável, que ele prefere ignorá-la?
Porque, de alguma forma, tem medo da própria filha?
Ou será que ele é tão benevolente com Chloe porque está, ele próprio, a tentar mostrar ser uma pessoa que não é?
É que, tendo em conta tudo o que vamos descobrindo ao longo da história, há que dizer que as atitudes de Richard não fazem qualquer sentido, se realmente a sua intenção é proteger Joanne e Evie.
E depois, como não confiar nos animais?
Sempre nos disseram que eles sabem quem é bom, e quem é mau. Que reconhecem.
Então, como duvidar quando Oscar, o cão da família, parece dar-se tão bem com Chloe e, naquele dia, ataca Richard como nunca se tinha visto?
Terminado o livro, confesso, ainda tenho dúvidas de qual é a verdade verdadeira!
Apesar de tudo, aparentemente, ficar esclarecido.
Sinopse:
"Alguém dentro da sua própria casa a quer ver morta… mas ninguém acredita nela.
Joanne sabe a sorte que tem: vive numa casa maravilhosa, leva uma vida tranquila, Richard é um marido fabuloso e Evie, a filha recém-nascida, é tudo com que sempre sonhou. No entanto, essa tranquilidade vai ser interrompida por Chloe, a filha de Richard. A jovem não falava com o pai desde que ele casou com Joanne, há dois anos, mas regressa subitamente para fazer as pazes. Está até disposta a mudar-se temporariamente para ajudar a madrasta com a meia-irmã.
Parece perfeito, mas a adorável Chloe mostra um lado completamente diferente sempre que Richard não está por perto. Joanne vive com um medo crescente, apesar de mais ninguém se aperceber da ameaça. Estará ela a enlouquecer? Terá cometido um erro terrível ao convidar a enteada para viver com eles?
Um thriller psicológico viciante com reviravoltas surpreendentes e chocantes!"
Uma memória esquecida é uma vida que nos foi roubada, ou uma nova vida que nos foi oferecida?
Descobrir quem, um dia, fomos, mudará aquilo que, hoje, somos?
Qualquer pessoa tem direito a conhecer a sua verdadeira história. A saber a verdade sobre o seu passado.
No entanto, por vezes, é colocado demasiado peso nessas revelações. Como se elas pudessem mudar todo o seu futuro.
Não é que não mudem. Mas nem sempre essa revelação corresponde à expectativa, fantasia ou ilusão que criámos.
Não raras vezes, as pessoas desejam voltar atrás e não saber de nada.
No entanto, uma vez revelada a verdade, não há forma de a voltar a esconder.
Quando era apenas uma criança, Andrew levou a sua filha para longe da mãe, contando-lhe mentira atrás de mentira, para iniciarem uma nova vida, com novas identidades, e uma nova história.
A questão que se coloca é: tinha motivos válidos para tal, ou foi uma decisão leviana?
O que leva um progenitor a privar o seu filho da presença e cuidados do outro progenitor durante anos, e a privar este do contacto e presença na vida de um filho?
Elise, a mãe, ficou vinte e oito anos sem saber onde estava a sua filha.
Delia, a filha, ficou vinte e oito anos a pensar que a mãe tinha falecido num acidente, e que só tinha o pai.
Andrew, o pai, passou vinte e oito anos à espera do dia em que a polícia lhe bateria a porta, e o levaria preso, acusado do rapto da sua filha de quatro anos.
Se ele fez o que considerou que qualquer pai deveria fazer, ou se se convenceu disso, para que pudesse seguir em frente com o plano, sem duvidar ou se condenar, só ele saberá.
Se Delia, ou Elise, o perdoarão por isso, só elas poderão dizer.
Mas quando lhe perguntam se voltaria a fazer o mesmo, ele não hesita em afirmar que sim, faria tudo de novo.
O que ele, certamente, não esperava, era conhecer a realidade da vida nas prisões, e de como uma pessoa tem de fazer de tudo para sobreviver. Matar, ou morrer. Alinhar, ou lutar.
E ele já não vai para novo. Nunca foi um criminoso.
A condenação parece óbvia.
O seu advogado de defesa, que será o seu futuro genro, não tem muito a que se agarrar para o evitar.
Só Andrew poderá mudar tudo: contando a verdade, ou lançando mais uma mentira.
Como quem faz um truque de magia.
Mas não têm, todos os truques de ilusionismo, uma verdade escondida?
Uma história que faz as mães e os pais pensarem o que fariam se estivessem em situações semelhantes, e como agiriam, da mesma forma que questiona, enquanto filhos, o que quereriam que os pais fizessem.
As citações que mais me marcaram:
Sinopse:
"Delia Hopkins tinha seis anos quando o pai a deixou ser sua assistente num espetáculo de magia. " Aprendi muito nessa noite… Que as pessoas não se evaporam no ar". Uma lição que agora, já adulta, confirma todos os dias: a profissão de Delia, na verdade, é encontrar pessoas desaparecidas com a ajuda do seu cão fiel. Gosta do trabalho e também da vida que leva. Apesar de ter perdido a mãe quando ainda era criança, foi criada pelo pai com amor e agora está prestes a casar com o companheiro com quem vive há muito tempo e de quem tem uma filha. Mas, na véspera do casamento uma coisa inesperada e chocante acontece: o seu pai é preso pela polícia sob a acusação de ter raptado Delia à mãe que esta julga ter morrido num acidente de automóvel.
