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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Qual é a idade certa para deixar os nossos filhos dormir em casa dos amigos?

 

Será que existe uma idade certa para os nossos filhos dormirem em casa dos amigos?

Talvez exista, mas essa idade difere de criança para criança, não é uma regra geral.

Em primeiro lugar, é preciso que os nossos filhos queiram fazê-lo e se sintam animados para tal. Nunca devemos impôr uma experiência dessas, convém que a iniciativa parta deles, ou então que se mostrem, pelo menos, receptivos à sugestão.

Mas isso só não basta. Imaginem que o vosso filho ainda usa fraldas numa determinada idade, ou faz chichi na cama de vez em quando, ou qualquer outro facto que o possa deixar envergonhado ou embaraçado perante os amigos. Será bom deixá-lo passar a noite na casa do amigo e arriscar? Talvez seja melhor esperar até essas situações serem ultrapassadas.

Depois, convém que a primeira vez a dormir fora de casa aconteça na casa de um amigo com quem eles costumem estar frequentemente, e cuja família nós conheçamos minimamente, porque isso irá deixar-nos, certamente, mais descansados. No entanto, estejam atentos porque pode acontecer o entusiasmo e excitação inicial dar lugar à saudade e apreensão, e os seus filhos ligarem a meio da noite a pedir para os ir buscar. Assim, é preferível que esse amigo não more muito longe.

A minha filha, por exemplo, foi convidada pouco tempo depois de ter conhecido uma menina na praia, com quem brincava, para dormir em casa dela, numa festa de pijama, com outras amigas dessa menina. E eu, na altura, pensei: ela nunca dormiu fora de casa (a não ser em casa dos avós ou do pai), nunca a deixei dormir em casa das colegas da escola, que conheço melhor e cujos pais conheço minimamente, porque haveria de deixá-la dormir em casa de alguém que só conheço de conversar uns dias na praia?

Confesso que fiquei com receio, e optei por não dar esse passo naquele momento. Hoje, e porque já lá estive algumas vezes em casa e conheço melhor os pais da amiga da minha filha, já seria diferente.

E, depois, convém que os nossos filhos já tenham alguma autonomia, embora em casa de outras pessoas eles tentem desembaraçar-se sozinhos de uma forma que não fazem em casa com os pais. Vestir e despir, higiene pessoa, calçar, entre outras, são tarefas que eles já devem dominar. 

Se já estão confiantes em deixarem os vossos filhos passar por esta experiência, levem-na até ao fim da melhor forma. Isso inclui não estarem constantemente a ligar para eles para saber como estão a correr as coisas e como se estão a portar. Combinem apenas um horário para um simples telefonema, e nada mais.

Mandem junto com o básico, algo que lhe possa dar confiança ou apoio, como um brinquedo, um boneco, a sua almofada, ou algo do género.

Acima de tudo, penso que é preciso haver vontade, confiança e serenidade, e tudo há-de correr pelo melhor!

 

Como transformar humilhação em fama!

 

Cada um é como é e ninguém tem o direito de humilhar outra pessoa, muito menos nos meios de comunicação social.

E eu fui uma daquelas que não achou correcta a atitude da SIC e dos produtores do programa Ídolos, quando resolveram, por brincadeira, colocar umas orelhas enormes num dos candidatos.

Mas convenhamos que o pobre rapaz que, a partir da exibição desse programa, ficou quase uma semana em casa, deprimido e humilhado, a chorar e sem vontade de ir à escola, por vergonha, soube aproveitar bem a situação!

De tão envergonhado que estava, que nem podia encarar os colegas da escola que, por acaso, num vídeo, até disse terem-no recebido bem e com cartazes e mensagens de apoio, pôs-se a dar entrevistas, já sorridente.

De repente, surgiu uma alma caridosa que lhe ofereceu uma cirurgia às orelhas, para que não voltasse a ser vítima de bullying (o que acho muito bem, mas tenho pena que tenha sido só agora, e nestas circunstâncias).

E já que não cumpriu o seu sonho de ser tornar Ídolo de Portugal ou, pelo menos, cantor, eis que lhe satisfazem um dos seus outros sonhos - ser modelo!

De um dia para o outro, vemos abrir as portas do mundo da moda a alguém que, de outro modo, provavelmente nunca lá entraria.

Sim senhor, fazem muito bem, para mostrar que ele não é menos que ninguém. E sim, ele faz bem em aproveitar a situação - gozaram com ele, agora tomem lá!

Mas será que estão, realmente, a ajudá-lo? Estarão a dar-lhe essas oportunidades por mérito próprio ou apenas por pena? Noutras circunstãncias, isso aconteceria?

É essa a minha grande dúvida. 

 

Medo e baixa autoestima - os principais "combustíveis" da violência!

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“Se alguém te agride, se alguém te humilha, se alguém te controla, se alguém te isola dos amigos, isso não é amor, é violência”, é a mensagem da mais recente campanha contra a violência no namoro.

Uma violência que não escolhe sexo, classe social ou formação. E que tanto pode ser física, como psicológica (muitas vezes, as palavras marcam mais que meia dúzia de nódoas negras).

Dizem os sábios que, por trás de uma pessoa que fere, há sempre uma pessoa ferida. E é provável que os agressores de hoje, tenham sido as vítimas de ontem. Ou tenham, pelo menos, crescido num ambiente de constante violência. E que as vítimas de hoje, sejam os agressores de amanhã.

Então, o que fazer para quebrar esse círculo?

