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Marta - O meu canto

Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Marta - O meu canto

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Um direito tem sempre, como contrapartida directa, um dever?

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A minha filha está a fazer, para a disciplina de Filosofia, um ensaio filosófico que, após escolha de algumas das ideias em cima da mesa, acabou por recair na defesa da Eutanásia, como um direito à dignidade.

Ela teria que expôr a sua tese, os seus argumentos a favor da mesma, as objecções e a respectiva resposta a estas, de forma a manter a sua defesa.

Confesso que é um tema que me interessa.

Tal como relativamente ao aborto, defendo a sua despenalização, e não condeno quem a peça, ou quem a pratique a pedido de alguém.

O facto de defender a eutanásia não significa, obrigatoriamente, que essa seja uma opção à qual recorreria. Penso que só quem está nas situações, saberá o que sente e o que quer para si.

Quanto mais leio sobre o assunto, sobre os argumentos a favor e contra, mais me apercebo da complexidade da questão.

Mas o que me abriu, de facto, uma nova visão para o tema, foi a perspectiva, vista do lado dos profissionais de saúde.

 

 

Podemos ter o direito a morrer dignamente, mas teremos o direito de pedir ao médico, que nos mate?

Assim de uma forma um pouco radical, o que era defendido era que, se o paciente tem o direito de morrer, então o médico tem o dever de matar.

Isto porque partem da premissa de que um direito implica sempre um dever. O direito de um, implica o dever de outro. 

 

 

Mas será que um direito tem sempre, como contrapartida directa, um dever? Em qualquer circunstância? 

Não me parece. Nem sempre.

E, pelo menos, não neste caso. O facto de se ter direito a morrer dignamente, não faz da morte, automaticamente, um dever do médico. A não ser que este seja a favor, e considere seu dever, apresentado o pedido do paciente e analisado o seu quadro e situação clínica, aceder ao mesmo e pôr fim à vida e ao sofrimento.

Mas nada o obriga a matar, se ele assim não o entender, ainda que não venha a ser penalizado por tal acto.

Talvez o ideal fosse a pessoa que quisesse morrer dignamente, pôr fim à sua própria vida. Aí, falaríamos de suicídio. Mas faltar-lhe-iam sempre os meios, que levassem ao fim. E, talvez, a coragem.

Algo que também não se pode exigir do profissional de saúde. Eu quero morrer mas não tenho coragem de me matar, por isso, preciso de si. Não seria justo.

Mas acredito que um qualquer médico que pratica o aborto que, no fundo, não deixa de ser matar um ser humano, que teria toda uma vida pela frente, que desliga uma máquina, por não ser útil na reversão de um determinado quadro clínico, ou até mesmo eutanasia um animal para lhe acabar com o sofrimento, não terá problemas em o fazer, aos humanos que querem partir.

 

Sobre os argumentos contra e a favor, sobre eutanásia activa e passiva, voluntária ou não voluntária, o matar e o deixar morrer, muito haveria para falar, quer em termos éticos ou religiosos, e não chegaríamos a lado nenhum.

Até que ponto estão os médicos dispostos a ir, na defesa da vida humana, e daquilo que consideram que é melhor para o paciente, ainda que esse não o veja dessa forma?

Até que ponto estão os pacientes dispostos a ir para ver satisfeito esse seu desejo e direito que lhes assiste, a uma morte digna?

E o que é, para cada um de nós, uma morte digna?

 

 

 

 

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