Numa dramática inversão de situações e de emoções, privada das suas certezas e do seu passado, Delia inicia uma busca dolorosa da verdade que lhe escapa, porque cada um tem a sua verdade, e porque às vezes amar e proteger uma pessoa também pode obrigar a mentir..."

Há uns tempos vi um filme em que uma mulher era convidada para apresentadora de um concurso de talentos infantil.
Primeiro, porque era uma mulher famosa. Depois, porque tinha imenso jeito a lidar com as crianças.
E ela, inocentemente, convencida de que aquele concurso seria uma boa experiência para os miúdos, que haveria oportunidades para eles, e que seriam apoiados nos seus talentos, aceitou o convite.
Só que, a determinado momento, percebeu que, ao contrário do que a fizeram acreditar, o vencedor do programa estava decidido ainda antes de ele começar.
Que o público que, ingenuamente, votava para escolher os seus favoritos, estava a ser enganado.
E que ali todos acabavam por ser meros figurantes. Peões de um jogo. Actores, cada um com o seu guião a cumprir, sem questionar.
Tudo para o show. Para as audiências.
Tudo ilusão.
Da ficção para a realidade, cada vez mais os reality shows a que assistimos mostram que são verdadeiros "mestres da ilusão"!
Mas só nos iludem até um determinado ponto.
Porque, tal como qualquer ilusionista, há sempre algo do truque que escapa.
E chega a um momento em que os próprios ilusionistas percebem que o segredo do truque já foi descoberto optando, ainda assim, por continuar a fazê-lo, mas à descarada.
O público?
Esse, sabe que está a assistir a uma fraude. Mas também ele continua. Na esperança de que, sabe-se lá como, ainda haja algo de verdadeiro, no meio de tanta ilusão. Algo genuíno, e sem truques.
Ontem estava a ver o Triângulo.
A minutos da primeira expulsão, com 3 concorrentes em risco - Moisés, Isa e Lara, a Cristina diz que, naquela noite ainda iria falar com o Moisés, na casa.
Que é o mesmo que dizer: ele não vai ser expulso!
E, lá estava, minutos depois, o gráfico, a mostrar a Isa expulsa.
Ora, se ainda nem sequer tinham mostrado o gráfico, com as percentagens, e a quem pertenciam, como é que ela já sabia?
É fácil acreditar que alguém da produção lhe deu essa informação naqueles instantes.
Mas é mais certo pensar que todo o alinhamento da gala já estava planeado, e aquelas conversas também. Logo, já estaria decidido que era "x" pessoa a sair, e não outra.
Se as coisas estão definidas à partida, ou se vão mudando ao sabor do vento, que é como quem diz, consoante as audiências e interesses da produção, não sei.
Mas que muito do que vemos (senão tudo) é ilusão, lá isso é.
Isto lembra-me uma outra questão, que ontem vi numa série, em que um dos protagonistas constatava, em conversa com outro, que era engraçado como dele, que era uma pessoa emotiva, ninguém gostava e como, ao outro, que era uma pessoa fria, todos adoravam.
Se calhar, talvez não seja tudo tão assim, "preto no branco".
É certo que, aquilo que temos de mais garantido na vida, uma pura verdade que, por mais que ignoremos, nos está destinada, é a morte.
A morte é vista, para grande parte de nós, como um fim.
O término da nossa passagem por este mundo.
A despedida.
A dor.
A saudade.
É uma coisa má, a que ninguém pode escapar, ou fugir.
Por isso é considerada uma verdade dolorosa, e quase ninguém gosta dela.
Até pode ser muito mais, ou melhor, do que aquilo que "pintamos". Pode não ser nada daquilo em que acreditamos.
Mas é a ideia que temos dela. E, dificilmente, a mesma mudará.
Agora, será a vida uma linda mentira?
Sim. E não.
Sim, no sentido em que, se a morte é a verdade, a vida será o oposto.
Uma farsa que nos é permitida experimentar, enquanto cá estamos.
Um engano.
Um logro.
No entanto, considerando a vida como uma mentira, nem sempre será uma "linda mentira".
Para muitas pessoas, a vida é tão ou mais dolorosa, que a morte.
Para muitas pessoas, a vida é uma "mentira" difícil de viver, cheia de obstáculos, provações, sofrimento.
De linda, para elas, pouco ou nada terá.
Ainda assim a vida, para mim, não é uma mentira.
É, quanto muito, uma parte da verdade que é o nosso percurso.
A parte que, apesar de tudo, nos dá esperança.
Nos faz acreditar.
Que nos permite decidir.
Mudar.
Escolher.
Viver.
Nem todos os que vivem amam a vida.
Nem sempre é fácil amar a vida.
Nem sempre as pessoas sabem como fazê-lo.
Muitos, apenas a consideram um dado adquirido.
Um direito.
Algo tão certo que nem se dá o devido valor.
Apenas vão passando por ela. Ou é ela que vai passando.
Ainda assim, preferem-na, à morte.
Porque é difícil gostar de, ou aceitar, algo que se desconhece.