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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

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Um Dia em Dezembro, de Josie Silver

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Não foi n’Um Dia em Dezembro que comecei a ler este livro, mas já no início de janeiro.

E não demorei tanto tempo a terminá-lo, quanto durou a história – de 2008 a 2017 – mas também a leitura foi sendo feita lentamente, com algumas pausas e percalços pelo meio.

 

 

A pergunta que se coloca, depois de acompanhar ao longo de todos estes anos, as vidas destas personagens é “porque demoraram tanto tempo?”.

Porque é que Um Dia em Dezembro não culminou n’Um Dia em Dezembro muito mais próximo daquele em que tudo começou?

Será que as coisas têm mesmo um momento certo para acontecer, que nós saberemos, no devido tempo, qual é, e tudo o que fizermos em contrário, estraga as coisas e acarreta um final indesejado, simplesmente, porque não era o momento?

 

 

E, logo em seguida, pergunto-me, relativamente aos protagonistas da história, e à própria história: estas pessoas existem mesmo? Isto poderia acontecer na vida real?

É que a sociedade e os valores andam de tal forma desorientados e desgovernados, que eu já imaginava todo um outro desenrolar para esta história, eventualmente, mais rápido mas não, necessariamente, mais feliz.

 

 

Basicamente, Laurie vem de um dia de trabalho extenuante e está sem qualquer disposição até se deparar com ele, lá fora, através da janela do autocarro. Ela sabe que ele é o tal! Ele, parece ter sentido o mesmo efeito da seta do cupido, mas entre a surpresa e a passagem à acção, o autocarro parte. E, com ele, qualquer hipótese de se conhecerem, naquele dia de Dezembro.

 

 

Laurie, com a ajuda da sua melhor amiga e companheira de casa, Sarah, vai passar o ano seguinte à procura do “rapaz do autocarro”, sem sucesso, para desespero e tristeza de Laurie.

Já Sarah, que entretanto conheceu o seu príncipe encantado, está ansiosa por apresentá-lo a Laurie, e que gostem um do outro e fiquem amigos.

Sarah apresenta Jack a Laurie, e ambos percebem quem são! Jack, o rapaz da paragem e Laurie, a rapariga do autocarro. E agora?!

 

 

Irão fingir que não se conhecem? Ou contar a verdade a Sarah?

Irá Sarah aceitar que o seu namorado é apaixonado pela sua melhor amiga, e deixar o caminho livre? Irá a amizade entre as duas resistir?

Irá qualquer que seja a relação, entre Jack e Sarah, ou entre Jack e Laurie, resultar?

 

 

Claro que se tudo acontecesse assim tão rápido, não haveria história para preencher o livro, e a vida não é assim tão objectiva, apresentando caminhos rectos e curtos, pelo contrário.

São essas curvas, atalhos, caminhos sinuosos, estradas secundárias e ruas paralelas ou perpendiculares, que se entrecruzam e nos afastam de um determinado rumo, colocando-nos noutro, que vamos descobrindo ao longo dos anos que estas personagens vão vivendo.

 

 

Há momentos em que dá vontade de dar umas bofetadas a uns, para ver se acordam para a vida, e em que sofremos e sentimos as dores de outros, como se fossemos nós a viver.

Há momentos em que nos irritamos com tanta bondade e espírito de sacrifício, e em que valorizamos essas mesmas atitudes, apesar de nem sempre serem para o nosso bem, ou nos fazerem felizes.

Há momentos em que torcemos por uns, e em que apoiamos outros.

Em que nos enervamos com determinadas pessoas mesquinhas, ou vibramos com quem é capaz de pôr os pontos nos “is”.

Há momentos em que rimos, outros em que choramos. Há momentos em nos identificamos com algumas situações, e outras em que percebemos que nunca faríamos aquilo.

É uma história com gente dentro, com corações apaixonados e sofridos, que tentam ser felizes à sua maneira, a cada dia, de cada ano das suas vidas!

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