Porque continuam a ser tão poucas as vítimas que denunciam esses crimes, e ainda tantas as que permanecem caladas?

Por várias razões: 

- porque gostam mais de quem as agride do que de si próprias, ficando cegas, surdas e mudas, inventando desculpas para se convencerem a si e aos outros, que foi uma coisa que aconteceu uma vez, e não voltará a acontecer! Assim, perdoam quem as agride porque foi uma questão de descontrolo, porque não havia intenção de o fazer. E, o que é pior, chegam a culpabilizar-se pela agressão de que foram vítimas, como se os agressores tivessem alguma razão para cometer tais actos!

- por medo de mais violência, de ver concretizadas as ameaças, do que lhes possa acontecer. Quantas vezes os agressores são detidos e saem logo em seguida? Quantas vezes se tentam vingar por terem sido denunciados? Quantas vezes o pior não acontece, sem que ninguém faça nada, apesar das várias acusações já apresentadas nos serviços competentes? As vítimas de violência doméstica não conseguem confiar em ninguém, não acreditam que as consigam proteger do que mais receiam. 

- por medo de serem julgadas, do que possam vir a dizer sobre elas, por vergonha...Por isso, sujeitam-se e acomodam-se sem reclamar. E é o pior que podem fazer, porque estão a dar ainda mais força aos agressores, que se acham no direito de repetir a violência, uma vez que foi permitida outras vezes.

Como tal, para um combate real e eficaz à violência doméstica, é preciso actuar em duas frentes.

É necessário, sem dúvida, uma legislação mais severa e adequada para estes casos mas, mais do que meras leis a enfeitar um Código Penal, é fundamental que as vítimas sintam que serão protegidas, que nada lhes acontecerá por denunciarem os agressores, que as queixas e denúncias não ficam numa gaveta ou no cesto dos casos a ver mais tarde. É fundamental que sejam tomadas todas as medidas, e que sejam cumpridas. É necessário que as denúncias sejam levadas a sério e que os receios das vítimas sejam tidos em conta.

Mas é, também, urgente actuar a nível psicológico, para que as vítimas tenham a coragem de reagir e agir, de conseguir dar a volta e lutar por si próprias, pela sua dignidade, pela sua saúde física e mental, pela sua vida!

E se orgulhem de terem vencido, em vez de se deixar vencer! 

A propósito da festa do Cristiano Ronaldo...

 

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...só tenho a dizer:  

 

Que fez muito bem em em seguir adiante com ela, se assim o entendeu!

Se os jogadores têm que esquecer a sua vida pessoal e colocar os problemas pessoais de lado, enquanto trabalham, por que raio não haveriam de deixar as questões do trabalho de lado, quando estão a viver a sua vida pessoal?

Se é certo que nem sempre se conseguem deixar os problemas pessoais de lado, também é verdade que os problemas do trabalho, muitas vezes nos acompanham.

Mas cancelar a festa de aniversário só fazia sentido se fosse uma decisão vinda do aniversariante, e consequência do seu estado de espírito, após a derrota. Nunca pelo possível descontentamento dos adeptos.

Adeptos esses que, apesar do desgosto, não vão deixar de viver a sua vida, de beber umas quantas cervejas com os amigos para afogar as mágoas, de se divertir só porque o seu clube do coração perdeu um jogo.

Alguns desses adeptos manifestaram-se junto ao centro de treinos do Real, exibindo uma faixa: "O vosso riso é a nossa vergonha". Pois eu diria que algumas das vossas atitudes, também são uma vergonha para o clube que tanto dizem gostar.



Mutiladas

 

“Nunca deixarei que façam o mesmo à minha filha”

“Não nos tiram só um bocado de pele, arrancam-nos a alma”

 

Maria, Ana, Inês, Alice (nomes fictícios)…mulheres iguais a tantas outras, mas a quem um dia lhes foi arrancado um pedaço dos seus corpos, das suas almas, dos seus sonhos, da sua alegria de viver. No seu lugar existe, desde então, uma vida de revolta, vergonha, dor, tristeza e pesadelo, que dificilmente irão ultrapassar…

A justiça? Essa é complicada! Os três casos de mutilação genital que, até hoje, chegaram aos tribunais portugueses, foram arquivados por prescrição, por falta de provas ou, simplesmente, porque a mutilação não foi considerada ofensa grave, nem qualificada como crime de natureza pública!

É duro e inaceitável que crianças, arrastadas por familiares (normalmente as mães ou avós) contra a sua vontade, imobilizadas por não sei quantas outras mulheres, mutiladas a sangue frio com tesouras, lâminas ou facas, sem quaisquer condições ou apoio médico, não se possam sentir, de alguma forma, justiçadas com a condenação destes monstros para quem, a cultura, a religião, a tradição e a “honra”, servem de justificação válida para este tipo de crime.

Grande parte das mutilações ocorre no país de origem, para onde levam as crianças, normalmente no período das férias.

Essas crianças, mutiladas em idades cada vez menores, para não chamar atenção das autoridades, tornaram-se mulheres mas, tanto física como psicologicamente, sentem-se menos mulheres. Menos mulheres porque sentem dores, porque têm vergonha do seu corpo, porque muitos homens se afastam e as rejeitam ao saberem o que lhes foi feito, porque não conseguem ter prazer durante as relações…

Mulheres que sofrem até hoje, e que recusam fazer as suas filhas passar pelo mesmo terror…E, só por isso, já são grandes mulheres!  

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